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8 de setembro de 2016

Colecção ALA-Ensaio: António Lobo Antunes: As Formas Mudadas, por Norberto do Vale Cardoso

A partir de 20 de Setembro estará diponível mais um volume - o sétimo - da colecção ALA Ensaio, dirigida pela Prof.ª Maria Alzira Seixo, e editada pela Texto. É o segundo livro da autoria de Norberto do Vale Cardoso nesta colecção .


«Contemporânea e clássica, certamente multímoda, a obra de António Lobo Antunes é aquela que pretende “mudar a arte da escrita”.

Em António Lobo Antunes: As Formas Mudadas, título que retoma uma das obras que mais tem influenciado a cultura ocidental, as Metamorfoses de Ovídio, percorremos os caminhos da obra que nunca se fixa, que se constrói em avatares constantes, seja nas várias tendências estéticas, nos temas, na mundividência, na sensibilidade, na concepção e/ou composição da escrita, em suma, na sua “poética” (a importância do lateral, dos interstícios, da transfiguração verbal, do indecidível, do fragmentário, do suspenso, da metaficção).

Em António Lobo Antunes: As Formas Mudadas verificamos que a obra de António Lobo Antunes é aquela que se adianta ao seu próprio tempo, mas é, de igual modo, aquela que não desdenha a herança dos clássicos, com os quais contacta em permanência, para “sobreviver ao tempo,
ao ferro e ao fogo”.

Nenhum ensaio estabelece interpretações definitivas – muito menos em literatura. António Lobo Antunes: As Formas Mudadas, volume 7 da Colecção António Lobo Antunes/Ensaio, pretende tão-só interrogar-se sobre os sentidos da arte e, com ela, da vida. Afinal, e parafraseando o próprio António Lobo Antunes, “Como se pode agarrar, digam-me lá, o que constantemente muda?” »

Maria Alzira Seixo

> consulte aqui os outros volumes desta colecção <

2 de setembro de 2015

Quem sou eu? Ensaios sobre António Lobo Antunes - colecção ALA Ensaio, 6º volume

Já se encontra disponível o 6º volume da colecção ALA- Ensaio, da Texto Editora. O autor é Sérgio Guimarães de Sousa.


O livro de Sérgio Guimarães de Sousa, é o mais recente volume de uma colecção de estudos universitários e de outras proveniências que tentam estabelecer uma ponte de acessibilidade entre a obra de António Lobo Antunes e todos os tipos de leitores, atendendo a graus diversos de formação.
Dirigida por Maria Alzira Seixo, esta colecção tem por objectivo ajudar a compreender e iluminar o universo muito próprio de António Lobo Antunes.

11 de novembro de 2014

A colecção António Lobo Antunes - Ensaio (Texto Editora - LeYa)


Para os mais interessados sobre a complexidade da literatura de António Lobo Antunes, existem muitos livros que estudam e tentam explicar a sua obra, entre os quais os trabalhos de e sob a coordenação da Professora Maria Alzira Seixo, bem como os trabalhos de Ana Paula Arnaut, entre outros.

Desde 2011 que têm sido publicados os volumes de uma colecção orientada pela Professora Maria Alzira Seixo, intitulada António Lobo Antunes - Ensaio, sob a chancela da Texto Editora (que faz parte da LeYa, o mesmo grupo editorial que publica os livros do escritor). São estudos e teses sobre a obra de António Lobo Antunes que muito acrescentam ao que já foi publicado e focam aspectos interessantes da sua escrita que ajudam a compreender a obra antuniana no seu todo. 

Retomamos aqui a divulgação dos 5 volumes já publicados (o último muito recentemente). Sendo de menor tiragem, são livros que podem não estar disponíveis em todas as livrarias, mesmo as de maior superfície; no entanto, através da LeYa Online é sempre possível obter ou encomendar os títulos que abaixo referimos. Com esta informação foi também actualizada a bibliografia passiva de António Lobo Antunes.

Aconselhamos vivamente.

*

António Lobo Antunes: A Arte do Romance, de Filipe Cammaert. 1º volume, edição: 2011, 184 páginas.


