13/03/2009

Da leitora Teresa Teixeira da Motta

Caro António Lobo Antunes,

Tenho nas minhas mãos o número de Fevereiro da revista “O” da Oprah Winfrey e na página 140, na secção Reading Room, há uma referência ao seu livro de crónicas “The Fat Man and Infinity” que ela considera que vai conquistar para si a devoção dos leitores americanos. Ainda bem, se considerarmos que uma recomendação da Oprah vai centuplicar, ou mais, o seu público na América. Fico contente pelo prazer imenso que os seus livros vão poder dar a tanta gente, tal como me deram a mim. O meu maior desgosto foi que você não tivesse por si uma Pilar del Río na altura do Nobel. A sua maneira de escrever é como uma orquestra em que todas as vozes se conjugam dum modo magistral, fortíssimo, para criar uma sinfonia em que tudo finalmente faz sentido. Fantástico, genial. Quando chega a Feira do Livro compro imensos livros seus para dar de presente. Já devo ter dado “O Esplendor de Portugal” a todos os meus amigos! Que tudo lhe corra bem, António, é o que lhe deseja a sua fã nº1 (dos milhões que tem).


Teresa Teixeira da Motta
e-mail de 13.03.2009

06/03/2009

República do Livro: Alfaguara [Brasil] lança novo romance de António Lobo Antunes, vencedor do Prêmio Camões 2007.


Um homem examina antigas fotografias de família e se recorda do tempo passado. De quando era criança, de um primo de partida para os Estados Unidos, de um fotógrafo no estúdio a ajustá-lo no colo da mãe, do farmacêutico pesando-o numa balança. Recorda-se, aos poucos, do que ocorreu desde então.

Mas há outras lembranças mais profundas e dolorosas: um amor impossível, interrompido na juventude e restabelecido décadas mais tarde, quando o casal se reencontra casualmente na rua. Ele, já na faixa dos 50 anos, havia se casado, tido duas filhas, mas não se esquecera daquela mulher. Os dois, então, voltam a se encontrar clandestinamente numa pensão de baixa reputação em Lisboa.
 
Em Eu Hei-de Amar uma Pedra, António Lobo Antunes apresenta um texto radical e inovador, como poucas vezes se viu na literatura contemporânea. Numa história em que passado e presente se fundem, acontecimentos paralelos à vida do protagonista são narrados por personagens que giram em torno dele: suas duas filhas, sua mulher, a amante e um médico. Juntas, essas narrativas compõem uma visão multifacetada e rica dos acontecimentos, na qual passado e presente se fundem num constante fluxo de pensamento.
 
Na ocasião do lançamento de Eu Hei-de Amar uma Pedra, em 2004, Lobo Antunes falou ao jornal português Diário de Notícias sobre o tema que permeia este romance: o amor.

Ele explicou que, embora o título Eu Hei-de Amar uma Pedra venha de uma cantiga popular, diz respeito também às impossibilidades do amor. "Não sei russo, mas quando dizem que Pushkin empregava a palavra carne e sentia-se o gosto da palavra carne na boca, isso tem a ver com as palavras que se põem antes e depois. É a mesma coisa que amor. Os substantivos abstratos são perigosos", revela.
 
Sobre a fotografia, ponto de partida deste seu romance, Lobo Antunes diz que vive com ela numa relação conturbada. "Conheci pessoas rodeadas de fotografias antigas. Perguntava quem eram aquelas pessoas, diziam-me ser o trisavô, todas pessoas mortas. Eu pensava: como podem estar mortas se olham para mim desta maneira, como se me conhecessem? Tinha a sensação de que as pessoas daquelas fotografias me compreendiam melhor do que as vivas. Naquelas fotografias amarelas subsistia a vida, o olhar. Na capacidade de transmissão de emoções e vivências, a fotografia sempre me fascinou. Nunca tirei uma fotografia, falta-me esse talento".
 

autor não identificado
não datado (2007?)

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