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A mostrar mensagens de Setembro, 2012

Passatempo Não é meia-noite quem quer: os textos dos participantes

Conforme anunciado, e após o encerramento das participações, publicamos os textos cujos autores estão habilitados a um exemplar de Não É Meia Noite Quem Quer. Serão escolhidos três vencedores do prémio, que oportunamente divulgaremos. Seguem-se os textos, onde era solicitado que de forma criativa se dissertasse sobre um aspecto de António Lobo Antunes e a utilização aleatória das palavras não, é, meia-noite, quem e quer. Foram considerados válidos 16 textos num total de 20 participações.

As sombras de mim
Joana Martins, Póvoa de Varzim

Não, não é meia-noite, as tuas mãos dançam melhor sob a luz amarelada e ténue das velas antigas. 
Conheci o Inferno, vi o cu ao Judas e os pássaros loucos a esvoaçar no terreiro em bando, qual cenário do apocalipse, vi tudo fora do seu lugar. Quem e quer  de mim se foi, me levou inerte ao óbolo.
Não foi Caronte que duvidou, não foi o rio que não me levou, foste tu que permitiste que eu fosse ao fundo de mim, saltei para dentro de mim e engoli-me em gigante n…

António Lobo Antunes é o escritor homenageado na edição deste ano da Escritaria de Penafiel

Notícias na imprensa de hoje:
Escritaria em Penafiel: Lobo Antunes é o convidado e apresenta novo livroDepois de Urbano Tavares Rodrigues, José Saramago, Agustina Bessa-Luís e Mia Couto, o ESCRITARIA é dedicado este ano a António Lobo Antunes, que apresentará em Penafiel o seu novo livro "Não é Meia Noite Quem Quer". Penafiel será de novo em Outubro, de 26 a 28, palco do maior festival literário em torno de um escritor de língua portuguesa vivo. O denominador comum às peças de teatro, à arte de rua, aos colóquios e a inúmeras outras actividades em Penafiel será a obra literária de António Lobo Antunes. Haverá por exemplo declamadores da obra do Lobo Antunes pelas ruas e cafés de Penafiel, além da animação de rua e da arte de rua, patente nos edifícios, estradas e outros locais públicos. Durante o ESCRITARIA será feita a apresentação do novo livro de Lobo Antunes, por Ana Paula Arnaut. A TSF é, pelo segundo ano consecutivo, parceira desta iniciativa.
fonte: TSF * O escritor António Lo…

Capa de «Não É Meia Noite Quem Quer» + sinopse

O enredo do livro desenvolve-se em três dias, sexta-feira, sábado e domingo. Uma mulher com perto de cinquenta anos vai passar um fim-de-semana na casa de férias da família, numa praia não identificada. A casa, modesta, foi vendida e ela quer despedir-se da casa, mas também relembrar tudo o que se passou ali - a sua infância com os pais e os irmãos, o suicídio do irmão mais velho, o irmão surdo-mudo, o complexo e dramático relacionamento dos pais, a menina da casa em frente, sua amiga do tempo de férias. Vem depois a sua vida actual, mal casada, sem filhos, professora numa escola como tantas outras, com uma relação frustrante e sem entusiasmo com uma colega mais velha... O falhanço que é a sua vida reflecte-se na casa há muito desabitada e nos sonhos de todos eles, ali irremediavelmente enterrados. A despedida da casa pode levá-la a imitar o irmão mais velho e, no domingo, atirar-se das arribas e encerrar ali uma vida sem futuro.

«Guarda Chuvas de Chocolate», pelo Teatro Rápido

Inspirado em crónicas de António Lobo Antunes. Espectáculos de 15 minutos. Mais duas semanas em palco. Mais informações aqui.

António Lobo Antunes em reportagem do canal Arte

Este domingo, dia 16/09, às 10H45 (Lisboa), o canal Arte passa uma entrevista com António Lobo Antunes feita recentemente em Lisboa:
À Lisbonne, Vincent Josse rencontre António Lobo Antunes autour de son dernier roman La nébuleuse de l'insomnie. Figure majeure de la littérature contemporaine, António Lobo Antunes, très populaire malgré l'exigence de son écriture, ne cesse de raconter dans ses romans la société et l'histoire portugaises, les conflits coloniaux, la dictature salazariste, la révolution des Œillets, la démocratie et son lot de promesses non tenues. Rencontre avec un géant, qui veut « mettre toute la vie dans les livres », à l'occasion de la parution en juin dernier de son dernier roman La nébuleuse de l'insomnie (Éd. Christian Bourgois).[Em Lisboa, Vincent Josse entrevistou António Lobo Antunes, que publicou recentemente (em França) O Arquipélago da Insónia. | Personalidade maior da literatura contemporânea, António Lobo Antunes, muito popular apesar da…