Este livro abre a Colecção António Lobo Antunes – Ensaio. Inclui estudos dos especialistas reunidos em Junho de 2009 no Centro de Estudos Comparatistas da Faculdade de Letras de Lisboa para estudarem a arte do romance na obra deste escritor: José Gil, Paula Morão, Agripina Carriço Vieira, Eunice Cabral, Graça Abreu, Ana Paula Arnaut, Inês Cazalas e Catarina Vaz Warrot. Apresenta o state of the art desta obra no final da 1ª década do séc. XXI. Como escreve A. Lobo Antunes? Porque escreve? Como muda ele a literatura? O que dá ao leitor? Como o prende? Subjectividade, romanesco, inquietação, incidências da música, escrita abstracta, ritmo narrativo e modos de compor são dos tópicos aqui mais abordados. Foi organizador do encontro Felipe Cammaert.

A Colecção ALA – Ensaio edita estudos críticos e/ou universitários que se debrucem, total ou parcialmente, sobre a obra antuniana, e privilegia os trabalhos de índole comparatista.

Maria Alzira Seixo



A Mão-de Judas: Representações da Guerra Colonial Em António Lobo Antunes, de Norberto do Vale Cardoso. 2º volume, edição: 2011, 280 páginas

António Lobo Antunes e a guerra colonial em África, tópico fundamental da literatura portuguesa nos últimos 50 anos, continua actual na obra do escritor, como está patente no último romance, Comissão das Lágrimas. E se esta guerra constituísse, além de atroz experiência  humana e existencial, um vector basilar na composição do texto antuniano, imprimindo na expressão literária a perdurabilidade do risco, a ulcerada exposição à perda de si, dos outros, do sentido de tudo? Este livro percorre tais caminhos, a partir da figuração de Judas, que, entre Marte e a Morte, passando por Narciso, e um rapaz chamado António, enfrenta medos, anseios, valores, ideologias, e o risco de traçar no papel o sofrimento de irremediáveis contradições. Livro que prende o leitor, tanto quanto o ensina, constituíu, antes de ser reelaborado para esta publicação,  uma tese de doutoramento na Universidade do Minho, e é seu autor Norberto do Vale Cardoso, professor do Ensino Secundário, actualmente na Escola Profissional de Chaves.

Colecção ALA – Ensaio edita estudos críticos e/ou universitários que se debrucem, total ou parcialmente, sobre a obra antuniana, e privilegia os trabalhos de índole comparatista.

Maria Alzira Seixo


As Mulheres na Ficção de António Lobo Antunes: (In)Vatriantes do Feminino, de Ana Paula Arnaut. 3º volume, edição 2012, 264 páginas.

Como trata a mulher António Lobo Antunes? As figuras femininas são abundantíssimas, na sua obra, marcadas por traços indeléveis de actuação e  personalidade. Mas agem elas com frequência ou são meras personagens comparsas, de procedimento subordinado a dos homens? Têm vincado o carácter ou, ao invés, apresentam compleição débil, não alcançando voz activa na intriga do romance? Ana Paula Arnaut, professora Agregada da Universidade de Coimbra e especialista desta obra, estuda com pormenor e rara argúcia, em todos os romances, as figuras femininas neles existentes, procedendo a finas análises do texto e de comportamentos nele representados, que impressionam pela tendencial exaustão do trabalho e pela justeza das conclusões, que nunca simplificam essa capacidade de sugestão e vaga impressividade que é dos encantos maiores da escrita de António Lobo Antunes. Este é o livro que faltava, para uma melhor compreensão do universo ficcional do criador de Julieta de A Ordem Natural das Coisas, da Isilda de O Esplendor de Portugal e da Maria Clara de Não Entres Tão Depressa Nessa Noite Escura, personagens que marcam o romance português de todos os tempos.

Colecção ALA – Ensaio edita estudos críticos e/ou universitários que se debrucem, total ou parcialmente, sobre a obra antuniana, e privilegia os trabalhos de índole comparatista.

Maria Alzira Seixo


Chaves de Escrita e Chaves de Leitura nos Romances de António Lobo Antunes, de Catarina Vaz Warrot. 4º volume, edição: 2013, 256 páginas.

