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Mensagens

A mostrar mensagens de Janeiro, 2014

Ricardo Soares: sobre Não É Meia Noite Quem Quer

O título “Não é Meia Noite Quem Quer” não lhe surgiu quase perto do fim, como aconteceu com os anteriores: há que tempos andava com o verso de René Char na cabeça. Em Janeiro de 2011 António Lobo Antunes escreveu uma crónica na “Visão” a que chamou “Não é Meia Noite Quem Quer”: «Há anos que este verso de René Char me persegue. Pensei usá-lo como título para um livro, como coda para um capítulo, fazer variações em torno dele num texto qualquer. Não fiz nada, até agora, porque me anda na cabeça mas não me aparece na mão, e só consigo escrever com os dedos, os miolos não pegam na esferográfica. Por qualquer motivo obscuro o bico da caneta não o aprova. E, no entanto, volta não volta lembro-me dele. Por exemplo quando me cruzo com a mendiga estrangeira, alemã ou holandesa, não sei, a pedir esmola no semáforo aqui perto».
Poucos meses passados “Não É Meia Noite Quem Quer” deu-lhe, enfim, um romance. Que escreveu, belo, a ouvir uma voz de mulher que lhe ditava tudo. A infância, a morte, a gu…

El País: “Ninguém escreve como eu. Nem eu mesmo”

El País

Entrevista de Antonio Jiménez Barca

23.01.2014

Lá fora, a tarde em Lisboa é cinzenta e fria, com um feio aguaceiro que parece não se cansar nunca de ameaçar. Dentro, em sua casa de bairro pobre, como ele diz, António Lobo Antunes (Lisboa, 1942), rodeado de livros por todas as partes, de frases de escritores anotadas na parede, fuma sem parar, sorri com frequência, brinca, convida para uma aguardente e coloca a cinza, invariavelmente, no maço vazio do Marlboro light. Percebe-se que está contente. Há dois anos, o escritor português, candidato ao Nobel e autor de um punhado de obras-primas pelas quais qualquer romancista mataria — Fado Alexandrino, Esplendor de Portugal, A Ordem Natural das Coisas, Manual dos Inquisidores, Os Cus de Judas... — recebeu este correspondente na pequena mesa do canto onde se senta para trabalhar dia após dia, com o ânimo no chão pelo facto de que, segundo ele, provavelmente não iria terminar mais nenhum livro. Desde então escreveu dois romances ou, como …

Carlos Vaz Marques em O livro do dia da TSF: Quinto Livro de Crónicas

TSF
06.11.2013

Visão: Grande Entrevista, A vida por detrás das crónicas

Visão Entrevista de Ana Margarida de Carvalho 19 de Dezembro de 2013

O escritor recebeu a VISÃO na sua casa, espelho da sua própria sedução
Trata-as em diminutivo, assim por cima do ombro, as crónicas, "uns contitos", fragmentos, "aguarelazitas", "esboços", "fantasias", "palavrinhas", "pequeninos nadas", "piscinas para crianças" com água pela cintura e onde nunca se perde o pé. E, no entanto, é nas suas crónicas que tantas vezes António Lobo Antunes se revela e expõe de uma forma tão íntima - a ele e a nós, nos nossos pequenos devires de insecto, sempre a formigar na mesquinhez dos dias. 
Mais velho de seis irmãos - gosta de se dizer "filho mais velho de dois filhos mais velhos" -, António Lobo Antunes lembra-se de quando eram pequenos: adoecia um, adoeciam todos. E o pai, "um pai muito pouco ternurento", médico anatomopatologista, ia até ao quarto dos seus rapazes, sentava-se numa das camas e lia-lhe…

José Mário Silva: sobre Não É Meia Noite Quem Quer

A casa do fim
Num ensaio recente, As Mulheres na Ficção de António Lobo Antunes – (In)variantes do feminino (Texto Editora), a professora Ana Paula Arnaut (Universidade de Coimbra) associa ao sexto ciclo romanesco de Lobo Antunes, iniciado com O Arquipélago da Insónia (2008), um progressivo suavizar da «confusão e estranheza causadas por intrincadas redes polifónicas». Nos romances mais recentes, garante a investigadora, «parece mais fácil identificar a voz que fala e, em consequência, diferenciá-la de outras verbalizações que ocorrem num mesmo trecho». A publicação, quase em simultâneo, do 24.º romance de Lobo Antunes, Não é Meia Noite Quem Quer, confirma esse processo de simplificação formal que permite ao leitor seguir, mesmo com interrupções e elipses, o fluxo narrativo das múltiplas histórias e respectivos planos cronológicos
Em vários aspectos, a estrutura deste livro assemelha-se à do romance anterior (Comissão das Lágrimas, 2011). Tudo volta a girar em torno de uma personagem pr…

Retomamos o projecto António Lobo Antunes na Web!

BEM VINDOS!


Retomo a partir de hoje o trabalho desenvolvido ao longo de dez anos no projecto António Lobo Antunes na Web. O projecto está, agora, centrado em duas frentes: o blog/site não oficial em www.ala.pt.la (ou www.alaptla.blogspot.com) e a respectiva página de facebook.
Como o trabalho foi interrompido em Outubro de 2012, salvo alguns posts colocados em Janeiro de 2013, a seu tempo as imagens e links que entretanto caducaram serão repostos. De qualquer forma, o trabalho de recolha de críticas, opiniões de leitura, entrevistas, enventos e outras notícias continuam disponíveis no endereço referido, como nunca deixaram de estar.
Agradeço toda a vontade com que antigos e novos colaboradores queiram ajudar a continuar fazendo do site não oficial de António Lobo Antunes o sítio de maior e melhor referência sobre a obra do escritor na Rede.
Existe um e-mail à vossa disposição: jalexramos@gmail.com. Também podem, como é evidente, deixar as vossas ideias, opiniões e mais o que queiram, nas …