«Não é meia-noite quem quer» (crónica)

Há anos que este verso de René Char me persegue. Pensei usá-lo como título para um livro, como coda para um capítulo, fazer variações em torno dele num texto qualquer. Não fiz nada, até agora, porque me anda na cabeça mas não me aparece na mão, e só consigo escrever com os dedos, os miolos não pegam na esferográfica. Por qualquer motivo obscuro o bico da caneta não o aprova. E, no entanto, volta não volta lembro-me dele. Por exemplo quando me cruzo com a mendiga estrangeira, alemã ou holandesa, não sei, a pedir esmola no semáforo aqui perto. Dorme, com os seus sacos de plástico, na paragem do autocarro quase por baixo da minha janela, puxando trapos para si. Nunca lhe entendi a língua, mais sopros que palavras. Espera que o sinal fique vermelho e percorre os automóveis, de mão estendida, a murmurar. As pessoas dos carros fingem que não vêem, olhando, fixas, para diante: uma desgraçada, mais uma, o que não falta por aí é gente assim. O sinal torna-se verde e ela corre para o passeio, c…

Mariana Klafke: dissertação sobre As Naus

As Naus, de Lobo Antunes: a desconstrução do império português

[...]
A obra de Lobo Antunes é classificada, digamos que “didacticamente”, em quatro ciclos, que não contemplam todos os romances, mas dão o panorama dos temas mais explorados pelo autor: 1) aprendizagem (Memória de Elefante, 1979; Os Cus de Judas, 1979; Conhecimento do Inferno, 1981); 2) anti-epopeias (Explicação dos Pássaros, 1981; Fado Alexandrino, 1983; Auto dos Danados, 1985; As Naus, 1988); 3) trilogia de Benfica (Tratado das Paixões da Alma, 1990; A Ordem Natural das Coisas, 1992; A Morte de Carlos Gardel, 1994); 4) poder (O Manual dos Inquisidores, 1996; O Esplendor de Portugal, 1997; Exortação aos Crocodilos, 1999; Não Entres Tão Depressa Nessa Noite Escura, 2000). Neste ensaio, pretendo trabalhar com um romance da fase das anti-epopeias, As Naus, procurando apontar questões referentes à desconstrução histórica presente na obra e à impossibilidade do retorno.
Em As Naus, de 1988, Lobo Antunes trabalha com uma espécie…

Pedro Fernandes: opinião sobre Conhecimento do Inferno

[...] Faz poucos dias que findei a leitura do terceiro romance do António Lobo Antunes, Conhecimento do Inferno, publicado em 1980, e que fecha uma trilogia iniciada com Memória de Elefante e Os Cus de Judas, ambos publicados um ano antes, quando o escritor voltou da Guerra Colonial na África, largou a carreira nas artes médicas e fixou-se, de vez, nas artes literárias. Devo dizer que é a primeira vez que leio a obra de um escritor pela linearidade das publicações. E o bom desse trajecto é o de acompanhar o desenvolvimento ou aperfeiçoamento das técnicas de escrita da parte do autor. Se os dois primeiros romances são aparentemente simples, exigindo do leitor uma reaprendizagem linguística para se pôr diante do texto, aqui o esforço não se resumirá a esse processo. Terá agora de conseguir fazer imensas fendas textuais e conseguir por através delas palmilhar um caminho mais ou menos seguro para chegar até o desfecho da narrativa e poder dizer em quatro palavras: o romance trata disto.
Os…

Do leitor José Alexandre Ramos: «muralha»

muralha
para António Lobo AntunesDeixo o dia abater-se contra o muro: mil pedaços se formam no horizonte futuro, antevendo amanhãs desmoronados. E dos escombros se abrirá caminho, lentamente, até onde o chão poderá verdejar, e as feridas dos meus pés fecharão. Sílaba a sílaba és tu quem constrói o novo caminho e por vezes fico sem palavras perante o alinhamento perfeito do destino das tuas frases. É no teu trabalho sobre a pedra que as palavras te exigem, sob o cansaço dos dias te espremendo em hesitações, alegrias e angústias, que reergues a muralha onde nos pouparemos abrigados dos ataques verborreicos dessas gentes em falsos pedestais teimando(como se qualquer um fosse capaz de construir um muro, uma casa, rasgar ruas e avenidas, alargar aldeias e cidades)teimando em afirmar que escrevem livros.

Parabéns, António. Um abraço.

por José Alexandre Ramos Vila Nova de Gaia Que farei quando tudo arde?