A música, em António Lobo Antunes, é um aspecto de relevo. Na composição dos romances, na caracterização de personagens, no tecido de sons que povoam o universo dos seus textos. Surge em referências e antologias (jazz, música pop, modelos sinfónicos), em formas de composição (o articulado de vozes alternadas, cruzamento de ‘mãos’ da escrita, a construção de repetições, certos efeitos de ressonância) que são familiares ao leitor antuniano. Mas não tem havido estudos que o objectivassem no processo de escrita do autor de Fado Alexandrino. Catarina Vaz Warrot, doutorada em Franla com uma tese que justamente de tal se ocupa, estuda aqui o tema a preceito. Encara-o de uma perspectiva linguística precisa, combinando análise da enunciação com factores da estética musical, e centrando ambos no tema do tempo, característico do autor. Mais: ela mostra como certas dificuldades de acesso à leitura dos seus romances (para isso analisa parte de Não Entres Tão Depressa Nessa Noite Escura) se tornam fáceis «chaves» de entendimento do universo desta escrita. Num finíssimo trabalho de análise da enunciação, mas utilizando uma linguagem sempre acessível ao leitor corrente. Imprecindível, para se «entrar» melhor na obra do nosso grande escritor!

Colecção ALA – Ensaio edita estudos críticos e/ou universitários que se debrucem, total ou parcialmente, sobre a obra antuniana, e privilegia os trabalhos de índole comparatista.

Maria Alzira Seixo


António Lobo Antunes: A Desordem Natural do Olhar, de Susana João Carvalho. 5º volume, edição: 2014, 224 páginas.

Sobre a obra de António Lobo Antunes, leitores e crítica referem com frequência as vozes que emergem no texto, nela constituindo uma rede de significação singular. Susana João Carvalho não é dessas vozes que se ocupa, ou antes, encara-as através de um motivo literário diferente, o do olhar. Imagens, retratos, filmes, espectacularidade são neste trabalho campos de pesquisa para uma interpretação original. E o livro que ora se publica, A Desordem Natural do Olhar, é aliás ordenadíssimo, bem planificado e expresso num português de assinalável correcção. Inspira-se o título num dos romances do escritor, mas é de outros que trata: Explicação dos Pássaros, Fado Alexandrino, Auto dos Danados e As Naus, designados pelo autor como ‘o ciclo das epopeias’. Um livro valioso, pois, sobre os efeitos visuais na expressão literária, e sobre a humanidade complexa (de ordem trágica e dramática, tanto quanto cómica e grotesca) do grande escritor que é António Lobo Antunes.

Colecção ALA – Ensaio edita estudos críticos e/ou universitários que se debrucem, total ou parcialmente, sobre a obra antuniana, e privilegia os trabalhos de índole comparatista.

Maria Alzira Seixo

*

Agradecemos a colaboração de Norberto do Vale Cardoso e Maria da Piedade Ferreira para a actualização deste tópico.

Além da LeYa Online, estes livros também poderão ser encontrados nos sites da Bertrand e da Fnac.

25 de agosto de 2012

3º volume da Colecção ALA - Ensaio (LeYa - Texto Editora) para breve

O 3º volume da colecção será publicado em breve, e é da autoria de Ana Paula Arnaut:


Como trata a mulher António Lobo Antunes?
As figuras femininas são abundantíssimas, na sua obra, marcadas por traços indeléveis de actuação e personalidade.
Mas agem elas com frequência ou são meras personagens comparsas, de procedimento subordinado ao dos homens? Têm vincado o carácter ou, ao invés, apresentam compleição débil, não alcançando voz activa na intriga do romance?
Ana Paula Arnaut, professora Agregada da Universidade de Coimbra e especialista desta obra, estuda com pormenor e rara argúcia, em todos os romances, as figuras femininas neles existentes, procedendo a finas análises do texto e de comportamentos nele representados, que impressionam pela tendencial exaustão do trabalho e pela justeza das conclusões, que nunca simplificam essa capacidade de sugestão e vaga impressividade que é dos encantos maiores da escrita de António Lobo Antunes.
Este é o livro que faltava, para uma melhor compreensão do universo ficcional do criador da Julieta de A Ordem Natural das Coisas, da Isilda de O Esplendor de Portugal e da Maria Clara de Não Entres Tão Depressa Nessa Noite Escura, personagens femininas que marcam o romance português de todos os tempos.

por Maria Alzira Seixo, coordenadora da colecção

30 de abril de 2012

Dia 3 de Maio: Lançamento e Mesa-redonda - Colecção António Lobo Antunes – Ensaio


