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A mostrar mensagens de Março, 2008

Ente Lectual: opinião sobre Ontem Não Te Vi Em Babilónia

Um ensaio a duas partes sobre um livro que escrevi e me recuso a ler
1ª parte - o que não diria
“Perante uma obra destas, difícil delinear um início, esboçar uma continuação, entabular em duas linhas que sejam um diálogo entre personagens. Impossíveis resumos” - um dos mais velhos e vis truques de quem tenta resumir ou criticar um pedaço de arte, de literatura. Tudo mentira, não fosse o caso da sua indubitável aplicabilidade neste caso concreto.
(Ah, os casos concretos, outro truque da cartilha...)
Saltando aquela parte em que o crítico critica os outros menos sagazes críticos, contar-te-ei de um livro que um dia escrevi. Ontem não te vi em Babilónia.
Se, leitor, procuras uma obra de agradável, de cabeceira ou canto da secretária, lenitiva ou narcotizante, própria para insónias e descargos de consciência, tardes ou noites bem passadas de pés para a lareira, gato no colo, fá-lo noutro lado. Esta não é uma história agradável. Não é uma história. (Ponto). É triste, mas verdade.
Poder-lhe-ia da…

Júlio Conrado: Recensão crítica na Colóquio Letras nº 157/158 de Julho de 2000 – pp. 411 a 413

A popularidade e a ressonância dos romances de António Lobo Antunes terão hoje de ser procuradas à margem das coordenadas do bem escrever, pois vários são os sinais da existência de certo «problema» da escrita na oficina de um autor que admira Céline, gostaria de se rever no estilo de Cardoso Pires e tem «inveja», neste particular, de Mário Cláudio. Num pequeno exercício de leitura crítica de Exortação aos Crocodilos, procurarei isolar duas ou três linhas de força que ilustrem sumariamente o que precede. Pelo volume da obra, a sua penetração num vasto público, o seu renome, ambos, obra e Autor, merecem a observação, de perto, do modo como um produto manifestamente não encantatório e de escassa ludicidade consegue, em todo o caso, ganhos de sociabilidade só ao alcance de textos em que o prazer da cumplicidade estética na partilha da leitura do mundo por via escritural é uso atingir-se a partir de outros padrões de realização. Enigmático? Vamos por partes.
Talvez como em nenhum dos anter…