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Mensagens

A mostrar mensagens de Setembro, 2006

Jorge Mayer: opinião sobre Eu Hei-de Amar Uma Pedra

Leer a Lobo
Ler Lobo Antunes foi para mim uma experiência perturbadora. Isento de preconceitos e de boas intenções, numa manhã fria - não tão distante como quisera - não pude resistir ao chamamento de um volume - o pormenor de Os Amantes de René Magritte na capa - com um título que operou sobre mim uma espécie de encantamento: Eu Hei-de Amar Uma Pedra, engodo de uma frase do dogma da religião que escolhi professar. Amar uma pedra que nada pode dar em troca do meu amor, uma pedra que - preciosa ou não - nunca será mais que uma pedra. Todas as pedras, a pedra.
Leitor cego por uma curiosidade que confina com a anarquia, sem pensá-lo, lancei-me a ler os últimos parágrafos. Fi-lo como quem, sabendo-se envenenado, engole vorazmente a primeira coisa que se lhe pareça um antídoto. O acaso não podia ter feito por mim nada melhor. Levei com uma machadada certeira à altura de uns olhos que não chegaram a assombrar-se e já estavam feridos sem remédio. Tinham visto que o murro póstumo do escritor se…

Da leitora Ana Martins: «Meu escritor de eleição!»

Meu escritor de eleição!

Gostava tanto de poder conversar dois minutos consigo só para olhar de frente os seus olhos belíssimos!

Desejo-lhe tudo de bom, tenho por si uma simpatia imensa e gostava muito que o meu filho um dia lesse os seus livros com o mesmo prazer com que eu o faço!

Ler os seus livros é entrar numa outra dimensão!

Ana


Ana Martinse-mail de 28.09.2006

Gonçalo Mira: opinião sobre Os Cus de Judas

Segundo romance a ser publicado por António Lobo Antunes, no mesmo ano de Memória de Elefante (1979), Os Cus de Judas mantém o cunho marcadamente autobiográfico. Se no primeiro romance se abordava mais a separação do autor da sua mulher e o seu trabalho enquanto psiquiatra, neste segundo romance o tema dominante é a guerra colonial em Angola, na qual António Lobo Antunes participou. Logo aqui, Os Cus de Judas ganha pontos em relação ao seu antecessor: a guerra colonial é, sem grandes dúvidas, um tema bastante mais forte. Embora o livro principie com um ritmo mais lento, acaba por assumir uma maior velocidade à medida que a guerra vai assumindo o papel principal da narrativa. A história é narrada por um homem (a personagem autobiográfica) que se dirige a uma mulher que este tenta conquistar. Desenrolam-se então em paralelo as duas acções: a do homem com a mulher e a do passado do homem na guerra colonial.
Estilisticamente, Os Cus de Judas difere muito pouco de Memória de Elefante e estão…

Moacyr Godoy Moreira: opinião sobre Memória de Elefante

“Entre a Angola que perdera e a Lisboa que não reganhara, o médico sentia-se duplamente órfão (...) Fizera da vida uma camisola de forças em que se lhe tornava impossível mover-se atado pelas correias do desgosto de si próprio e do isolamento que o impregnava de uma amarga tristeza sem manhãs...”
Assim caracteriza-se o protagonista de Memória de elefante, livro de estreia de António Lobo Antunes, recém lançado no Brasil com 26 anos de atraso. Já bastante conhecido por aqui, a obra demonstra a força narrativa do autor português, um dos mais traduzidos e respeitados em terras ao redor do globo. A quarta capa do volume ressalta, a propósito, uma citação da revista Vogue: “O maior escritor vivo da língua portuguesa.” Critérios de valor à parte, trata-se de um escritor com amplo domínio técnico e que produz livros de particular força inventiva e narrativa.
Considerado pelo próprio autor como parte de uma trilogia, junto com Os cus de Judas e O esplendor de Portugal, que seriam na verdade um …

«Isto parece um namoro, é impublicável»

Selecções Reader's Digest Entrevista de Anabela Mota Ribeiro Verão 2006

Nesta entrevista fala-se da generosidade, do medo e da atenção ao outro.

António Lobo Antunes é o escritor que quer meter a vida toda num livro, num gesto, numa expressão. Traduz magistralmente, em livros inclassificáveis, a essência do humano, na sua grandeza e miséria.
Nesta entrevista fala-se de generosidade, do medo, da atenção ao outro. Fala-se dos livros e das razões por que vale a pena viver. E da eternidade.
Nasceu em Lisboa, licenciou-se em Medicina, tem três filhas. Passou dos 60. É publicado no mundo inteiro, com sucesso e prestígio inquestionáveis. Escreve numa letra miudinha. Está mais magro!
Dantes, arquitectava os livros; agora, quer desaprender de escrever para que a mão siga livremente e o livro se revele ele mesmo. O livro falhava o plano, ia em direcções diferentes daquilo que tinha imaginado. Tornava-se um organismo vivo, com as suas ideias próprias, com uma maneira de ser e uma fisionomia. Exigênc…

Palabras que se evaporan, por Jesus Aguado (El País) acerca de Fado Alexandrino

António Lobo Antunes (Lisboa, 1942) es uno de los mayores poetas de la literatura contemporánea. Aunque su carrera la haya hecho como novelista - y también, vaya esto por delante, sea uno de los escasísimos grandes de la novela actual -, en su obra hay tal densidad poética, ese amor a la palabra recién nacida y ese dejarse fecundar por la imagen y el ritmo que emanan de ella, que la sensación que queda después de leerla se parece mucho a esa especie de estupor iniciático que siempre produce un buen poema. Esta cualidad la comparte con Paradiso, La muerte de Virgilio, La búsqueda del santo grial o El Kalevala, libros en los que se siente respirar al lenguaje a medida que éste se cuenta en voz alta una historia, y en los que el relato no se construye según modelos arquitectónicos sino biológicos -el revoloteo de la mariposa, el rizoma, el zigzag de los cardúmenes, el descenso de la lava-, algo a lo que aspira la mejor poesía. En las entrevistas Lobo Antunes afirma de manera reiterada q…