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Mensagens

A mostrar mensagens de Janeiro, 2012

Da leitora Maria Silva: «O António (da Crónica da Pomba Branca)»

Para
António Lobo Antunes

O ANTÓNIO ( da Crónica da Pomba Branca)


Aderi ao Messenger. E neste momento pode bem perguntar

Mas o que é que isso interessa para aqui?

Explico:

Na parte relativa ao meu perfil, coloquei algumas músicas que gostei e que ainda gosto. Coloquei alguns filmes, que fui vendo, e porque ainda gosto. Ainda vejo. Mas o meu gosto alongou-se um pouco mais, na parte relativa aos livros, porque só de um autor coloquei a quase totalidade da sua obra.

Nem preciso de dizer qual o autor. E nem vou dizer qual o livro que levou estas palavras.

"Porque gosto desta obra?
E porque gosto de toda a obra deste escritor?

É porque não são livros. Melhor dizendo: - Cada livro transporta vários livros. Numas páginas, descobrimos pessoas. Noutras páginas, encontramos passado. Às vezes numa só frase

O nosso interior todo.

E, de tão próximo, a surpresa enorme.
E a pergunta:- De onde é que vem a tal voz?
As vozes que o autor menciona, às vezes.
De tão próximo se fica, que o próprio escrit…

Passatempo encerrado: as respostas certas e os premiados

Foram encontrados os três premiados. O passatempo encerrou hoje às 20H25.

Questionário com as respostas correctas:

1. Qual o livro assumidamente mais autobiográfico de António Lobo Antunes? b) Memória de Elefante
2. Qual o nome da personagem que em O Manual dos Inquisidores foi ministro de Salazar? a) Francisco
3. Qual o título originalmente pensado para o livro As Naus? c) O Regresso das Caravelas
4. A temática de fundo de Que Farei Quando Tudo Arde? é: a) travestismo
5. O título do livro a publicar este ano - Não É Meia-Noite Quem Quer - vem de um poema de: c) René Char
6. Qual destes títulos não é proveniente de um poema? a) Boa Tarde Às Coisas Aqui Em Baixo
Participantes premiados:
1º prémio - Comissão das Lágrimas + Memória Descritiva  - Miguel Alexandre Marques, de Lisboa (e-mail de 26.01.2012 22:22)
2º prémio - Sôbolos Rios Que Vão - Ana Cristina Porfírio Chaves, do Porto (e-mail de 27.01.2012 12:18)
3º prémio - Explicação dos Pássaros - Manuel Augusto Rodrigues Salvador, da Guarda (e-mail de 29.0…

Passatempo Fãs de António Lobo Antunes / Dom Quixote

PASSATEMPO ENCERRADO (29.01.2012 20:25)



Habilite-se a ganhar um destes prémios! Participe!

Após o seu anúncio, em finais de 2011, avançamos agora com os detalhes deste passatempo que irá permitir oferecer estes quatro livros aos três primeiros leitores que responderem acertadamente ao pequeno questionário abaixo enunciado. A oferta dos 4 livros foi possível graças ao apoio da LeYa - Dom Quixote, e pelo empenho de Maria da Piedade Ferreira, editora de António Lobo Antunes, para concretizar esse apoio, bem como do próprio escritor que se disponibilizou prontamente a autografar os três títulos da sua autoria que serão oferecidos.
A forma de participar é simples. Basta responder ao questionário e enviar as respostas em mensagem (da forma como se entender, desde que seja perceptível a resposta em relação à questão) para o nosso e-mail - alaptla@gmail.com. Na mensagem devem constar os seguintes dados pessoais:
- nome completo - endereço postal para o envio dos exemplares - contacto telefónico
O pa…