Lançamento e Mesa-redonda - Colecção António Lobo Antunes – Ensaio (Texto Editora)
Local: Auditório da Biblioteca Municipal de Tomar
Data: 3 de Maio de 2012, 17h30
No âmbito do evento BIBLIOTECANDO EM TOMAR 2012
Leituras Migrantes. Identidade e alteridade
Programa do Lançamento
Programa da Mesa redonda: António Lobo Antunes – Ensaio: com a participação de Maria Alzira Seixo (CEC, Directora da colecção), Agripina Carriço Vieira (Comissão Organizadora Bibliotecando em Tomar 2012), e dos autores Ana Paula Arnaut, Felipe Cammaert (CEC), Norberto do Vale Cardoso, Catarina Vaz Warrot
Nesta ocasião, serão apresentadas as duas primeiras obras da colecção, publicadas em 2011, assim como os próximos volumes a serem publicados.
- vol. 1: Felipe Cammaert (org.), António Lobo Antunes: A Arte do Romance
(publicado com o apoio do Centro de Estudos Comparatistas ao abrigo do protocolo de edição com a Leya) - descarregar índice do vol. 1

- vol. 2: Norberto do Vale Cardoso, A Mão-de-Judas. Representações da guerra colonial em António Lobo Antunes - descarregar índice do vol. 2
Programa completo do evento :
http://www.bibliotecandoemtomar.ipt.pt/?p=17&s=24

[por cortesia de Maria Alzira Seixo]

21 de novembro de 2011

Colecção António Lobo Antunes - Ensaio

No dia em que foi publicado o 2º volume da Colecção António Lobo Antunes - Ensaio, dirigida pela Professora Maria Alzira Seixo, e publicada pela LeYa com a chancela da Texto Editores, a ensaísta fala-nos, em traços gerais, sobre a importância desta colecção (para já os dois volumes agora publicados, cf abaixo) e dos seus autores:

MariaAlzira Seixo
Estou muito feliz com a publicação destes dois livros sobre António Lobo Antunes, A Arte do Romance e A-Mão-de-Judas.

Eles mostram como os investigadores literários de agora continuam a dedicar-se à leitura atenta dos textos, à formação teórica, à reflexão inventiva e original.

No primeiro caso, vê-se como várias gerações, dos seniores aos mais jovens, abordam, de diferentes perspectivas, um grande autor - e isso é enriquecedor para todos os que os lerem. O título
A Arte do Romance é o que mais adequadamente poderíamos atribuir à prática romanesca de ALA, e os seus diversos modos de concretização estão quase todos presentes neste conjunto de estudos, em que a «Introdução» de Felipe Cammaert dá o tom de leitura crítica e exigente, com notável finura de expressão.

No segundo caso - o excelente livro de Norberto do Vale Cardoso - observa-se como uma tese académica, feita com rigor mas sempre sujeita a deslizes (estes valorosos professores do Secundário, que transformam os minutos em horas para conseguir investigar, como os admiro!), pode vir a ser apurada posteriormente, e dada a ler a todos, especialistas e amadores, quer para conhecimento quer para fruição.
A-Mão-de- Judas parte de pressupostos aliciantes, e dá-nos uma nova maneira, rica e desassombrada, de perspectivar no romance de ALA a guerra colonial.

Maria Alzira Seixo

Eis os volumes:

A Mão-de-Judas: representações da Guerra Colonial em António Lobo Antunes. Publicado hoje. (2º volume)

Texto da contracapa: António Lobo Antunes e a guerra colonial em África, tópico fundamental da literatura portuguesa nos últimos 50 anos, continua actual na obra do escritor, como está patente no último romance, Comissão das Lágrimas. E se esta guerra constituísse, além de atroz experiência humana e existencial, um vector basilar na composição do texto antuniano, imprimindo na expressão literária a perdurabilidade do risco, a ulcerada exposição à perda de si, dos outros, do sentido de tudo? Este estudo, o segundo publicado nesta colecção, percorre tais caminhos, a partir da figuração de Judas, que, entre Marte e a Morte, passando por Narciso, e um rapaz chamado António, enfrenta medos, anseios, valores, ideologias, e o risco de traçar no papel o sofrimento de irremediáveis contradições. Livro que prende o leitor, tanto quanto o ensina, reelabora uma tese de doutoramento na Univ. do Minho, e é seu autor Norberto do Vale Cardoso, professor do Ensino Secundário, actualmente na Escola Profissional de Chaves.


