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Mensagens

A mostrar mensagens de Outubro, 2007

Ana Cristina Leonardo: sobre O Meu Nome É Legião

António Lobo Antunes - O Maestro sacode a batuta
António Lobo Antunes não será um incondicional de Pessoa. Foi, porém, ao autor de Chuva Oblíqua que roubei o título, «O maestro sacode a batuta,/ E lânguida e triste a música rompe...//», início de um poema longo que termina assim: «E a música cessa como um muro que desaba,/ A bola rola pelo despenhadeiro dos meus sonhos interrompidos,/ E do alto dum cavalo azul, o maestro, jockey amarelo tornando-se preto,/ Agradece, pousando a batuta em cima da fuga dum muro,/ E curva-se, sorrindo, com uma bola branca em cima da cabeça,/ Bola branca que lhe desaparece pelas costas abaixo...».
Em tempos, o escritor disse numa entrevista: «no fundo, o que eu gostava era de escrever poesia se tivesse talento para isso». Atente-se, agora, nesta passagem do seu último romance: «(não sou a minha filha nem nunca tive bonecos, a emoção da morte enganou-me, tive uma ambulância sem rodas com a qual brincava de barriga no chão conforme eu de barriga no chão à merc…

«Fui cobarde tempo demais»

Diário de Notícias - entrevista de João Céu e Silva 30 Setembro 2007

A morte é uma puta

O escritor surpreendeu os portugueses ao revelar numa crónica que tinha sido operado a um cancro no intestino. Não se coíbe de falar sobre o assunto, até porque a morte é palavra habitual nas páginas dos seus livros, mas comove-se ao relembrar aqueles dias e o pós-operatório. Uma coisa é certa, saiu deste susto um homem diferente e com vontade de ser mais sincero e de outro amar. A porta que dá entrada na garagem onde escrevia naquela tarde fica no fundo de um beco. António Lobo Antunes enterra-se num sofá preto e pede para começar a entrevista com um certo ar de vamos cumprir o combinado. No fim, dirá que nem deu pelo tempo passar e encaminha-se para a "tasca" onde pede ao empregado o habitual. Desta vez, só deu duas entrevistas para ajudar o lançamento do novo livro –  O Meu Nome é Legião. Está a trabalhar no próximo...
A MORTE
De vez em quando ameaça que só escreverá mais dois ou três livros…

A vida depois do cancro

Visão- entrevista de Sara Belo Luís 27 de Setembro de 2007


Bastou um dia para lhe mudar a vida. Em Março deste ano, António Lobo Antunes, 65 anos, entrou no Hospital de Santa Maria com o manuscrito em que trabalhava debaixo do braço. E dali já não saiu. A notícia, brutal, de que tinha um cancro, chegaria pouco tempo depois. No mês seguinte, após ter sido operado, escreveu na VISÃO uma crónica na qual revelou o inferno que estava a viver. Agora, seis meses passados, o escritor lança O Meu Nome É Legiãoe, pela primeira vez, conta o que viu e o que sentiu. Sem as meias-palavras das «doenças prolongadas» nem os disfarces dos testemunhos triunfantes. Como ele próprio diz, com as cartas viradas para cima.

Ainda tem a sensação de o seu novo livro, O Meu Nome É Legião, lhe ter sido ditado por um anjo?
Sim, mas também houve partes de Ontem Não te Vi em Babilónia que me pareciam ditadas. Quando a mão está feliz, os livros parecem-me sempre ditados. O Meu Nome É Legião está pronto há mais de um ano.…