Da leitora Ana Paula Azevedo: Carta a António Lobo Antunes

Caro António Chamo-me Ana Paula e vivo no Norte do país. Para si sou mais uma das suas leitoras e fã incondicional. E o António o que é para mim? Tudo. É o escritor com quem tive o primeiro contacto num comboio em direcção ao Porto, pela voz de um rapaz que lia alguns trechos de livros para os passageiros. Depois de Miguel Torga, eis que ele apresenta António Lobo Antunes com uma das crónicas publicadas na revista Visão. A partir daí, quis conhecer mais e já vou no seu (e de outros que falam de si) nono livro lido. A cada livro que leio amo-o cada vez mais. O António tem tudo a ver comigo. Identifico-me com o seu sentir e a forma de o dizer: por vezes crua mas tão cheia de sentimentos, que me comove. Quando termino um livro seu, sinto-me preenchida, nem sei como dizê-lo. É uma sensação que não consigo exprimir por palavras. O António sim, conseguiria descrever esse sentimento na perfeição. É isso que eu a…

Wilton Cavalcante: opinião sobre Ontem Não Te Vi Em Babilónia

[...] curioso como certos episódios não abandonam a gente” António Lobo Antunes
finalmente, na noite de ontem (29/11/2011), terminei de ler o livro Ontem não te vi em Babilónia, de António Lobo Antunes, são quatrocentas e trinta e cinco páginas pesadas que uma grande amiga me emprestou para eu me divertir nestas férias, não, não, apaguem tudo, tudo não, só o que se fala de páginas e de diversão, é um livro, não são páginas, é melancolia, não diversão você aí, sim, que está lendo, pode achar estranho o jeito que estou a escrever, mas aprendi (será?) a fazê-lo como Lobo Antunes, que inicia os parágrafos, a não ser o primeiro de cada capítulo, com letras minúsculas, e finaliza os parágrafos sem pontos, e interpõe pensamentos distintos num mesmo parágrafo, e faz um jogo fantástico com a língua sinceramente, achei muito estranho, no início, chegando eu a não entender várias frases, derivado (esta palavra é frequente) em parte do facto de ele não colocar muitas vírgulas, de tal modo que o própr…

Da leitora Georgina Noronha

Os cigarros são a água com que empurro a comida das frases.


António Lobo Antunes in Quarto Livro de Crónicas

por Georgina Noronha (autora da foto)
Lisboa FotoGInica

Francisco Solano: opinião sobre Qué caballos son aquellos que hacen sombra en el mar?

A substância do trivial
Este romance de Lobo Antunes é divulgado pela editora com esta afirmação do autor: "Um livro ideal para dar trabalho aos críticos. Queria escrever um romance à maneira clássica, que destruísse todos os romances feitos desta forma". Também Joyce, com Finnegans Wake, se propôs a manter ocupados os críticos por trezentos anos. Estes excessos revelam uma patologia de ambição literária. Faulkner, outro gigante, disse que havia de julgar um escritor pelo esplendor do seu fracasso. Para os três a literatura é uma arte de exploração que inclui o receio da descoberta, não dar nada por concluído. Esta qualidade predomina na escrita de Lobo Antunes. O leitor que tenha conhecimento da sua extensa obra não estranhará estes monólogos obsessivos, vozes que se cruzam urdindo uma teia cujos contornos dificilmente aparecem claros. Nada é de todo preciso, e não obstante poder-se-ia dizer que contemplamos o magma de uma memória que ferve revelando-se com a má…

«Ah, quem me dera escrever como o Messi joga futebol!»

El País entrevista de Antonio Jimenez Barca
14.01.2012


«Ah, quem me dera escrever como o Messi joga futebol!»

Sentado à mesa num canto da sua casa, enfrentando uma sequência de cerca de 25 esferográficas alinhadas ao seu lado, António Lobo Antunes espera que o próximo livro surja para começar a escrever. Terminou um em Setembro do ano passado e desde então ("há muito tempo já e não é normal isso") espera que medre dentro de si um novo trabalho, um novo romance, um novo delírio estruturado, que é como ele gosta de designar os seus escritos. Mas está demorado. Confessa que se sente culpado quando não está a escrever e, entretanto, lê e traduz para Português, para se entreter, os clássicos latinos Horácio ou Ovídio. O escritor português vivo de maior prestígio, nascido em Lisboa em 1942, com mais de vinte livros publicados, eterno candidato ao Prémio Nobel, tem fama de mal-humorado, mas de perto é amigável, mesmo brincalhão às vezes e à sua maneira. Fuma como uma chami…