***

António Lobo Antunes: A Arte do Romance. Publicado em Setembro passado. (1º volume)

«Inclui estudos dos especialistas reunidos em Junho de 2009 no Centro de Estudos Comparatistas da Faculdade de Letras de Lisboa para estudarem a arte do romance na obra deste escritor». Trata-se do primeiro volume da colecção António Lobo Antunes - Ensaio. Conjunto de textos de estudiosos vários: José Gil, Paula Morão, Ana Paula Arnaut, Agripina Carriço Vieira, Eunice Cabral, Inès Cazalas e Catherine Vaz Warrot. Volume organizado por Felipe Cammaert.

ler + aqui >>

21 de setembro de 2011

Comissão das Lágrimas pelo olhar de Norberto do Vale Cardoso

O título do novo romance de António Lobo Antunes, Comissão das Lágrimas, liga-se a um acontecimento importante da história de Angola, e em particular a dissidências internas do Movimento Popular para a Libertação de Angola (MPLA), que levaram, em 1977, a um golpe e atentado falhados a Agostinho Neto. Na sequência desses acontecimentos, o Comité Central do MPLA procurou apurar a identidade dos “fraccionistas”, constituindo, para o efeito, uma comissão de inquérito que ficou conhecida precisamente por “Comissão das Lágrimas”. Todavia, e apesar da importância contextual desses factos para o romance, não podemos ater-nos a eles, pois se na obra de António Lobo Antunes a realidade histórica surge sempre como uma referência importante, devemos estar cientes de que, nela, o “real” não segue pressupostos de verosimilhança ou de fidelidade realista.

De igual modo, a temática da Guerra Colonial, que tratámos ao longo deste ensaio, não está ao serviço de reconstruções históricas desse conflito, nem pode a obra de Lobo Antunes sobre este tema ser lida de forma literal. Talvez por esse motivo, o próprio autor reitere nunca ter escrito nenhum livro sobre a guerra e que o mais próximo que terá estado de o fazer teria sido no volume (cuja publicação não é de sua autoria, note-se!) intitulado Cartas da Guerra, isto é, numa escrita sem finalidade estética. Por outro lado, se a guerra é abordada tematicamente na obra antuniana, é-o sempre num sentido figurado, perscrutando mais as vivências interiores do que propriamente os marcos históricos e/ ou bélicos que a configuram.

Esta Comissão das Lágrimas não pode ser vista como a escrita dos factos, antes como criação literária de um evento que, de facto, podemos situar no tempo, mas que, em Lobo Antunes, deve ser entendido como um continuum, ligado a vivências e a memórias, ou seja, a uma percepção pessoal e interior, conforme se verifica no exemplo: “não há ontens como os ontens dos brancos, é-se ou não se é e pronto” (CL, 108). Por esse motivo, o romance antuniano não é um romance histórico, não se socorre de documentos nem o seu autor recorre a investigação. Seria, pois, redutor referir que a acção deste romance decorre em 1977, quando a personagem de nome Cristina tinha 5/6 anos de idade, em Angola, e três décadas mais tarde, em Lisboa. Melhor seria pensar em realidades que se circundam, e não em tempos ou espaços isolados.

Assim, a Comissão das Lágrimas retrata, não apenas aquele momento delicado da independência e guerra civil angolanas, mas também todas as guerras travadas nesse território. Esta interconfluência de guerras (a Guerra Colonial, referida nas Lágrimas sobretudo através dos bombardeamentos do Cassanje em 1961 e das guerrilhas embrionárias; a guerra civil latente durante a Guerra Colonial, representada pela existência de vários movimentos de libertação; e a guerra civil propriamente dita, com a coexistência, no seu dealbar, de angolanos e portugueses, descrevendo-se aqui as incidências trágicas da descolonização, desde logo patentes no caos estabelecido, aquando dos embarques, no ano e meio subsequente ao 25 de Abril de 1974) e de guerras dentro de guerras (dos vários movimentos e das suas disputas às dissidências dentro do MPLA, por exemplo) permite que, num segundo plano, passemos a ver, nesses conflitos, a imagem de um sofrimento universal.

As guerras serão, pois, em idêntico número às vozes que, tendo existido, são olhadas como alucinação e/ou imaginação de Cristina, a personagem que é fruto de uma relação entre Alice (indicação onomástica importante, sobretudo se ligada à referência que, em Memória de Elefante, reenviava à Alice de Carrol e, portanto, a uma identidade anómala, representada nas Lágrimas pela duplicidade Alice/ Simone, ou mesmo a um lugar outro, que se pode traduzir como o «lugar do avesso») e António (uma outra indicação fulcral na construção autobiográfica do autor, desde Conhecimento do Inferno até aos romances mais recentes), ou seja, entre um negro e uma branca, ainda que esta união não seja capaz de resolver diferenças ou de “purificar” os que, no mundo colonial, eram considerados opostos (tópico recorrente em Lobo Antunes).

