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Mensagens

A mostrar mensagens de Fevereiro, 2012

Canal-L: António Lobo Antunes. "¿Qué caballos son aquellos que hacen sombra en el mar?"

falado em castelhano

duração aproximada: 9 minutos

21.02.2012

«Caminho como uma casa em chamas»

Será o título de um novo livro de António? Para já apenas o título de uma crónica. Que é uma carta aberta ao leitor. E, por isso, partilhamos aqui:


Passei meses muito difíceis entre agosto e metade de dezembro: não era capaz de escrever uma linha que fosse e o desespero e a falta de sentido da minha vida aumentavam quase hora a hora. Tinha acabado um livro muito bom, composto em meia dúzia de meses com uma facilidade pasmosa, coisa que desde a Explicação dos Pássaros não me acontecia, um milagre e um mistério cujo mecanismo desconheço, pensava - Agora sei como se faz um livro e, ao tentar recomeçar, nem uma palavra. Conseguia compor as crónicas da Visão, a tropeçar em cada linha, mas, assim que puxava o bloco do livro, tudo me desaparecia da cabeça e da mão. Pensava - Sequei em certo sentido alegrava-me que tivesse acabado bem, pensava- Se calhar pus tudo neste último texto e acabou-semas o facto de não me sair nem uma letra começava a dar cabo de mim. Para quem, desde que se conhece, …

La Vanguardia: «Vivemos num mundo de simples desconhecidos»

La Vanguardia
entrevista de Núria Escur
21.02.2012

«Vivemos num mundo de simples desconhecidos»

O escritor português apresentou o seu último romance [em catelhano]: Que Cavalos São Aqueles Que Fazem Sombra No Mar?
Está cansado, caminha cansado. Resiste cansado. Chega o último romance de António Lobo Antunes (Lisboa, 1942) em castelhano: Que Cavalos São Aqueles Que Fazem Sombra No Mar? (Mondadori) com a mesma cadência de sentimentos que é já o selo do autor.
Na sua estadia em Barcelona o escritor português - que só pensa em passar um pouco com Marsé e Moix - deixa a sua opinião sobre um mundo que o desagrada cada vez mais: "Não há quem o entenda. A política, por exemplo, em abstracto, não sei bem o que é".
O seu olhar, borgiano, cada vez mais de soslaio, é cego àquilo que não o interessa. Lobo Antunes está de volta. Mas na sua catadupa de palavras com personagens que carregam os seus fantasmas continua criando desassossego como ninguém, cria excepções de silêncios e po…

Raquel Silva: opinião sobre Quarto Livro de Crónicas

Sinopse: É inexistente.
Opinião:
Nunca tinha lido nada de António Lobo Antunes, mas um amigo meu, de nome António curiosamente, estava a lê-lo e, um dia em que fomos à praia, pus o olho no livro e ele lá teve que mo emprestar, não sem antes o acabar, é claro. A opinião do meu amigo é-me desconhecida, mas em boa hora saberei, que não me custa nada perguntar.
Antes de tudo, tenho de vos dizer que por nunca ter lido nada deste autor, foi com estranheza que comecei a bisbilhotar este seu conjunto de crónicas. É ainda com estranheza que olho para trás, para o início, quando o abri, com os olhos a espelharem a expectativa - essa, a expectativa, não me foi defraudada, na verdade não foi nada, porque, simplesmente, não era assim tanta. Sempre ouvi falar do António Lobo Antunes, bem, menos bem, muito bem. As opiniões são diversas. Até eu, consigo perceber, tenho várias opiniões, e todas elas divergem, apesar de ser só uma.
A maneira de escrever que António possui é fora do comum, tal como é a de Sa…

¿Qué caballos son esos que hacen sombra en el mar?, de António Lobo Antunes, por Juan Mal-Herido

Nunca he podido acabar una novela de António Lobo Antunes: se pasa de genial. Es todo tan jodidamente genial que da pudor pasar páginas, quedarse alelado, sufrir con algo que, al cabo, no es otra cosa que tinta sobre un papel. Que Carlos Boyero lea a Lobo Antunes no se lo cree ni él.
No me cabe duda de que ¿Qué caballos…? es una obra menor de António con tilde en la O. A fin de cuentas, me la he leído entera; es más (y esto es toda la crítica literaria que hace falta): me ha maravillado. El resto es tap-dancing, amores. Voy. Nada me cuesta más de pillar en una novela que el argumento, las madres, los hijos, los nietos, el pasado y la herencia, ese perro, ese sobresalto o ese tren al que se tiran las infieles: no lo pillo. Por eso estoy siempre a favor de las novelas cuyo argumento no va a pillar nadie. Eso es democracia, todos idiotas. ¿…son esos que…? hay que leerlo sin enterarse: luego un tesinando o un profe de universidad nos dirá algún día de qué coño va el libro y quién habla a cada…

Juan Soto Ivars: opinão sobre Que Cavalos São Aqueles Que Fazem Sombra No Mar?

