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25 de outubro de 2014

Revista SÁBADO: António Lobo Antunes na Roménia (reportagem)

REVISTA SÁBADO
nº 546 16 a 22 Outubro 2014

Reportagem de Marco Alves


A poucos dias de ser lançado um novo livro, a SÁBADO foi com António Lobo Antunes até à Transilvânia, na Roménia, onde durante três dias o escritor mostrou um lado surpreendente. Chorou, riu, cantou e confessou-se.


Assim que termina a conferência na Faculdade de Letras da Universidade Babes-Bolyai de Cluj, António Lobo Antunes tem o impulso de sempre: vai ao bolso das calças, tira um maço de Marlboro e acende um cigarro. Uma mão apoiada na perna, a outra na mesa, é notório que fumar lhe dá prazer.
No corpo de 72 anos, que agora se move pesadamente, tinha já ratado (a expressão é sua) um cancro nos intestinos. Mais tarde, apareceria outro cancro no pulmão direito, e ainda veio mais outro, que se dedicou ao pulmão esquerdo. "Tive três cancros e sobrevivi. Tive imensa sorte", diz-nos. "As doenças estão todas curadas, mas saíram-me do pêlo. Foi duro..." Fumava quanto? "Quase dois maços [por dia]. Estou a tentar reduzir... Mas não se preocupe, não tem nada a ver com isso."
Não é a única vez nestes três dias que passou na Roménia que Lobo Antunes fuma sem se importar se o podia fazer ou se dava uma boa imagem. Ali, na faculdade, fá-lo perante um auditório de estudantes e professores - em Portugal, por exemplo, já fumou numa entrevista na televisão.
Na Roménia, nunca lhe disseram nada sobre os cigarros - só numa biblioteca no interior da Transilvânia é que não pôde fumar, mas só por causa dos alarmes. A reverência com que foi tratado pelos romenos incluia essa tolerância. Percebia-se o entusiasmo perante um homem que dali a umas horas poderia estar nos jornais do mundo inteiro como novo Nobel da Literatura, mas que antes disso, agora mesmo, está a passar uns dias em Cluj a apertar-lhes as mãos, a autografar-lhes os livros e a encher-lhes a sala de fumo.
A palavra Nobel aparecia em todo o lado: nos artigos que os jornalistas romenos fizeram da sua visita, nos cartazes do Festival Internacional do Livro da Transilvânia, nas perguntas que lhe faziam e nos discursos oficiais. O rótulo Nobel, o estatuto de celebridade, parecia valer mais do que a obra - na Roménia, apenas seis dos seus livros estão traduzidos. Tudo o oposto do que Lobo Antunes defende, ele que gosta de dizer que "o que interessa são os livros, não é o autor".
Na véspera da atribuição do prémio encontramo-nos com Lobo Antunes a jantar no hotel. A dada altura, a mulher, Cristina Ferreira de Almeida, levanta-se. "Vou ao quarto buscar o telefone, deixei-o a carregar. Just in case [para o caso de]..."
A razão é simples: Lobo Antunes não tem telemóvel. "Nunca tive. Também nunca tive computador. Não sei mexer naquilo." E segundo ele, a Academia sueca liga na véspera. "Não ganho... se ganhasse já tinham telefonado. Vão dar ao queniano [Ngugi wa Thiong'o]. Ligam na véspera porque têm de dar ao tradutor o discurso. Por acaso o Mario Vargas [Llosa] só soube uma hora antes. Ele telefonou-me logo."
Perguntamos-lhe se ficaria contente por receber o Nobel. "Sei lá..." Pela cara que faz percebe-se que não é um "sei lá" dissimulado, é um "sei lá" que quer dizer "como posso saber a minha reacção a um acontecimento se ainda não passei por ele?". Mas deixa uma pista: "Até agora não tenho sido uma pessoa especialmente alegre."
Lobo Antunes viria a saber da atribuição do prémio ao francês Patrick Modiano quando já estava em viagem para Lisboa.


