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Mensagens

A mostrar mensagens de Junho, 2016

Nelson Zagalo sobre Não É Meia Noite Quem Quer (blog Virtual Illusion)

Li centenas de crónicas de António Lobo Antunes (ALA), contudo este é o seu primeiro romance que termino. Não que me tenha esforçado por ler outros, confesso que outros antes não me motivaram suficientemente, nomeadamente pelo surgimento constante do tema da guerra colonial, que me provoca algum distanciamento. Este perseguia-me quase desde que saiu, pois gostei imenso das primeiras páginas, o retrato que ALA ali desenha abre para uma espécie de cenário tipo do cinema português dos anos 1990: urbano, melancólico, pausado, reflexivo, e profundamente introspectivo.
“Não É Meia Noite Quem Quer” vem dividido em três grandes capítulos, por sua vez divididos em 10 secções cada, em que cada capítulo representa um dia, sendo que a acção decorre de sexta a domingo, tudo distribuído por 450 páginas. A escrita de ALA não é simples, desde logo porque trabalha em fluxo de consciência, estamos todo o tempo dentro da cabeça da protagonista, com excepção apenas para duas secções, em que somos convid…

Emanuel Moreira sobre Que Farei Quando Tude Arde? (em Goodreads)

Dezarrezoado amor, dentro em meu peito
tem guerra com a razão. Amor, que jaz
e já de muitos dias, manda e faz
tudo o que quer, a torto e a direito.

Não espera razões, tudo é despeito,
tudo soberba e força, faz, desfaz,
sem respeito nenhum; e quando em paz
cuidais que sois, então tudo é desfeito.

Doutra parte, a razão tempos espia,
espia ocasiões de tarde em tarde,
que ajunta o tempo; em fim vem o seu dia:

Então não tem lugar certo onde aguarde
Amor; trata traições, que não confia
nem dos seus. Que farei quando tudo arde?

Sá de Miranda
O soneto de Sá de Miranda resume bem a situação de Carlos quando confrontado com as questões "o que sou, quem é que sou". Até então se diria masculino mas na realidade pouco do que é se enquadra nesse padrão, descobre que[,] afinal, [é] Soraia. Este despertar ocorre talvez inevitavelmente tarde; Carlos já era casado com Judite, uma professora que posteriormente deixa de exercer a profissão e dedica-se ao alcool e à prostituição. E tarde também porque da rela…

Melina Balcazar Moreno sur De la Nature des Dieux

Antonio Lobo Antunes ou le noyau de ténèbres
«Le monde a été fait à l’envers», a dit un jour un vieil homme dans un hôpital psychiatrique à António Lobo Antunes. Un homme que «les médecins appelaient schizophrène» et qui, en proie à ces mots qui le torturaient, a donné au jeune écrivain la plus simple leçon d’écriture qui soit: on ne peut écrire qu’à partir de ce qui précède les mots. C’est-à-dire les émotions, les pulsions qui lui donnent forme et, en même temps, déforment la mémoire. Ainsi, dans «Recette pour me lire»: «les mots ne sont que les signes de nos émotions, et les personnages, les situations et les intrigues, des prétextes apparents pour atteindre l’envers caché de l’âme. La véritable aventure que je poursuis est celle que le narrateur et le lecteur partagent dans les tréfonds de l’inconscient, siège de l’âme humaine» (Livre des chroniques III). Car, comme Lobo Antunes veut nous le rappeler, rien n’est plus incertain, plus imprévisible, que le passé.
Dans De la nature des…

antonioloboantunes.pt em outros idiomas

Olá!
Estamos a publicar vários textos no blog e facebook - artigos de opinião, crítica, entrevistas, etc - em outros idiomas, nomeadamente em castelhano, francês e inglês (também iremos publicar em italiano mais tarde) como o primeiro passo para a internacionalização do site antonioloboantunes.pt. Por favor espalhem a notícia!

¡Hola!
Estamos publicando varios textos en el blog y facebook - artículos de opinión, críticas, entrevistas, etc. - en otros idiomas, particularmente en castellano, francés e inglés (también vamos a publicar en italiano más adelante) como el primer paso hacia la internacionalización del sitio antonioloboantunes.pt. ¡Pasa la voz!

Salut!
Nous publions dans le blog et facebook divers textes - articles d'opinion, critiques, interviews, etc. - dans d'autres langues, notamment en espagnol, en français et en anglais (nous allons également publier en italien plus tard) comme la première étape vers l'internationalisation du site antonioloboantunes.pt. S'il …

Antoine Perraud, "Les voix du silence" (sur De la nature des dieux / Da Natureza Dos Deuses)

L’enthousiasme désabusé, l’ironie macabre et le rythme envoûtant de l’immense écrivain portugais António Lobo Antunes, né en 1942, font merveille dans ce vingt-cinquième roman, annoncé comme le dernier par un prosateur qui ne résiste pas à jouer, entre autres, avec sa propre disparition. Voici, admirablement traduit par Dominique Nédellec, un magnifique da capo – mais l’auteur de Mon nom est légion, La Nébuleuse de l’insomnie, ou Quels sont ces chevaux qui jettent leur ombre sur la mer ?, a-t-il jamais cessé de ressasser en pure poésie ?
Son écriture organise un réseau d’obsessions. Des soliloques se tressent. Impression de choralité. Polyphonie mais cohérence, en dépit d’une écriture multipliant les embardées, les tonneaux, ou les marches arrière. Une écriture hoquetant langoureusement le temps de phrases privées de ponctuation, grinçantes et douces à la fois, vibrantes de l’énergie du désespoir.
Une écriture contagieuse : les plus fervents lecteurs d’António Lobo Antunes se reconna…