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Mensagens

A mostrar mensagens de Novembro, 2006

Do leitor Fausto Lopo de Carvalho: «Revejo-me em tudo o que escreve»

Revejo-me em tudo o que escreve nas suas crónicas. Tenho-as como um marco de sensibilidade e como uma inegável referência literária. Percebo bem o que escreve e o que descreve pois vivi nos mesmos espaços que o senhor embora em alturas diferentes. Obrigado por me fazer rir e chorar, por criar tantas sensações neste mundo cada vez mais amorfo.
Fausto Lopo de Carvalho


Fausto Lopo de Carvalhoe-mail de 17.11.2006

Rui Catalão: opinião sobre Terceiro Livro de Crónicas

"Prosinhas"
É assim que o autor classifica as suas próprias crónicas. Pequenas, mas plenas de significado; simples, mas capazes de encantar qualquer um. Num registo em muito diferente do habitual estilo romanesco que patenteia, António Lobo Antunes conta-nos alguns excertos da sua vida, desde as recordações de elementos familiares tão importantes como o pai ou a mãe – aos quais agradece por não o terem enchido “de amor e atenção, o que teria matado em mim [António Lobo Antunes] o artista” –, aos momentos vividos na guerra [colonial]. Aborda ainda questões do quotidiano, pormenores que nem sempre nos saltam à vista, sendo contudo dotados de uma riqueza indubitável: o amor como um sentimento inigualável; a amizade como uma raridade com um valor inestimável; a saudade dos tempos de infância, dos lugares que marcam toda uma vida; a vida e a morte enquanto aliados separados apenas por uma linha ténue que tende a quebrar-se facilmente. António Lobo Antunes é um génio, um homem consu…

Do leitor Paulo Machado: «Sempre que leio os seu livros...»

Sempre que leio os seus livros (deverei dizer meus?), sinto uma grande sensação de paz, tranquilidade e muita nostalgia.
O seu primeiro livro que li foi "O Manual dos Inquisidores". Li-o num banco de jardim na Av. da Liberdade e passo a si talo "no meio de todas aquelas estátuas sempre tão caladas" e a partir daí, não consegui parar de ler tudo o que já escreveu.
Não me peçam para explicar os seus livros, porque é algo de que não consigo, seria arrogância da minha parte, até porque nem sei mesmo se os entendo no seu todo. Só sei que não consigo parar de os ler.
Espero que a minha filha um dia, venha a nutrir pela sua obra o mesmo que eu e que não permita que os seus (meus?) livros acabem num alfarrabista do Bairro Alto. Gostaria que os conservasse, mesmo que não os leia, e que assim passassem de geração em geração, com um lugar de destaque.
Obrigado pelo muito que deu à literatura mundial. Acredito que haja muita gente que, tal como eu, o admira muito e sinto um grande…

Emissário de um rei desconhecido

Jornal de Letras Entrevista de Rodrigues da Silva 25.10.2006

"Mais dois, três livros e pararei"

«Quero dar trabalho aos críticos para 500 anos» - diz (citando Joyce) António Lobo Antunes nesta entrevista, na qual prevê parar de escrever daqui a dois ou três livros. Mas, por enquanto, aos 64 anos, ele mantém-se e melhor que nunca. Ontem Não Te Vi Em Babilónia (ed. Dom Quixote) o seu último livro [...] aí está para o provar. O JL já o leu e gostou muito, como aqui damos conta através de um longo artigo de Eunice Cabral, inserto após a entrevista que António Lobo Antunes aproveita para dizer que Portugal não é um país pequeno e periférico, mas central e muito grande.
Sereno, contido e infinitamente menos polémico do que outrora, António Lobo Antunes revela-se aqui um escritor de uma imensa profundidade. Dir-se-ia que fala agora como agora escreve, com - é ele que o diz - o conhecimento que a vida traz. O qual lhe permite acabar um livro de quase 500 páginas com esta frase lapidar: «…

"Tenho a sensação de que ando a negociar com a morte"

Pública (suplemento dominical do jornal Público) entrevista de Alexandra Lucas Coelho 29 Outubro 2006


Diz de si próprio que está cada vez mais autista, mas acaba por falar do Iraque e de Israel. De elogiar Sócrates, Cavaco, Soares, Ribeiro e Castro. Acha que é óbvio que o Governo é corajoso e os sindicatos são primários. De resto, não tem tempo para o mundo. Acaba de publicar "Ontem não te vi em Babilónia". Tem outro livro pronto. E começou a escrever outro, à volta de um autista.

Ainda não é desta que pode morrer (na última entrevista o PÚBLICO tinha dito que já podia morrer). Deram-lhe uma coisa, é o que ele acha. É o emissário de um rei desconhecido, como no soneto de Pessoa (que, aliás, não é um escritor dos seus). Por isso, ao fim de um mês sem escrever sente-se infiel. Não só ninguém escreve como ele (repete ele, e é verdade), como escreve "cada vez melhor".
A arrogância é um luxo a que António Lobo Antunes se pode dar, como poucos. E dá, com um quê de quem sobret…