José Alexandre Ramos: opinião sobre Explicação dos Pássaros

António Lobo Antunes apresenta: Explicação dos Pássaros
Boa parte dos leitores considera os livros de António Lobo Antunes (ALA) como lugares tristes. É verdade que a sua obra insiste e concentra-se na sua boa parte em situações quase extremas (senão inteiramente) de decadência, seja ela pessoal (psicológica) ou social. É também verdade que as narrações feitas pelas personagens dos seus livros evocam passado e presente (sem apontamento a um futuro, pelo menos um futuro mais promissor) com elementos e factos que, por si, nada têm de alegre ou feliz, chegando mesmo ao ponto de mostrar, em cada um desses momentos evocados, particularidades absolutamente negativas: o escritor relata os episódios de modo a exacerbar os aspectos sombrios da alma humana, como crimes hediondos, o ódio, a insegurança, o desespero, a resignação, a hipocrisia, a doença, a patetice, etc., sem esquecer que na caracterização do ambiente também favorece os cenários pobres, sujos, feios e, em muitos casos, com particu…

«Mostra bibliográfica de António Lobo Antunes em Vila Nova da Barquinha»

«Integrado no ciclo "1 mês, 1 escritor" está a decorrer até 31 de janeiro na Biblioteca Municipal de Vila Nova da Barquinha uma mostra bibliográfica, com oferta de marcadores de livros, do escritor António Lobo Antunes.
Esta mostra poderá ser visitada de 2ª a 6ª feira das 9h às 12h e 30m e das 14h às 17h e 30m.»
citado de Cultura e Lazer Magazine

ALA na Figueira da Foz - vídeo

No Casino da Figueira, quando da apresentação de Comissão das Lágrimas, em 16 de Dezembro.

duração: 27 minutos

Miguel Real: crítica a Quarto Livro de Crónicas

Cães Pretos
A literatura portuguesa transborda de óptimos cronistas, alguns deles vivos, cada um segundo o seu estilo e um diferente enquadramento teórico. De facto, desde Fialho de Almeida a Vasco Graça Moura, o século XX foi prolífero em escritores cultores da crónica, como nos dá conta A Crónica Jornalística no Século XX (2004), de Fernando Venâncio.
Porém – desculpe-se a subjectividade do crítico -, nenhum cronista atingiu o brilhantismo estético presente nas crónicas de António Lobo Antunes (ALA), seja quanto ao primado da composição da unidade da narrativa face a cada parágrafo (tarefa dificílima devido à brevidade do texto), seja quanto à unidade inconsútil desenhada com a totalidade da sua obra de ficcionista. A recente publicação de Quarto Livro de Crónicas aí está para comprovar a justeza da nossa asserção.
Com o título de “ficção intervalar”, Maria Alzira Seixo chamou a atenção para a excelência de ALA cronista, estatuindo a crónica deste autor como um cruzamento original entr…

Norberto do Vale Cardoso: «Sermão de António (Lobo Antunes) aos peixes: Sapiência e Memória no Pós-colonial »

Sermão de António (Lobo Antunes) aos peixes: Sapiência e Memória no Pós-colonial”

Norberto do Vale Cardoso [1]


António Lobo Antunes no aquário da proto-memória
Dissolvo-me, parado, na banheira cheia, como imagino que os peixes morrem, evaporados numa espumazinha viscosa à tona, como decerto os peixes morrem no rio, de órbitas apodrecidas a boiarem. (CJ, 159)
A Memória desempenha, como sabemos, importante papel na obra de António Lobo Antunes, desde logo a partir do elemento titular do seu primeiro romance, Memória de Elefante, em que se destaca, antes de mais, a “proto-memória”. Por esta devemos entender o conjunto de hábitos e automatismos resultantes do processo de socialização, aspecto presente de forma constante na obra antuniana, sobretudo pelo papel preponderante atribuído à infância, período crucial para a sua formação. Esta foi levada a cabo num Portugal em que a memória era criada com intenções maquiavélicas (cf. Lourenço 1975, 80), pois o regime construía uma “memória colectiva”…