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A mostrar mensagens de Agosto, 2011

Crónica "O António é esquisitíssimo"

Maria Celeste Pereira: opinião sobre A Morte de Carlos Gardel

Decidi ler agora (Fevereiro deste ano) este livro de Lobo Antunes, um dos muitos que ainda não li, pelo facto de ter sabido, há já uns tempos atrás, estava o argumento ainda em fase de preparação, que a realizadora sueca Solveig Nordlund iria realizar um filme não só homónimo do livro como tendo por base a sua história.

Ora, sem dúvida, tal conhecimento espicaçou-me a curiosidade em relação ao livro. E agora, confesso, tenho a curiosidade ainda mais encarniçada para ver o resultado final. Neste caso, do filme.
E então o livro:
É mais um livro com a marca inconfundível de António Lobo Antunes. Um livro em que a narrativa se encontra fraccionada, surgindo sem sequência temporal ou espacial, intercalando tempos, espaços, acontecimentos (reais ou do mundo imaginário), e personagens.
Encontra-se dividido em cinco partes sendo que cada uma delas tem por título um tango de Carlos Gardel. Começa com “por una cabeza”, vai seguindo com a “milonga sentimental”, passa para a “lejana terra mia”, até “…

L Monline: opinião sobre As Naus

As naus é considerado uns dos livros mais originais do premiado autor português. Mais uma obra que subverte as formas narrativas tradicionais, sobrepõe tempos e figuras históricas para narrar o retorno dos heróis e navegadores portugueses a Lisboa (na obra, denominada Lixboa), nos anos 1970, todos homens desiludidos com o fim da malfadada colonização africana.

Pedro Álvares Cabral, Luís de Camões, Diogo Cão, Vasco da Gama - esses e outros nomes, inclusive estrangeiros, como Miguel de Cervantes - retornam a Portugal como pessoas comuns, com seus vícios e fraquezas, numa espécie de epopeia às avessas. Lobo Antunes reconta suas vidas na África, diferentes em todos os sentidos das versões consagradas, e os coloca, ao longo da narrativa, como jogadores de cartas, beberrões, aproveitadores.

O autor explica que depois de escrever Fado Alexandrino - onde um grupo de ex-militares relembra sua vida e a Portugal de antes, durante e após a Revolução dos Cravos - a temática de sua literatura ficou u…

André Curi: opinião sobre Explicação dos Pássaros

Impossível, não há categoria para isso. Por mais que remoamos as gavetas, as transformemos em triângulos, quadrados e em (para quê servem?) losangos, não há categorias para António Lobo Antunes – o mais amorfo escritor que já li.

Primeiramente [...], não há história em Explicação dos Pássaros, ou pelo menos não há relevância alguma nela. Vamos lá: Quando perguntam as histórias de um livro, se referem a uma linha cronológica com uma sequência lógica dos fatos. Mas eu respondo com outra pergunta Que linha? Que fatos? Por acaso a avalanche constante em nossas cabeças segue a tal linha? O que você está pensando agora, e agora? E agora? O que temos em mãos não são páginas com milhares de palavras arranjadas, mas um espelho refletindo a nós mesmos, seres em constante ebulição racional. Um homem que se mata no final. E daí mesmo. A maestria em conduzir o pensamento humano é a profundidade alcançada pelo escritor português, dane-se a história.

Isso traz consequências. Sem dúvida é um livro cont…

fragmentos de uma entrevista em Espanha (?) e uma canção

Não sei que entrevista foi, quando (parece que em finais de 2010 ou inícios de 2011) e para onde. Encontrei três peças. Na primeira, ALA fala sobre literatura:



* falado em espanhol, sem legendas

Na segunda, sobre política:



* falado em espanhol, sem legendas

Na seguinte, o entrevistador mostra um original de canções escritas para o Vitorino (que as compilou no álbum Eu que me comovo por tudo e por nada, de 1992), de que ALA responde serem "brincadeiras":



* falado em espanhol, sem legendas

Página 2 (RTVE): Entrevista a propósito O Meu Nome É Legião, traduzido para espanhol

* falado em espanhol, sem legendas

No final, António Lobo Antunes lê, em português, um pequeno trecho do livro (raro!).

MediaPart: a propósito da tradução francesa de Ontem Não Te Vi Em Babilónia

* falado em francês, sem legendas.

Liberto Cruz: Recensão crítica na Colóquio Letras nº 97 de Maio de 1987 – pp. 118 e 119

Memória de Elefante, a primeira obra de António Lobo Antunes, data de 1979, e a última, Auto dos Danados, de 1985. Temos assim que, em sete anos, este escritor publicou seis livros, o que equivale a umas centenas largas de páginas densas, quase não deixando margem para possíveis anotações ou simples descanso estético.


Sem indicação do género literário (precaução ou modernidade?) mas informados pelo editor de que se trata de romances, estas ficções de António Lobo Antunes parecem ser do agrado geral, dadas as edições já postas em circulação e as traduções já feitas ou previstas em vários países. Tanto melhor: ganha o Autor, ganha o editor, ganha a literatura portuguesa em geral e ganha, evidentemente, o respectivo ou potencial leitor.
Este processo de composição dramática, a roçar muitas vezes pelo melodramático, feito a perversos e espertalhotes indivíduos, mais não é (o que revela grandes ambições literárias), mais não é, repito, do que a comédia humana de pequeno-burgueses endinheirad…

José Alexandre Ramos: Milonga niilista (A Morte de Carlos Gardel)