Esta “cafuza”, considerada como “uma maluca que fala sozinha” (CL, 10), é internada numa Clínica devido às vozes que diz ouvir e que, repetidamente, solicita, ainda que em vão, se desinteressem dela. Essas vozes (que distraíam Cristina na escola, e que a levavam a dar erros nas cópias e a emaranhar os rios na sua cabeça, aspectos que relembram, respectivamente, a redacção no final de Boa Tarde às Coisas Aqui em Baixo e a obsessão pelos rios em Sôbolos Rios Que Vão) representam uma só voz, a de uma rapariga, que, torturada e amputada da sua língua, continua a cantar na Cadeia de São Paulo: “a rapariga sem língua continua a cantar, erguíamo-la do chão e continuava a cantar, atirávamo-la contra o cimento e continuava a cantar, não se cala, […]” (CL, 47).

A excisão da língua, que, porventura, seria o castigo para a mentira num processo de interrogatório (ligando-se a procedimentos inquisitoriais e censórios importantes em várias obras do autor, tais como Manual dos Inquisidores ou O Meu Nome é Legião), é, contudo, paradoxal, pois a remoção inviabiliza a confissão. Esta mutilação relega-nos, de resto, à tortura dentro da temática da guerra na obra de Lobo Antunes (pensamos sobretudo emOs Cus de Judas e Conhecimento do Inferno, mas também n’ O Esplendor de Portugal, em que os cubos de gelo introduzidos no ânus lembram um dos mecanismos de tortura medieval, o Berço de Judas). Por outro lado, esta entidade feminina, que tem uma referência histórica (Elvira, mais conhecida por Virinha, foi militante do MPLA), seria, à imagem da Sofia de Os Cus de Judas, que, assassinada pela Pide, se mantém como um fantasma mudo da Guerra Colonial, a representação das vozes de todos os povos reprimidos.

Nas Lágrimas, o “canto” feminino pode associar-se ao “canto do galo”, símbolo que surge no romance através de bandeiras colocadas nos telhados das casas ou numa tatuagem que uma mulata tinha no “umbigo”, e que representa o despertar – ainda que frustrado - de um país onde a paz está “estagnada” (CL, 163), ou seja, onde impera a afasia política (incapacidade de diálogo entre Unita e MPLA, por exemplo). Por outro lado, o “canto” é inexplicável porque nasce de um vazio, de uma ausência, colocando em causa a origem da voz, como se esta fosse determinada por outra coisa que não a língua, ou, em sentido lato, a Língua também fosse determinada por outra coisa que não a palavra, mas por algo anterior a ela: as lágrimas - “porque é na garganta que se juntam as folhas secas das lágrimas” (CL, 44).

A lágrima será uma confissão muda, mesmo que não conducente à verdade dos factos, pois a língua é um símbolo contraditório, representando a chama da criação ou o fogo do inferno. Talvez por isso se coloque em dúvida, na parte final do romance, a existência da própria “Comissão”, como se colocara a das vozes de Cristina (ou se podem colocar as vozes de que o autor necessitará para o seu ofício de tradução: “o meu ofício é traduzir vozes”, CL, 139; “Se as vozes não voltam não se escreve este livro”, CL, 48). De facto, o romance não nos garante o real. Esta Comissão é, no fundo, uma inquirição sobre um real - a construção de um país, que tem o nome de “Angola”, mas que não corresponde necessariamente a Angola, pois, no romance, Angola é “tudo ao contrário do que se imagina” (CL, 49). Esta Angola é, aliás, definida não como um país, mas como um “sítio” (CL, 168), o que é explicável a partir da imagem da sua capital, Luanda, definida como “uma gaveta de facas sempre aberta” (CL, 90).

Esta “gaveta”, lugar onde a única verdade é o conflito, pode ser também definida como o “umbigo” ou o “cu do mundo” (CL, 296), lugar marginal onde se dá um “julgamento mútuo” (CL, 247), ou seja, onde todos julgam, acusam e traem (cf. CL, 127 ou 295), ligando-se à figura de “Judas”. Em suma, na afasia política em que vivem os homens, o romance instituir-se-á como Língua e Canto porque, numa qualquer parte do mundo, haverá sempre outras vozes carentes de uma Voz.