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30 de setembro de 2014

Universidade romena distingue António Lobo Antunes com Honoris Causa

Citado do site Observador:

A universidade romena de Babes-Bolyai vai distinguir o escritor português António Lobo Antunes com o Doutoramento Honoris Causa e com o Grande Prémio de Excelência do Salão do Livro da Transilvânia.
O escritor António Lobo Antunes vai receber na próxima segunda-feira o Doutoramento Honoris Causa da Universidade Babes-Bolyai e o Grande Prémio de Excelência do Salão do Livro da Transilvânia, em Cluj-Napoca, na Roménia, anunciou a sua editora.
A distinção académica, afirma a editora do grupo LeYa, é “resultado de uma decisão unânime dos membros do senado daquela universidade, uma das mais antigas e prestigiadas da Europa central e oriental”. O doutoramento é atribuído ao autor de “Auto dos Danados” pela sua “contribuição excepcional para a literatura mundial” e pela “difusão da cultura portuguesa no mundo”, afirmam as Publicações D. Quixote, citando o documento da universidade romena.
A Universidade Babes-Bolyai, em Cluj-Napoca, atribuiu igual distinção, entre outros, ao escritor Mario Vargas Llosa, ao historiador Jacques le Goff, à chanceler alemã Angela Merkel, e ao teólogo Joseph Ratzinger, actual papa emérito.
Na terça-feira, na abertura do Salão do Livro da Transilvânia, que se realiza também em Cluj-Napoca, onde serão apresentadas as edições romenas dos livros do autor, António Lobo Antunes receberá o Grande Prémio de Excelência do Salão do Livro.
Lobo Antunes, de 72 anos, tem editados mais de trinta títulos, entre romances, poesia e crónicas, tendo-se estreado literariamente com “Memória de Elefante”, em 1979, e logo nesse ano publicou “Os Cus de Judas”. A editora anunciou que o próximo romance de Lobo Antunes, “Caminho Como Uma Casa Em Chamas”, será publicado no dia 21 de Outubro.

fonte: Observador / Agência Lusa
29.09.2014
texto revisto por José Alexandre Ramos
foto de Georgina Noronha editada por José Alexandre Ramos

16 de junho de 2014

Universidade Babeș-Bolyai (Roménia) nomeia António Lobo Antunes para distinção Doctor Honoris Causa

A Universidade Babeș-Bolyai, em Cluj-Napoca, na Roménia, nomeou António Lobo Antunes para a atribuição das insígnias de Doctor Honoris Causa, em cerimónia a realizar-se em Outubro. 

Segundo aquela instituição e do seu comunicado feito ao escritor, a que tivemos acesso por cortesia de Maria de Piedade Ferreira (editora da LeYa), esta distinção deve-se ao «contributo excepcional» que António Lobo Antunes presta à «literatura mundial e à divulgação da cultura portuguesa no mundo».

Outras personalidades já foram distinguidas com o mesmo grau por esta Universidade, como o escritor Mario Vargas Llosa, o químico Jean-Marie Lehn e o biólogo George Palade (os três tendo alcançado o Prémio Nobel nas suas categorias), os historiadores Jacques Le Goff e Harald Zimmermann, e ainda a chanceler alemã Angela Merkel e o cardeal Joseph Ratzinger (Papa Bento XVI).

Mais adianta o comunicado que a obra de António Lobo Antunes é bem conhecida e bastante apreciada pelos estudantes e professores daquela universidade.

O escritor português estará então presente na cidade de Cluj-Napoca (a 3ª maior cidade romena) para a cerimónia de imposição das insígnias que ocorrerá nos dias 6 e 7 de Outubro.

Crónica «Nós» com reflexão sobre a sua leitura por Olga Fonseca

Nós Não precisávamos de falar. Como ele dizia – Tu sabes sempre o que eu estou a pensar e eu sei sempre o que tu estás a pensar ...