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Mensagens

A mostrar mensagens de Fevereiro, 2014

Luís Osório: «Tudo arde desde o princípio» (opinião no Jornal SOL14.02.2011)

Apaixona-se pelas suas personagens, desespera com o seu sofrimento, exalta-se com as suas conquistas. É uma memória difícil.
Foram poucas as conversas, pelo menos não as suficientes para agora me custar a elas regressar. É curioso: ele dizia-me que há pessoas que nos tocam com um dedo e fica uma nódoa negra que não passa. E o António deixou-me uma nódoa negra que desvalorizei com zelo e constância.
De vez em quando falo sobre o assunto com Daniel Sampaio, seu amigo íntimo. Ainda na passada semana contava-me da sua felicidade ao ser reconhecido em Paris, mais uma vez, como um dos melhores escritores da história da literatura.
António Lobo Antunes. O que direi das suas palavras, ou do seu efeito em mim, é de pura memória. Tenho poucas certezas sobre a sua verdade, mas absoluta convicção de que se tornaram o espelho de si quando dele me recordo.
Tivemos um pequeno desentendimento e nunca nos encontrámos para o esclarecer. Isso tem hoje pouca importância. Acontece-nos muitas vezes, não é? Pass…

Raquel Ribeiro: crítica a Não É Meia Noite Quem Quer

A cerimónia do adeus


Uma mulher, uma longa despedida, triste, sem uma réstia de esperança ou de consolo

Onze romances nos últimos doze anos, mais os livros de crónicas: é este o saldo da produção literária de António Lobo Antunes que agora publica Não é Meia Noite Quem Quer, o seu vigésimo quarto romance.
Se no romance anterior, Comissão das Lágrimas, mergulhava no horror e na violência das purgas do MPLA e do 27 de Maio de 1977, em Angola, neste, o autor regressa a temas que lhe são caros: a doença, a morte e a família (dis)funcional tão portuguesa, tão comezinha, pretexto para mergulhar num romance quase-polifónico que percorre os últimos 60 anos de uma família que é também um micro-retrato do país. Aqui, o autor regressa a tipos-de-personagens que já são comuns no seu imaginário: um pai bêbado, uma mãe semi-histérica (“já viu a minha cruz?”), um “irmão mais velho” que não queria ir à guerra (“que se atirou às ondas para não gramar este frete”), um “irmão surdo” a tentar falar (“o silê…

As capas dos livros - várias edições em Portugal e estrangeiro

Caros Leitores:

Estamos a mostrar as capas das várias edições portuguesas e estrangeiras dos livros de António Lobo Antunes, através de álbuns de fotografias na nossa página do facebook - um álbum para cada título. De algumas edições ainda não foi possível obter imagem, e outras nem conseguimos saber ou a editora ou o ano de edição. Quem quiser colaborar nesta mostra, pode colocar na página a imagem de uma qualquer edição que tenham ou conheçam e que não conste dos álbuns criados. Adiconem toda a informação que tenham da edição que estão a mostar.  Essa imagem irá constar do álbum referente ao título do livro. 

Isto para dizer que os álbuns sobre as capas dos livros que acabamos de colocar até ao último título publicado por ALA não são estanques. Quem quiser acrescentar pode "postar" a imagem da capa que tenham na página ou enviar para jalexramos@gmail.com
Já agora, outras fotos e matérias serão também bem vindas, sempre. E de maior relevo as vossas opiniões de leitura.
Obriga…

Leandro Oliveira: «O gesto de António Lobo Antunes»

Lobo Antunes procura construir sua obra tendo como pilar a proposital e complexa incompletude narrativa

A pedagogia literária clássica dos séculos XIX e XX ensinou o leitor a caminhar pelo enredo do romance, acompanhando o desenvolvimento de personagens, reconhecendo as fronteiras do espaço na acção, percebendo as nuances na configuração de um drama até [à] sua conclusão chave. O legado deixado é o do leitor que erroneamente vê como sinónimos romance e narrativa. Portanto, nesses tempos em que tanto se discute o fim do romance, é um prazer descobrir a obra de António Lobo Antunes, um escritor que tenta através de sua obra fundar uma nova maneira de percepção do texto em prosa. Isso porque ela representa a mais radical experiência de ruptura dessa estrutura clássica do romance, através do caos de um texto que procurar apresentar uma noção de sujeito na pós-modernidade, tendo como insumo à impossibilidade objectiva de instaurar valores e perpetuar tradições, a angústia do mundo interior …