  

Norberto do Vale Cardoso
in A Mão-de Judas. Representações da guerra colonial em António Lobo Antunes (em pré-publicação)
Texto Editora, 2011
artigo publicado em simultâneo na edição 1069 do Jornal de Letras

13 de setembro de 2011

Já à venda: A Arte do Romance, 1º volume da Colecção António Lobo Antunes - Ensaio


citado do site Mediabooks (LeYa): «Inclui estudos dos especialistas reunidos em Junho de 2009 no Centro de Estudos Comparatistas da Faculdade de Letras de Lisboa para estudarem a arte do romance na obra deste escritor». - pode ser encomendado aqui.

Trata-se do primeiro volume da colecção António Lobo Antunes - Ensaio. Conjunto de textos de estudiosos vários: José Gil, Paula Morão, Ana Paula Arnaut, Agripina Carriço Vieira, Eunice Cabral, Inès Cazalas e Catherine Vaz Warrot. Volume organizado por Felipe Cammaert.

A biblioteca António Lobo Antunes - Ensaio, publicada pela Texto Editores, trata-se de uma colecção de volumes dedicados a textos/ensaios sobre a obra de António Lobo Antunes "ou de índole comparatista que incluam, em proporções consideradas significativas, uma reflexão original e valiosa sobre a literatura deste autor português". Esta colecção é dirigida pela Professora Maria Alzira Seixo, da Universidade de Lisboa, sendo "entendida como Vertente B da «Biblioteca António Lobo Antunes», que publica os clássicos preferidos deste escritor". A responsabilidade editorial está a cargo de Maria Piedade Ferreira, que é a actual editora de António Lobo Antunes na Dom Quixote.

De seguida, apresentamos um excerto da Introdução por Felipe Cammaert, e os artigos/autores que constituem este volume:

«Introdução. António Lobo Antunes e a Arte do Romance


Por ocasião dos trinta anos da publicação do romance Memória de Elefante (1979), o Centro de Estudos Comparatistas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa organizou, a 30 de Junho de 2009, a Jornada António Lobo Antunes: a Arte do Romance. Nessa ocasião, um conjunto de oito investigadores, portugueses e internacionais, aceitou produzir reflexão sobre a obra romanesca de Lobo Antunes, num evento que contou, na sessão de encerramento, com a presença do autor, em diálogo ao vivo com Eduardo Lourenço.

Este livro, que tem a honra que inaugurar a colecção António Lobo Antunes-Ensaio, dirigida pela Professora Doutora Maria Alzira Seixo, reúne uma selecção das comunicações apresentadas pelos participantes desse evento, em versões revistas para a publicação, conforme o estipulado no regulamento da colecção. É nosso desejo que o presente volume, resultado de um evento cujo objectivo era celebrar a obra do autor português após três décadas de produção literária, marque o início de um novo período no que diz respeito à crítica antuniana.»

Artigos e autores:


Eu, às vezes - As labirínticas complexidades da alma
Paula Morão, Centro de Estudos Comparatistas – Universidade de Lisboa

O romanesco na obra de António Lobo Antunes: herança, desconstrução, reinvenção
Inês Cazalas, Universidade de Paris VII

A escrita insatisfeita e inquieta(nte) de António Lobo Antunes
Ana Paula Arnaut, Centro de Literatura Portuguesa, Universidade de Coimbra

De uma versão a outra, ou como se constrói o romance
Agripina Carriço   Vieira, Centro de Formação de Professores “Os Templários” de Tomar

António Lobo Antunes: da escrita romanesca à enunciação musical – o texto como tecido sonoro e gráfico
Catarina Vaz Warrot, Universidade de Paris VIII – Universidade Nova de Lisboa

A concepção do romance em Dicionário da Obra de António Lobo Antunes
Eunice Cabral, Universidade de Évora

Fechamento e linhas de fuga em Lobo Antunes
José Gil, Universidade Nova de Lisboa

Crónica «Nós» com reflexão sobre a sua leitura por Olga Fonseca

Nós Não precisávamos de falar. Como ele dizia – Tu sabes sempre o que eu estou a pensar e eu sei sempre o que tu estás a pensar ...