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Mensagens

A mostrar mensagens de Julho, 2012

Maria Celeste Pereira: opinião sobre Explicação dos Pássaros

E pronto. Lá terminei outro livro de António Lobo Antunes que, tal como todos os que já li, me provocou um prazer enorme.

Este, “Explicação dos Pássaros”, é já de 1981, um dos seus primeiros mas que, por qualquer razão, não havia ainda lido.
Adoro ler. É enorme o prazer que tiro da leitura de um bom livro. E depois há o acto de ler ALA e o gozo incomensuravelmente maior que, numa grande parte das vezes, me dá lê-lo.
Será o desafio que a sua forma de escrita propicia? Será a poesia que lhe está intrínseca? Serão as personagens tão físicas, tão reais, tão consistentes que quase as podemos sentir? Não sei. Apenas posso dizer que já lhe sinto a saudade.
Em “Explicação dos Pássaros”, somos levados a acompanhar Rui S. naqueles que irão ser os últimos quatro dias da sua vida. Quatro dias que nos levam a perceber uma existência pejada de rupturas, de perdas, de frustrações, de buscas do seu espaço social, da procura de si próprio.
Rui é alguém que sente não pertencer a lugar nenhum quer social que…

Folha de São Paulo: «Catador de Memória»

«Principal autor português vivo, Lobo Antunes fala de literatura e de seu romance com traços autobiográficos»
[notícia da Folha de São Paulo a propósito da edição brasileira de Sôbolos Rios Que Vão]


O texto transborda lirismo e é um turbilhão de memórias entrelaçadas em vários tempos. No leito de um hospital, um homem com "cancro" lembra sua trajectória, projectando um transe. Assim é "Sôbolos Rios que Vão", livro do premiado escritor português António Lobo Antunes, lançado agora no Brasil pela Alfaguara. O título vem de um verso de Luís de Camões (1524-1580). Sôbolos é uma antiga contração de "sobre" com "o"; significa em cima. No poema e no livro o leitor navega pelas turbulências da vida.Ligo para Lisboa e pergunto a Lobo Antunes se o livro é autobiográfico, já que ele também teve um câncer anos atrás e o narrador aparece como sendo "Antoninho"."Não, mas tem tudo a ver com a minha experiência, porque nós só falamos de nós mesmos. A…

Simão Fonseca: opinião sobre O Esplendor de Portugal

«Heróis do mar, nobre povo, Nação valente, imortal Levantai hoje de novo O esplendor de Portugal! Entre as brumas da memória Ó Pátria, sente-se a voz Dos teus egrégios avós Que há-de guiar-te à vitória. Às armas, às armas, Sobre a terra, sobre o mar! Às armas, às armas. Pela Pátria lutar! Contra os canhões, marchar, marchar.»
O excerto do nosso hino nacional que antecede este romance do António Lobo Antunes poderia facilmente sugerir uma glorificação a Portugal. Desde os tempos em que o nosso povo se embrulhou com os britânicos (onde se lê “canhões” lia-se “bretões” na versão original de A Portuguesa), das conquistas asiáticas, africanas e parte do continente americano, temos uma certa tendência a viver do passado e não é à toa que temos uma palavra única sem tradução directa no mundo: a saudade. É isso mesmo, foi pela saudade que Salazar enviou milhares de inocentes para combater pela extensão territorial da Metrópole, como se sabe, mas as coisas ainda se complicaram mais quando Portugal decidiu …

R.B. NorTør: opinião sobre Não Entres Tão Depressa Nessa Noite Escura

Será, em termos de volume, um dos maiores livros do autor e hesito em escrever romance. Hesito no romance pois não estou seguro que seja um romance. Estamos seguramente perante um dos melhores exemplares da escrita poética do autor, perante uma das menos lineares narrativas, uma análise, desta vez não às profundezas da mente, mas às teias que unem uma família a fragmentar-se. Acresce ainda que este "Não entres tão depressa nessa noite escura" é ainda um brilhante exemplar de como o acto de ler pode ser fisicamente desgastante sem que isso implique uma escrita sombria.
A afirmação de que a escrita de A. Lobo Antunes não é sombria poderia ser por si só motivo de discussão. No extremo poderia levar um conhecedor a pegar nesse livro, a perder-se nos seus primeiros capítulos e a fechar o livro para nunca mais o abrir. Na realidade, este que vos fala releu os três primeiros capítulos três vezes para se embrenhar nesse fim tarde, para descortinar os raios de sol pelas grandes janela…