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A mostrar mensagens de Dezembro, 2008

"Os livros em Portugal são indecentemente caros"

O escritor António Lobo Antunes considerou ontem à noite, no Porto, que os livros em Portugal são "indecentemente caros", referindo que "há países com maior poder de compra onde são muito mais baratos", como Alemanha, Holanda e Noruega. 
O autor de "Arquipélago da Insónia", publicado este ano e que já vai na sétima edição, falou durante a cerimónia em que recebeu o Prémio Clube Literário do Porto, com um valor pecuniário de 25.000 euros.
Lobo Antunes, de 68 anos, foi apresentado pelo jornalista, comentador e professor Carlos Magno como um autor que "escreve sobre a contemporaneidade como poucos o fazem neste país", fazendo uso de uma "ironia absolutamente a toda a prova". 
O escritor disse que não podia deixar de estar no Porto para receber o prémio, por ter "uma dívida de gratidão muito grande para com a cidade", que vem do tempo em que esteve internado num hospital lisboeta, a lutar contra um cancro. 
"Quando há dois anos …

Ana Cristina Leonardo: sobre O Arquipélago da Insónia

Cercados pelo Vento
O vigésimo livro de António Lobo Antunes tem como pano de fundo o Portugal rural.
De acordo com a famosa frase do ensaísta inglês Walter Pater, «toda a arte aspira continuamente à condição de música». Esta concepção da música como a «grande arte» parece ajustar-se cada vez mais à escrita de António Lobo Antunes. [...] O Arquipélago da Insónia, indiferente ao pretexto ficcional - ascensão e queda de uma família latifundiária alentejana (?) -, surge habitado por uma polifonia de espectros, soando como uma melodia riscada por frases e sons sincopados e crispados, agentes devoradores da própria partitura do texto, que, ainda assim, sobrevive.
No princípio, há uma casa: «De onde me virá a impressão que, na casa, apesar de igual, quase tudo lhe falta?» Depois vão saindo dela, em lenta procissão, as personagens (mortas ou vivas?, acabará por perguntar-se o leitor, que não pode evitar Pedro Páramo, de Juan Rulfo): um avô («comandando o mundo»), criadas submissas («- Chega cá»…

Em Nova Iorque, a propósito da tradução para inglês de Que Farei Quando Tudo Arde?

* falado em inglês, sem legendas


"I don't tell stories, I write"