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Mensagens

A mostrar mensagens de Maio, 2014

Sessões de autógrafos na 84ª Feira do Livro de Lisboa, Praça LeYa

Segundo a informação recolhida aqui, prevê-se que António Lobo Antunes visite a Feira do Livro de Lisboa, para as sessões de autógrafos na Praça LeYa, entre as 15H00 e as 19H00 dos sábados dias 7e14 de Junho. Se outra informação nos chegar, logo divulgaremos.

Crónica de quando começou a escrever Caminho Como Uma Casa Em Chamas, em 2012

Crónica sobre a angústia de não conseguir avançar depois de Não É Meia Noite Quem Quer, e o resultado da espera que vem a ser o novo livro já pronto a publicar em Outubro próximo:

Caminho como uma casa em chamasPassei meses muito difíceis entre agosto e metade de dezembro: não era capaz de escrever uma linha que fosse e o desespero e a falta de sentido da minha vida aumentavam quase hora a hora. Tinha acabado um livro muito bom, composto em meia dúzia de meses com uma facilidade pasmosa, coisa que desde a Explicação dos Pássaros não me acontecia, um milagre e um mistério cujo mecanismo desconheço, pensava- Agora sei como se faz um livroe, ao tentar recomeçar, nem uma palavra. Conseguia compor as crónicas da Visão, a tropeçar em cada linha, mas, assim que puxava o bloco do livro, tudo me desaparecia da cabeça e da mão. Pensava- Sequeiem certo sentido alegrava-me que tivesse acabado bem, pensava- Se calhar pus tudo neste último texto e acabou-semas o facto de não me sair nem uma letra co…

Béatrice Putégnat sobre Que Cavalos São Aqueles Que Fazem Sombra No Mar?

Leitura em apneia
Ao orquestrar o seu romance como uma tourada, António Lobo Antunes disseca o ritual da tradição portuguesa para contar a decadência e ruína de uma família de criadores de touros de lide. Os filhos aguardam a morte da mãe; vão abordando memórias. O desafio do presente? Saber do passado, talvez...
A princípio, abrir [este] romance de António Lobo Antunes é um pouco como mergulhar em apneia tendo como reserva de oxigénio apenas palavras, a escrita. Uma verdadeira experiência de leitura que nos leva ao profundo da mente humana, além da temporalidade, por lugares quase assombrados, povoados por objectos quotidianos aflorados como restos de vidas. Dito assim, o leitor suspirá dizendo para si mesmo: mais um romance ilegível ... Nada disso! A partir do momento em que mergulha de cabeça no livro, não mais o deixará. As vozes assombrosas das personagens levá-lo-ão por toda a parte. A construção é rigorosa. Assenta-se sobre a estrutura de uma tourada com sete capítulos: Antes …

Sílvia Andrade: António Lobo Antunes e As Naus – Um olhar autocrítico para o redescobrimento de si mesmo

No romance estão presentes dois posicionamentos: a pátria do tempo dos descobrimentos e a pátria contemporânea. O autor busca no passado explicações para a condição actual de Portugal.
António Lobo Antunes é um escritor lisbonense nascido no ano de 1942. Filho primogênito, advindo de uma família burguesa, foi criticado na juventude pelo pai ao manifestar sua vontade em se graduar em Letras. O pai pensava que a vida do filho seria difícil, pois provavelmente actuaria como mestre, sendo mal remunerado em algum liceu. Assim, Lobo Antunes resolve ingressar no curso de Medicina, especializando-se em psiquiatria.
Durante a Guerra Colonial (período de 1961 a 1974), António vai clinicar em Angola e lá se depara com imagens degradantes da guerra. O médico, então, começa a escrever; a literatura surge como um modo de o escritor se distanciar de uma possível depressão. Em 1979, publica dois livros: Memória de Elefante e Os Cus de Judas. Após esses lançamentos, o autor não parou de escrever, totali…

Pedro Fernandes: opinião sobre Fado Alexandrino

Uma coisa é certa: essas notas aqui dispostas sobre este romance de António Lobo Antunes são falhas. Elas não conseguirão dizer, no total, o que é este livro; elas não conseguirão fazer entendê-lo. A razão disso é simples, há que lê-lo para ter essa totalidade; há que relê-lo para se fazer entender. E as notas são recolhas para uma primeira impressão sobre o romance.
1. Este é na linha horizontal da obra do escritor português o seu quinto romance; vem depois da trilogia Memória de elefante, Os cusde Judas e Conhecimento do infernoe de A explicação dos pássaros. Se sobre o último romance arrisquei-me dizer que estava diante de novo lugar temático na literatura de Lobo Antunes, reafirmo esta visão, agora ainda mais acesa, diante do quinto romance. Estamos aqui situados no tempo imperfeito – não no sentido do modo verbal e sim na já característica superposição dos tempos que nos romances antunianos compõe uma amálgama de acontecimentos reinventando um estágio temporal outro, alheio ao te…

