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Mensagens

A mostrar mensagens de Agosto, 2006

Lourenço Bray: opinião sobre Fado Alexandrino

A melhor escrita resulta essencialmente de um desequilíbrio. É por isso verdade o velho cliché de que as pessoas quando estão “deprimidas” ou em estados considerados frágeis criam mais, estão num estado mais introspectivo e por isso mais próximas das questões básicas do quem sou eu, de onde vim e para onde vou. Porque precisam de pensar nisso. Se a vida fosse feita de praia, surf, peixinho fresco assado, bom vinho, fogueiras crepitantes onde um grupo de eternos jovens se reúne para tocar guitarra e fumar cigarros que não dão cancro no pulmão, de olhos postos nas faúlhas de fogo que espiralam em direcção ao firmamento, se fosse assim, a literatura morria.
O escritor reage ao que o rodeia, transformando as suas experiências em escrita. A experiência de vida, a par da leitura, é fundamental para a escrita. É muito difícil escrever algo com substância com menos de 30 anos porque não se viveu o suficiente, nem se leu o suficiente. O escritor quase nunca pode agir para se rodear daquilo que …

Da leitora Conceição Ramos-Lopes: «Apetece-me chamar-te Estrangeiro»

Apetece-me chamar-te Estrangeiro
mas não te sigo
é madrugada agora
e diluo-me de te não ter
Das janelas dos teus olhos
nasceu uma vela branca
e a tua língua
escorreu uma gaivota
Os teus braços
desfraldaram mares de espuma
e um medo azul
ancorou-me a este cais
onde acenas sem partir
Amanheceu e eu já não sou
A António Lobo Antunes
Conceição Ramos-Lopes e-mail de 30.08.2006

José Romero P. Seguín: Impressões sobre o romance «El Resplandor de Portugal»

Ler o romance de António Lobo Antunes, "O Esplendor de Portugal", é como ler espelhos inquietos. Mas não num lugar asséptico, cómodo e decente para tão plácida tarefa, mas sim lê-los de pé ou de cócoras lá onde eles apodrecem já esquecidos e também lá onde mal vivem não menos esquecidos.
Luanda e Lisboa, Lisboa e Luanda, África e Europa definitivamente, malditas ambas na sombria e decadente imagem da memória ao menor fulgor de esperança. Assim são as personagens. Sente-se que as imagens entram e saem em si confundidas como na forja do espelho corrompido as silhuetas que não sabem onde começa a sombra que são e a sombra que foram. Para ir dotando de sentido o que não tem sentido, das vidas derrotadas para lá da culpa. Vidas atadas a um esplendor urdido sobre a miséria dos outros e como tal miserável.
África ofereceu-lhes para além da ambiciosa oportunidade de medrar economicamente, a possibilidade de serem um grotesco arremedo desse estatuto de dignidade que na orgulhosa e decr…

Da leitora Conceição Ramos-Lopes: «Neo-»

Neo-
Olhos de se cumprir
um pouco
Portugal Prosa sem cabresto Páginas de génio pessoano a quantas (?) décadas de intervalo Olhos de destilar surrealismo Ou álcool O fascínio de recônditas etílicas profundezas Associações para mim tudescas Longínqua herança de azul e laivos de ouro Associações...
Ao Escritor português meu fétiche. Bruxelas, 1992
Conceição Ramos-Lopes e-mail de 10.08.2006