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Mensagens

A mostrar mensagens de Março, 2014

Luiz Paulo Faccioli: «O jogo da insónia», opinião sobre Ontem Não Te Vi Em Babilónia

Dias atrás, na página da Livraria Cultura na internet, havia duas solitárias opiniões de leitores sobre o mais recente livro do português António Lobo Antunes lançado no Brasil, Ontem não te vi em Babilónia, cuja publicação original foi em 2006. Uma delas: “Excelente… Ainda em estado de êxtase… Ainda lendo… Não quero parar… é muito bom…” A outra: “Horrível. Livro chatíssimo, desanimador, pior livro que já li…” A despeito de ser uma amostra ínfima [...], o antagonismo dos comentários reflecte à perfeição uma realidade: ou se morre de amores pela obra, ou se a detesta. Não há meio-termo possível.
Ou sim, talvez haja algum, se levarmos em conta que a obra de arte verdadeira permite mais de um modo de fruição. O mais óbvio passa por valores intrínsecos à condição de arte, que podem tocar ou não a sensibilidade de quem a frui, num plano essencialmente emocional. Esta é a génese dos comentários referidos acima. Outro, um pouco mais subtil, parte da avaliação do esforço intelectual que produz…

«Autos da Revolução» homenageia 25 de Abril em Évora e em Faro

Inspiradas na obra de António Lobo Antunes, sete personagens "revivem" o 25 de Abril de formas distintas em "Autos da Revolução", espectáculo que duas companhias de teatro de Évora e do Algarve se preparam para levar à cena.
O espectáculo, numa co-produção do Centro Dramático de Évora (Cendrev) e da ACTA - A Companhia de Teatro do Algarve, é dirigido pelo encenador francês Pierre-Etienne Heymann e assinala os 40 anos do 25 de Abril. 
"Pretendemos alertar ou despertar as pessoas para um acontecimento ímpar na nossa vida recente e contribuir para que as novas gerações possam confrontar-se com um olhar sobre um momento histórico não tão distante quanto isso", explicou hoje à agência Lusa José Russo, director do Cendrev.
Construído a partir de textos de cinco romances de António Lobo Antunes, o espectáculo reúne os relatos cruzados destas personagens que, com diferentes olhares sobre o 25 de Abril, recordam o que lhes aconteceu.
Um operário carregador de mudanças…

Santi (blog Un libro al día): opinião sobre Tratado das Paixões da Alma

[nota de tradução: o autor do artigo leu antes deste título O Esplendor de Portugal ao qual faz referência no início deste texto que escreveu num blog, informação aqui ocultada por não ser relevante]
[...] Lobo Antunes pareceu-me [sempre] um muito sério candidato ao Prémio Nobel , ainda que talvez tenha sido prejudicado por ser da mesma nacionalidade de Saramago, pela razão de que ultimamente o Nobel tenta premiar países e culturas diferentes (com a excepção para o Reino unido, que deve ter uma regra especial). 
[...] [Tratado das Paixões da Alma] é um romance tanto similar como diferente de Esplendor de Portugal. O que é similar é a evidente preocupação pela técnica narrativa, a mistura de planos temporais e psicológicos, o retrato da realidade contemporânea portuguesa. Esplendor de Portugal é provavelmente mais denso e mais profundo quanto ao tratamento das personagens e da questão central, que nesse caso se trata dos portugueses retornados durante e depois da descolonização; Tratado…

Teatro "Autos da Revolução" em Évora

"AUTOS DA REVOLUÇÃO, a partir de textos de António Lobo Antunes"Co-Produção: CENDREV/ ACTA - A Companhia de Teatro do Algarve
27 de março a 20 de abril

Local
Teatro Garcia de Resende
Horários; qua
rta a sábado, às 21h30 | domingos às 16h00


Luis M. Alonso: opinião sobre Sôbolos Rios Que Vão

Palavras que fluem como a água
O curso do rio serve ao eterno aspirante do Nobel da Literatura António Lobo Antunes para contar a viagem fictícia da vida sujeita ao tempo e à organização da memória. Para tal utiliza desde o título do seu romance as resondilhas mais conhecidas de Camões: “Sôbolos rios que vão / Por Babilônia m’achei, / Onde sentado chorei / As lembranças de Sião, / E quanto nela passei”. A literatura flui como a água numa das suas obras mais belas, talvez a melhor de todas que escreveu na última década.
Sôbolos Rios Que Vão [...] explora as possibilidades da lírica sem deixar de lado uma trama discernível, algo que não é fácil encontrar no melhor escritor português vivo desde Não Entres Tão Depressa Nessa Noite Escura, marca de um ponto de inflexão na leitura dos seus romances. Em qualquer caso, livre a escrita do atavismo que impõe a nudez da história, ao leitor calha converter-se em cúmplice das emoções das personagens e das palavras. O resultado é comovente e, como só…

Bernardo Carvalho: opinião sobre Exortação Aos Crocodilos

Lágrimas de crocodilo

Os romances do português António Lobo Antunes [...] são feitos de frases e parágrafos abortados, que terminam por formar, nessa composição fragmentária de interrupções, uma trama complexa, revelando os sentidos mais surpreendentes.
Ao jogar com uma simultaneidade de tempos, que parece mimetizar os mecanismos da memória num estado ambíguo de pesadelo, essas narrativas contam as coisas mais inesperadas, de repente, escondidas no meio de outras insignificantes. E, aos poucos, por meio desse enorme quebra-cabeças romanesco, o leitor começa a vislumbrar a imagem de um mundo onde a hipocrisia é um dos fundamentos.
Não é uma tarefa simples ou passiva, como a de quem se prostra diante de uma tela de televisão. São livros que exigem uma leitura activa num jogo de combinações em princípio muito nebulosas. São livros que propõem uma leitura inteligente, cuja recompensa é um prazer sempre renovado: um mundo em que podem ser descobertos novos segredos a cada releitura, em retros…