PRÉ-PUBLICAÇÃO: CAMINHO COMO UMA CASA EM CHAMAS

O novo livro de António Lobo Antunes, Caminho Como Uma Casa Em Chamas, será publicado em Outubro deste ano pela Dom Quixote, duas semanas após a sua «estreia mundial», com a publicação pela editora holandesa AMBOS ANTHOS (com tradução de Harrie Lemmens). O livro, segundo havia adiantado o DN em 28.10.2013 (pela altura do dia do escritor no Centro Cultural de Belém - ler artigo), «passa-se num prédio onde os moradores, narradores solitários de si mesmos, são incapazes de compreender e de ser compreendidos».
O livro, o 25.º romance do autor, tem como fio condutor um prédio algures em Lisboa e as vidas das pessoas que nele vivem, mas este é apenas um pretexto para António Lobo Antunes nos maravilhar com a sua escrita única e a sua descida cada vez mais fundo ao que de mais íntimo há em cada um de nós.
Por sugestão e cortesia de António Lobo Antunes e da sua editora Maria da Piedade Ferreira (LeYa), foi-nos cedido o texto que abaixo citamos, como pré-publicação das primeiras páginas do prim…

Jorge Adelar Finatto: As breves eternidades do senhor Lobo Antunes

«Não sou especialmente simpático também, falo pouco, custa-me exprimir o amor que sinto, envergonho-me de, em certas alturas, me apetecer chorar. Claro que não choro: fico bravio, brusco, irónico, a liquefazer-me de afecto por dentro.»
António Lobo Antunes, O António a dar corda à esperança em Quarto Livro de Crónicas
Às três horas dessa madrugada ventou forte. Tremeram as folhas dos plátanos e pinheiros em volta da casa. Eu estava recostado na poltrona do escritório, naquele instante de neblina entre o sono e a vigília. 
Começaram uns trovões pros lados do Contraforte dos Capuchinhos. O som vinha de longe. Relâmpagos riscavam o ar sobre as montanhas. Agora chovia.
Na mesa estão os livros que leio nessas horas perdidas que me custam o peso de diamantes. As horas de lume intenso. As imperdíveis. Nos volumes está a vida inventada, concentrada, sem desperdícios, sem cinzas.
Entre o raio e o trovão, peguei o António Lobo Antunes pra ler. Nos últimos dias tenho lido crônicas, dando um tempo aos…

Notícias ao Minuto: CCB Wagner e Lobo Antunes inspiram Côrte-Real para os Dias da Música

A Orquestra Sinfónica Portuguesa estreou ontem, sábado, dia 3 de Maio, nos Dias da Música no Centro Cultural de Belém (CCB), uma obra escrita pelo compositor Nuno Côrte-Real, inspirada nas obras do compositor alemão Wagner e do escritor António Lobo Antunes.
"Que Cavalos São Aqueles Que Fazem Sombra no Mar?", o mesmo título de um romance de António Lobo Antunes, é a composição escrita por Nuno Côrte-Real que vai ser interpretada pela Orquestra Sinfónica Portuguesa, sob a direcção artística de Rui Pinheiro.
Seguindo a tradição europeia do poema sinfónico, trata-se de um instrumental para orquestra, a maior de sempre para quem Côrte-Real diz ter escrito, com cerca de 90 elementos.
"É uma espécie de poema sinfónico para levar quem está a ouvir a pensar num acontecimento que é narrado. A música tem esse poder narrativo" adianta Nuno Côrte-Real, à agência Lusa, acrescentando que quis incutir na sua composição a emoção dos romances de António Lobo Antunes.
A obra foi encomen…

Três artigos de opinião sobre Que Cavalos São Aqueles Que Fazem Sombra No Mar?

A tradução em francês, por Dominique Nedellec, de Que Cavalos São Aqueles Que Fazem Sombra No Mar?, foi publicada há pouco mais de um mês pela editora Christian Bourgois. Em Março, para assinalar a saída do novo livro naquela língua, António Lobo Antunes esteve em Paris onde falou sobre a sua escrita e pouco mais, uma vez que se recusa a falar dos livros que publica.Foi renitente em dar entrevistas, pelo menos uma entrevista no modo formal.
Sugeridos pela sua editora na Dom Quixote - LeYa, Maria da Piedade Ferreira, os três artigos que se seguem são desta ocasião e opinam sobre o mais recente livro do escritor em francês, Quels Sont Ces Chevaux Qui Jettent Leur Ombre Sur La Mer?. Os dois primeiros foram já aqui anteriormente publicados em posts separados, mas juntamos agora com o último, sendo essas anteriores publicações eliminadas.


1. Artigo publicado em Les Temps


Os gritos silenciosos das personagens de António Lobo Antunes
António Lobo Antunes tem o génio dos títulos. O romance mais r…