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Mensagens

A mostrar mensagens de Julho, 2011

Celeste Pereira: opinião sobre Auto dos Danados

Mais um livro de ALA que ainda não havia lido. E mais uma leitura interessante e estimulante como já me habituaram as leituras dos muitos outros livros que li do autor.
Este passa-se no ano de 1975. Ano conturbado em termos sociais e políticos, ainda no rescaldo do 25 de Abril.
Fala-nos de uma família decadente, de antigos latifundiários, algures no Alentejo. Família onde reinam o desamor, a ganância, o rancor, a raiva, a cobiça entre os seus elementos. Uma família completamente disfuncional (não é novidade nos livros de ALA) em que os elementos que a constituem se encontram ligados por sentimentos sórdidos que os empurram uns contra os outros mas que, ao mesmo tempo, os impelem uns para os outros prendendo-os numa teia dificilmente compreensível. Pelo menos dificilmente explicável.
Embora a história vá sendo narrada em diferentes tempos e por diferentes personagens dando, de cada uma, o seu ponto de vista de uma mesma realidade, esta passa-se, como já disse, no ano de 1975 durante a ago…

Simão Fonseca: opinião sobre Tratado das Paixões da Alma

Tratado das Paixões da Alma é o primeiro romance da trilogia apelidada de “ciclo de Lisboa”, composta por A Ordem Natural das Coisas e A Morte de Carlos Gardel. Este ciclo comporta a infância e adolescência de António Lobo Antunes e a sua vida em Benfica, Lisboa, recheada de lembranças dos seus amigos e da relação que tinha com os seus familiares, acontecimentos que marcaram o autor e que o mesmo nunca mais esqueceu.

Homem, inicialmente assim apresentado, é um indivíduo que pertence a uma organização terrorista e que se encontra preso a prestar declarações perante o “cavalheiro” e pelo Juiz de Instrução, de seu nome Zé. Ao largo da estória, o Homem revela chamar-se Antunes, e mais tarde António Antunes, sendo que o Juiz de Instrução tem o nome de Zé. A primeira conclusão que se pode retirar, é obviamente que Tratado das Paixões da Almatem como personagem principal o próprio autor, intercalando os parágrafos com Zé e com outras personagens (algumas da rede terrorista: Sacerdote, Artista…