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22 de dezembro de 2016

O Conhecimento do Inferno traduzido por Harrie Lemmens disponível desde Outubro na Ambos-Anthos (Países Baixos)

No fim de Outubro saiu, na Holanda, a tradução de Conhecimento do Inferno, por Harrie Lemmens, com o título Reis naar het einde (a editora Ambos-Anthos optou por não usar a palavra ‘hel’, ‘inferno’, no título, porque as livrarias não gostam disso, segundo informação do próprio tradutor)

Edição Ambos-Anthos, Holanda, Outubro 2016
Tradução de Harrie Lemmens

Harrie partilhou connosco duas breves críticas à edição deste livro:

Ger Groot no NRC (Holanda):
A extraordinária riqueza de metáforas, de aforismos e descrições visualmente sugestivas deixam-nos por vezes sem fôlego: durante a leitura os nossos olhos vão-se tornando cada vez mais sôfregos de imagens.
Que prazer deve ter tido o tradutor ao traduzir este texto!
E que prazer ver reluzir e brilhar em Neerlandês as cores, as formas, os fluxos de imagens e as associações estonteantes de Lobo Antunes!
Transformar tanta melancolia neste fantástico caleidoscópio: eis o selo de garantia da literatura.

Marijke Arijs no Standaard (Bélgica – Flandres)
O inferno de Dante não é nada comparado com o inferno de Lobo Antunes.
As imagens sobrepõem-se em camadas deslizantes como se de um filme se tratasse e a exuberância verbal penetra no fundo da alma, corrosiva e subversiva, irónica e amarga. Este Conhecimento do Inferno transforma-se assim numa experiência de leitura absolutamente arrebatadora.

7 de dezembro de 2016

Tamina Šop vence prémio tradução Miloš Đurić 2016 pela sua versão sérvia de O Manual dos Inquisidores

Tamina Šop vence prémio de tradução na Sérvia com obra de Lobo Antunes

A tradutora Tamina Šop venceu o prémio Miloš Đurić 2016 pela tradução para sérvio da obra "O Manual dos Inquisidores", de António Lobo Antunes, foi hoje anunciado pelo Camões Instituto da Cooperação e da Língua.

edição sérvia Geopoetika, 2016
tradução de Tamina Šop
O livro [em sérvio "Priručnik za inkvizitore"] foi publicado na Sérvia pela editora Geopoetika, com o apoio do Instituto Camões e da Direção Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas de Portugal.

De acordo com o instituto, pela primeira vez desde 1968, quando este prémio foi criado, um livro de literatura portuguesa vence na categoria de prosa, depois da tradução de uma parte da obra de Fernando Pessoa, por Jasmina Neskovic, ter recebido o mesmo reconhecimento na categoria de poesia, nos anos 1990.

Em "O Manual dos Inquisidores", publicado em 1996, António Lobo Antunes conta o desmoronamento de uma família da alta burguesia do antigo regime, rica e considerada, centrando-se na figura do patriarca, um influente e poderoso governante do regime de Oliveira Salazar.

A acção decorre antes e depois do 25 de Abril de 1974, relatando a mudança drástica na vida da família, com a queda do regime fascista.

A entrega do prémio Miloš Đurić 2016 realiza-se na quarta-feira, às 18:00, na Associação de Tradutores Literários da Sérvia, em Belgrado.



Fonte: Lusa
06.12.2016

16 de outubro de 2015

Premiada tradução em francês de Que Cavalos São Aqueles Que Fazem Sombra No Mar, por Dominique Nedellec

Gulbenkian de Paris entrega prémio a tradução francesa de obra de António Lobo Antunes

A tradução francesa do livro "Que Cavalos São Aqueles Que Fazem Sombra No Mar?", de António Lobo Antunes, foi hoje distinguida, em Paris, com o Prix Gulbenkian Books da delegação francesa da Fundação Calouste Gulbenkian.

Esta foi a primeira edição do prémio que distingue a melhor tradução de português para francês de uma obra de literatura em língua portuguesa, publicada em França nos últimos dois anos, sendo atribuído em parceria com a revista literária Books.

Dominique Dedellec
O júri decidiu distinguir Dominique Nedellec, o autor da tradução "Quels sont ces chevaux qui jettent leur ombre sur la mer", editada em 2014 pela Christian Bourgois Éditeur, pelo "brio com que recriou em francês a prosa tão densa e sinuosa de Lobo Antunes, a sobreposição de vozes, as palavras e os pensamentos das suas personagens torturadas", declarou Suzi Vieira, membro do júri, durante o anúncio do prémio.

"Esta tradução, que considerámos admiravelmente fiel, conseguiu recriar a polifonia do romance e também o ritmo e estrutura musical em que se baseia a arquitectura da sua obra", justificou a porta-voz do júri, também jornalista na revista Books.

Dominique Nedellec, que acaba de entregar a sua quinta tradução de um livro de Lobo Antunes à sua editora, disse à Lusa que o prémio é "um incentivo para continuar a trabalhar em prol da genialidade da língua portuguesa e, neste caso, da genialidade de um autor único", sendo também "uma marca de reconhecimento do trabalho que mostra que as pessoas estão atentas" ao que fazem os tradutores "na sombra".