Imagem da Palavra

25/07/2013 - O Imagem da Palavra apresenta entrevista gravada com o escritor português António Lobo Antunes. O autor de Eu hei-de amar uma pedra comenta sobre a influência da psiquiatria em sua obra e sobre como é escrever seguindo o fluxo da consciência. O programa também convidou um leitor, um livreiro e um crítico de literatura para relatarem a experiência de se ler Lobo Antunes
1ª parte:


2ª parte:


3ª parte:

Pedro Fernandes: opinião sobre Auto dos Danados

Este é o sexto romance de António Lobo Antunes. E chegou-nos ao Brasil pela Editora Best Seller possivelmente em 1985 (a referência à data de publicação por aqui é coisa dura de achar pelos dados no livro e rodando a web o máximo que encontrei foi esta, 1985, portanto, que é mesmo, isso sabe-se verdadeiramente, a data de publicação em Portugal). A própria editora nem mais existe como figura independente; pelo que sondei está integrada como um selo do grande grupo editorial Record. Facto é que o livro anda esgotado nas prateleiras das livrarias brasileiras, sendo possível encontrá-lo nos santos sebos que salva (e crucifica quando o preço é salgado o que não é este o caso). Foi com este romance que o escritor português ganhou por essa época o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores. Apesar de não [ser] este um dos livros que poderia considerar [como] o ponto alto da sua carreira, esse reconhecimento vem provar não a escrita individual de um determinado t…

Jornal de Letras: «Lobo Antunes, as três irmãs e uma garrafa de grappa», por Ana Margarida de Carvalho

O escritor António Lobo Antunes, em Udine, na cerimónia de entrega do Prémio Nonino: encantou-se com três belas irmãs que usam o mais sofisticado marketing no seu negócio de milhões, enfadou-se com a conversa "intelectual" de figuras de referência da ciência e da literatura mundiais, ensinou anedotas embaraçosas a jornalistas italianos e até cantou...

Havia um anúncio sobre pré-confeccionados em que dois cozinheiros supostamente italianos se punham a discutir: um insistia que o segredo estava na pasta; o outro retorquia que estava no molho. No caso da grappa (uma espécie de aguardente típica do norte de itália) da marca Nonino o segredo está numa combinação rara de alquimias e destilações de um tipo de uva muito selecionado, com mais de um século de depuração (desde 1897); não, o segredo está na garrafa, no design feminino, que faz com que a "bottiglia" mais pareça um frasco de perfume do que de aguardente; não, o segredo está num marketing muito inteligente e engen…

Do blog Pedrices: a opinião de um quase leitor

Eu, sinceramente, não sei bem o que pensar de António Lobo Antunes (ALA). Ou melhor, sei o que penso mas não sei como expressá-lo em palavras. Talvez aqui encontre, precisamente, uma das coisas importantes que posso dizer sobre ele – é que ele, se fosse eu, conseguiria dizê-lo. Serve isto para dizer que ALA consegue pôr em palavras aquilo que apenas sentimos em pensamentos. Ele consegue escrever como se pensa. Assim como David Lynch consegue filmar como se sonha (para dar um exemplo “gráfico” mas que, ainda assim, fica aquém do que pretendo exprimir).
Já li umas boas páginas de livros de ALA. Li inúmeras crónicas, um dos prazeres da Visão. Quanto a essas, as crónicas, são pedaços de puro prazer, sem grandes complicações, sem que eu fique perplexo. Dir-se-ia até que elas servem de exercício para se ler os seus romances, como conjugar verbos serve de exercício para se aprender uma língua.
Por outro lado, acompanho as suas “intervenções” públicas, na forma de entrevistas que vai dando. Ond…