Quando António Lobo Antunes escrevia o seu 10º romance, já havia vincado o seu estilo inconfundível, da desconstrução do discurso (embora ainda faltassem alguns anos e livros para chegar a um discurso mais fragmentado), feito na primeira pessoa do singular, em narrativas paralelas ou sobrepostas das personagens que falam sobre as suas experiências e sentimentos num – por vezes árduo – exercício da memória. A Morte de Carlos Gardel fecha o chamado “ciclo de Lisboa” começado em Tratado das Paixões da Alma, seguido de A Ordem Natural das Coisas.
Divide-se em cinco grandes capítulos, correspondendo a cinco temas do cantor de tango argentino Carlos Gardel, cuja escolha não é acidental nem aleatória: “Por una cabeza”, “Milonga sentimental”, “Lejana tierra mía”, “El día que me quieras” e “Melodía de arrabal”. Sendo o tango um estilo de grande intensidade dramática, de base triste, sentimental, mas ao mesmo tempo agressivo e sensual, repercutido na sua dança, de que a submissão da mulher ao se…

mupie do filme de Solveig Nordlund a estrear em Setembro

Marco Caetano: opinião sobre Sôbolos Rios Que Vão

Tinha vontade de voltar a ler Lobo Antunes. Tinha vontade de ler frases do tipo "... gente de que notava apenas o ruído das botas e portanto não gente...". Tinha vontade de me tornar a perder nos vários cenários que as suas obras proporcionam.

António Lobo Antunes não é um autor consensual. Mas afinal, é mesmo assim com todos os artistas, não é? Eu sou seu admirador de forma incondicional. Conseguiria ouvi-lo falar horas sem parar.
Poder-se-á dizer que os seus livros não são de leitura fácil, mas na minha opinião isso deve-se unicamente à riqueza do conteúdo da sua escrita. Arriscaria dizer que a par de Agustina Bessa-Luís, estamos no topo da pirâmide dos escritores portugueses da actualidade.

Sôbolos rios que vão é a sua última obra cujo o lançamento ocorreu a 29 de Outubro de 2010 na Estação Elevatória dos Barbadinhos, pertença do Museu da Água da EPAL. Tive o prazer de assistir ao vivo a este lançamento e devo dizer que a vontade de ler este livro surgiu logo aí. O título, p…

Filipe Kepler: opinião sobre Explicação dos Pássaros

Explica-me os pássaros, pai.
Rui encontra-se numa encruzilhada. Despedaçado desde que sua primeira mulher o abandonou e oprimido pelo desprezo silencioso que o pai e a família lhe devotam por conta do modo de vida que escolheu para si, este professor universitário vê-se estagnado, vítima da frustração resignada e de um surdo desespero, reprimidos por anos sem conta e a tornarem-se mais e mais insuportáveis. Assim, após visitar a mãe a morrer no hospital, Rui decide-se por levar sua segunda mulher, Marília, para uma viagem de quatro dias em Aveiro, onde pretende terminar a relação, na esperança de que, liberto de um relacionamento que julga ruim, possa enfim retomar o próprio rumo e dar um novo curso para sua vida. Contudo, haverá ainda forças para tanto? Será possível, depois de tanto tempo, levantar-se do chão e recomeçar?

À semelhança de suas obras anteriores, o autor divide o romance em capítulos cronológicos (os quatro dias passados em Aveiro), que, no entanto, não se limitam ao esc…

Ciclo dedicado a Lobo Antunes no Teatro S. Luiz (Lisboa) em Setembro - consulte o programa

Literalmente copiei a informação da programação do site do S. Luiz para aqui:

15 A 18 SET DESTE VIVER AQUI NESTE PALCO ESCRITO ANTÓNIO LOBO ANTUNES
Não se lê António Lobo Antunes. Viaja-se por dentro das suas ficções poéticas como quem se deixa transportar por um fio de memória. Vive-se empolgadamente, ou desoladamente, a acção dramática que a cada momento descola do exercício narrativo. Pode parecer mental, mas é visual, teatral, cinematográfico, musical. Por isto e por tudo – porque Lobo Antunes é um dos grandes autores universais e temos o privilégio de o ter connosco na mesma cidade onde vivemos, porque lê-lo é lermo-nos nas nossas vidas das últimas décadas, ou simplesmente porque é um prazer – faz-nos pleno sentido abrir a mãe de todas as temporadas, nesta casa das artes do palco, com um programa dedicado à literatura. Com Maria de Medeiros, que regressa a Lisboa e se desdobra em quatro personagens-sintoma do fim de um certo Portugal; com Solveig Nordlund, que ataca o universo decade…

Crónica "Adelaide"

Crónica da Pomba Branca

Crónica "Zé"

Filme adaptando A Morte de Carlos Gardel

Filme de abertura da 3ª edição do Festival Douro Film Harvest (5 e 11 de Setembro 2011), com pré-apresentação ao público no ciclo sobre António Lobo Antunes, no Teatro S. Luiz, a 17 Setembro 2011

Nos cinemas a 22 de Setembro 2011.

Género: Drama

A Morte de Carlos Gardel, um filme de Solveig Nordlund, adaptado do romance de António Lobo Antunes

Solveig Nordlund ("A Filha", "Aparelho Voador a Baixa Altitude") gosta de fazer filmes que nos surpreendam intelectual e formalmente. Com a primeira adaptação cinematográfica de uma obra de António Lobo Antunes, a realizadora sueca radicada em Portugal teve uma oportunidade única de empreender "mais uma prodigiosa aventura".

Sinopse:

Um jovem (Carlos Malvarez) toxicodependente está a morrer num hospital. Junto a ele, à medida que vão vivendo a evolução da sua agonia, cada um dos seus familiares mais próximos evoca uma teia de recordações, de memórias obsessivas e de vivências actuais. Todos eles são portadores de sonhos…