Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

A mostrar mensagens de Fevereiro, 2009

Entrevista em exclusivo para o nosso site

Entrevista em exclusivo por José Alexandre Ramos com a colaboração de Teresa Brandão 18 de Fevereiro de 2009

«Não creio que haja poucos leitores em Portugal»
António Lobo Antunes, como forma de reconhecimento do trabalho feito neste site, concedeu-nos uma entrevista. Foi realizada via telefone e falou da repercussão sobre as suas declarações há dois dias no Diário de Notícias em que afirmou deixar os livros. Não deixará de escrever, mas possivelmente deixará de publicar. Irá continuar (ou recomeçar) o projecto da Biblioteca António Lobo Antunes com a publicação a baixo preço de obras de grande vulto, pela Dom Quixote. Crê que os portugueses lêem mais do que se diz, mas lamenta não haver dinheiro para os preços praticados nos livros em Portugal.


Na entrevista da passada segunda-feira, no Diário de Notícias, afirma que vai deixar de escrever. Isto é efectivamente verdade?
Eu julgo que isso está melhor explicado na crónica que sai amanhã na Visão. Não é bem como ele [João Céu e Silva] diz, ele…

«Tenho sempre medo de secar a fonte»

Diário de Notícias - entrevista de João Céu e Silva 16 Fevereiro 2009

Quando acaba um livro esquece-se dele. Exactamente.
Deste ainda se lembra bem. Está fresco! Ainda, foi há tão poucos dias. Se calhar, é por isso que não tenho nada na cabeça. Neste momento estou vazio como uma mula parida, uma égua, ou seja o que for. Normalmente, quando estou a acabar um livro aparecem-me umas palpitações de outro livro, que na maior parte das vezes estão erradas e depois desaparecem. Desta vez, apareceu-me uma coisa, mas não sei se é isso, tenho que me esvaziar...
O que está a fazer enquanto não escreve? Não faço nada! Estou aqui sentado a olhar para a parede, para o tecto, meio alegre. São aqueles momentos que os ingleses traduzem por silent evolution, uma evolução interior e silenciosa, em que qualquer coisa se vai formando durante três/cinco meses. Quando acabei o Arquipélago fiquei cheio de medo de não vir mais nada, mas marquei o dia 25 de Fevereiro [de 2008] para recomeçar e este novo livro foi ráp…

Tiago Sousa Garcia: opinião sobre O Arquipélago da Insónia

A obra de António Lobo Antunes nunca será consensual. O Arquipélago da Insónia não é ainda a obra que marcará a unanimidade de opiniões à volta do autor. Quem gosta continuará a gostar, quem detesta tem mais um livro para deitar à fogueira.
O livro questiona a tradicional divisão literária. Não será dramaturgia, lírica também não. Sobra a narrativa – e como encaixá-lo? Romance talvez seja o mais próximo, mas nada há aqui de romance. É, por assim dizer, um livro inclassificável.
O enredo, chamemos-lhe assim, conta a história de uma família burguesa, dona de uma herdade no Ribatejo. Como as fotografias que estão na sala da casa, o livro retrata três gerações. É difícil identificar a que geração pertence cada personagem. As palavras não seguem qualquer tipo de ordem cronológica, cenas de hoje misturam-se com cenas de ontem, os que permanecem vivos são muitas vezes interrompidos por lembranças dos que já morreram. Nas páginas de O Arquipélago da Insónia está a biografia da família, desde o …