"Traduzir Lobo Antunes exige da parte do tradutor esquecer as referências de leitura que cada um de nós tem para se introduzir no universo e na língua dele, porque ele está a escrever numa língua que não é a língua canónica, que não é a língua normal. Ele está a criar uma língua muito pessoal, sui generis, muito peculiar. O meu objectivo é recriar na minha língua, o francês, a mesma estranheza, a mesma violência que ele introduz na língua portuguesa", acrescentou Dominique Nedellec que também já traduziu para francês várias obras de Gonçalo M. Tavares e de outros autores de língua portuguesa como Alice Vieira, José Jorge Letria ou Ondjaki.

[...]

O júri era composto por personalidades portuguesas e francesas do mundo académico e literário, nomeadamente o poeta Nuno Júdice, a escritora francesa Maylis de Kérangal, a professora associada da Université de Paris-Sorbonne Paris IV Maria-Benedita Basto, o titular da cátedra Lindley Cintra na Universidade Paris Ouest-Nanterre José Manuel Esteves, o ensaísta alemão Sébastien Lapaque, a especialista em literatura lusófona Jacqueline Penjon e a jornalista da revista Books Suzi Vieira.

O objectivo do prémio Gulbenkian Books, no valor de 10.000 euros a dividir entre o editor e o tradutor, é promover a tradução de obras de língua portuguesa em França.

A iniciativa deverá repetir-se de dois em dois anos e o seu lançamento insere-se no programa do cinquentenário da Gulbenkian de Paris, o qual vai ter como pontos altos uma retrospectiva, no Grand Palais, da obra de Amadeo de Souza-Cardoso, entre Abril e Julho de 2016, e uma mostra sobre os últimos 50 anos da Arquitectura Portuguesa, na Cité de l'Architecture et du Patrimoine, de Abril a Agosto do próximo ano.


LUSA
15.10.2015
citado de SAPO Notícias
revisão do texto por José Alexandre Ramos

21 de junho de 2015

Tradução holandesa de Caminho Como Uma Casa Em Chamas finalista do Europese Literatuurprijs (Prémio da Literatura Europeia)

Harrie Lemmens com António Lobo Antunes
foto de João Céu e Silva - Diário de Notícias
Harrie Lemmens, tradutor holandês de António Lobo Antunes, está nomeado para o Europese Literatuurprijs - Prémio da Literatura Europeia -, que é atribuído anualmente na Holanda ao melhor livro traduzido do ano anterior publicado num país europeu.

Als een brandend huis, a tradução de Caminho Como Uma Casa Em Chamas, de António Lobo Antunes, pela mão de Harrie Lemmens, está na shortlist dos 6 títulos escolhidos de entre a primeira selecção dos 20 melhores títulos traduzidos que fora anunciada em Março. Esta shortlist foi conhecida no passado dia 9 de Junho e um mês depois, a 9 de Julho, será revelado o vencedor do prémio.

O semanário holandês De Groene Amsterdammer, um dos organizadores do prémio, publicou críticas aos títulos seleccionados logo após o anúncio da lista em 9 de Junho. Citamos de seguida excertos da crítica a Als een brandedend huis, feita por Christiaan Weijts. Estes excertos foram traduzidos por Ana Carvalho.

Relembramos que a tradução holandesa de Caminho Como Uma Casa Em Chamas foi a estreia mundial para a primeira publicação deste livro de António Lobo Antunes, semanas antes de ser publicado pela Dom Quixote o texto original em português, em Outubro de 2014.

*

A alma das coisas (excerto)


Uma pintura camada a camada, pensamentos que emergem para logo desaparecer, recordações, impressões, sonhos, farrapos de diálogos. Por vezes, repetições literais que, sendo temas recorrentes, reforçam a musicalidade. Este ziguezaguear sem pontuação procura imitar a ininterrupta corrente interior que é um misto de pensar, sentir, falar, sonhar e recordar.

Traduzir um livro destes requer uma mão extremamente segura, um ouvido musical e uma sensibilidade especial para encontrar o ritmo certo. O tradutor Harrie Lemmens dispõe visivelmente de todas essas qualidades, tendo sabido criar uma linguagem que traz à superfície uma camada de energia singularmente íntima.

Surpreendentamente, esta linguagem não é, de modo algum complicada. Até mesmo a gramática, embora algo caprichosa, não descamba em nenhum momento em poesia experimental conhecida pelo seu carácter impenetrável. Contrariamente ao que se poderia pensar na primeira abordagem, esta obra é justamente o oposto de impenetrável e confusa. É uma prosa certeira, esmerada, que, através de detalhes concretos, penetra naquilo que Flaubert diz ser “a alma das coisas”.


por Christiaan Weijts
em De Groene Amsterdammer
10.06.2015
[traduzido do holandês por Ana Carvalho]

Crónica «Nós» com reflexão sobre a sua leitura por Olga Fonseca

Nós Não precisávamos de falar. Como ele dizia – Tu sabes sempre o que eu estou a pensar e eu sei sempre o que tu estás a pensar ...