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A mostrar mensagens de Fevereiro, 2007

Manuel Barata disserta sobre O Manual dos Inquisidores

O Manual dos Inquisidores ou as misérias do estado novo
O MANUAL DOS INQUISIDORES, de António Lobo Antunes, é um romance que surpreende pela quantidade inusitada de narradores. Constituído por vinte e nove capítulos, a que o autor ora chama “comentário”(14) ora “relato” (15), sendo cada comentador e cada relator um narrador. As reincidências ocorrem nos chamados relatos: João (3), Titina (3), Paula (3), Milá (3) e Francisco (3). No tocante a comentários, não há reincidências. Os relatores antes enumerados são o filho (de Francisco e Isabel, a legítima), a governanta, a filha (de Francisco e da cozinheira), a amante de Francisco e o próprio Dr. Francisco. Toda a narrativa gira, por conseguinte, à volta deste Dr. Francisco, um prócere do chamado salazarismo e das pessoas que lhe estão mais próximas A inclusão de Titina no grupo dos relatores, compreende-se pelo facto de ela ser muito mais que uma mera governanta. D. Albertina é, com efeito, aquela que preenche o lugar deixado vago por Is…

Um autor sem inspiração

Courrier Internacional Janeiro de 2007

Na sua primeira visita ao México, o escritor explica, em entrevista, que a sua obra resulta  mais do trabalho que das musas. Partilha também a sua opinião sobre a América Latina e a sua literatura.

Com 64 anos, António Lobo Antunes, uma das vozes com maior prestígio e reconhecimento internacional do Portugal contemporâneo, não associa a escrita a uma actividade que lhe cause prazer nem acredita na inspiração.
«Estar com uma mulher dá-me imenso prazer, mas escrever um livro não. Além disso, quando os autores falam de inspiração, não há inspiração nenhuma: faz-se um livro porque se decide começá-lo e levámo-lo até ao fim o melhor que podemos», diz. Assim, para o autor de títulos como A Ordem Natural das CoisasFado AlexandrinoA Morte de Carlos GardelEu Hei-de Amar Uma Pedra e Boa Tarde às Coisas Aqui em Baixo, além da sua mais recente obra, Ontem não te vi em Babilónia [todos na Dom Quixote], os primeiros capítulos continuam muito difíceis.
«O praz…

«Um escritor não se faz aos trinta»

OvarNews Janeiro de 2007

António Lobo Antunes passou pela região para apresentar o seu último romance, «Ontem não te vi na Babilónia». Oportunidade para o «OvarNews» o ouvir sobre a sua vida e obra

Como é que define «Ontem não te vi na Babilónia»?
Se eu pudesse falar dele em cinco minutos, não ia passar dois anos a escrevê-lo. Não é fácil resumir em meia dúzia de palavras aquilo que me levou dois anos de vida a fazer. É um livro que vem na sequência dos outros. Será destinado a ter as habituais controvérsias que, não sei bem por que carga de água, provoco no meu país. Agora, penso que é um livro que tem de ser lido sem qualquer pretensão ou ideia prévia. Eu costumo dizer que um livro é um cofre que tem de ser lido com uma chave e nós temos sempre tendência a abri-lo com a nossa própria chave e a nossa experiência de vida e de leitores, dos nossos sonhos, do nosso passado. E, normalmente, quando um livro é bom, ele traz a sua própria chave e deve ser lido sem ideias pré-concebidas. Não vou…