Fazer uma resenha de um romance de António Lobo Antunes é de uma estupidez suprema, uma resenha pretende demonstrar que se compreendeu o livro, e por isso alguns escritores incipientes como manchas cancerosas na pele da literatura tentam com que os críticos e os leitores não entendam nada, pois assim poderão salvaguardar-se das más críticas afirmando "não entenderam", o que vem a ser mentira: seguramente o crítico não terá entendido outra coisa, se o romance, se o desejo de fazer um romance, mais do que o romance em si; não terá entendido que um romance mau não merece nem crítica nem resenha, merece perder-se no silêncio com todos os outros romances que têm entrado nesse forno onde as chamas não crepitam, «eu que não suporto pássaros, pega-se-lhes e o coração, de tão frágil, dá medo»
talvez fazer um resenha de Lobo Antunes sirva para matar esse silêncio ou para demonstrar o entusiasmo que produz cada novo livro, para enviar um postal de agradecimento a António Lobo …

Encontro de António Lobo Antunes e Juan Marsé em Barcelona

Citando o site do Centro da Língua Portuguesa do Instituto Camões de Barcelona:


«No próximo dia 16 de Janeiro terá lugar, no Centre de Cultura Contemporània de Barcelona, o ciclo de conferências Virtuts, cujo programa contempla a presença, na segunda-feira dia 20 de Fevereiro às 19h30, do escritor português António Lobo Antunes, que conversará com o seu amigo e escritor barcelonês Juan Marsé. Este ciclo de conferências, organizado no início de cada ano pelo CCCB e que, desta feita, conta com a colaboração do Consulado Geral de Portugal em Barcelona, tem o objetivo de reflectir sobre o futuro dos valores do humanismo. Nesta ocasião, a conversa girará em torno das virtuts.
O contexto actual de crise económica indicia uma série de sintomas que nos remetem a uma crise mais profunda que afecta os âmbitos político, cultural e educativo, no seio do qual o abandono da visão humanista parece ter um espaço central. Por este motivo, com este encontro, o CCCB propõe uma reflexão sobre as virtudes in…

Oferta de exemplar de Explicação dos Pássaros - novo passatempo

[passatempo encerrado]

Caros visitantes, amigos e leitores
Uma vez que o 3º prémio do passatempo de Janeiro, embora atribuído e enviado ao seu destinatário, foi devolvido e não houve posterior reclamação, abrimos a possibilidade de oferecer novamente o livro Explicação dos Pássaros (edição comemorativa dos 30 anos), autografado por António Lobo Antunes, através de novo passatempo que decorrerá, desta vez, com um prazo limite de participação.
Assim, os interessados que quiserem habilitar-se a receber este exemplar apenas têm que construir um pequeno texto criativo onde utilize as palavras explicação e pássaros (não é válida a utilização do título do livro para a aplicação das palavras ao texto). Eis as condições:
Este passatempo começa a partir de hoje, dia 7 de Fevereiro, e terminará às 24H00 do dia 7 de Março;A participação é feita por e-mail, enviando o texto para o nosso endereço: alaptla@gmail.com;No corpo da mensagem de e-mail, além do texto, devem constar os seguintes dados pessoais…

Passatempo ALA web/Dom Quixote: terceiro premiado anunciado

Sem outro recurso que não este, solicitamos a Manuel Augusto Rodrigues Salvador, da Guarda, 3º premiado do Passatempo da semana passada com o livro Explicação dos Pássaros, que entre em contacto connosco via e-mail (alaptla@gmail.com) até ao final de segunda-feira para tratarmos da entrega do prémio. O livro foi enviado na passada segunda-feira, por correio normal, para a morada indicada no e-mail de participação nos termos do passatempo, mas foi devolvido na passada quinta-feira por "endereço inexistente/insuficiente", e porque no contacto telefónico indicado ninguém atende. Após os e-mails (de quinta e sexta-feira) sem resposta em que pedimos a morada correcta, resta-nos a alternativa pública do nosso site para que possamos entregar o prémio. Após as 24H00 de segunda-feira, dia 06.02.2012, e caso o premiado não entre em contacto connosco pela via solicitada, iremos proceder a um novo sorteio ou passatempo para a atribuição deste prémio uma vez que não houve outro particip…

de Norberto do Vale Cardoso

“Tratado das Paixões de Judas:Emoções Sociais e Cognição em António Lobo Antunes”


Norberto do Vale Cardoso (Doutorado pela Universidade do Minho)


IAs paixões do Lobo na guerra

“[...] aqueles meses de guerra haviam-nos transformado em pessoas que não éramos antes, que nunca tínhamos sido, em pobres animais acuados repletos de maldade e de terror.” (I. 175)

1. «Sequestro neuronal» – desequilíbrio emocional
Centrados na experiência da Guerra Colonial, os primeiros romances de António Lobo Antunes estabelecem várias comparações para explicar a “animalização” a que foram sujeitos os soldados portugueses, transformados em “bichos cruéis e estúpidos ensinados a matar” (J. 135). Há, pois, uma dicotomia entre o que eram antes e depois, o que nos parece corroborar a perspectiva “sociologista da guerra”, que refere o acto bélico como estranho ao Homem e produto das relações sociais (Bebiano, 2000:77 e ss). Vejamos, sobretudo, como o narrador d’ Os Cus de Judas (p. 136) afirma essa mutação: “não éramo…