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A mostrar mensagens de Setembro, 2008

crónica da digressão norte-americana para apresentação do livro Que Farei Quando Tudo Arde?

Jornal Publico - Rui Cardoso Martins crónica da digressão norte-americana para apresentação do livro Que Farei Quando Tudo Arde? 29.09.2008

Que farás, América, quando arder tudo?(excertos)

António Lobo Antunes fez uma digressão de oito dias pelos EUA. Lançou um livro, deu conferências, viu velhos e novos amigos. Editores, escritores, críticos, agentes, um êxito. Da NYPL à New York Review of Books. O escritor Rui Cardoso Martins conta como foi.


Washington D.C. Sétimo Dia
Há momentos em que acho que sim, posso pensar o que quiser e o que penso é verdade, por exemplo que tudo continua na mesma, não aconteceu nada, estamos bem
O americano médio. Estou a tentar pensar como o americano médio. O americano médio. - Prefiro o pais simpático que sabe agir com dureza ao filho espertalhão, diz António Lobo Antunes. O McCain é o pai, o Obama o filho espertalhão.
Na residência do embaixador português João de Vallera pode-se fumar, é território livre na cortina de antifumo que se abateu sobre os EUA. O escri…

Fabrício Vieira: opinião sobre Que Farei Quando Tudo Arde?

O rito da palavra em Que Farei Quando Tudo Arde?
Após 19 romances publicados, com todas as particularidades que os caracterizam, soa ao menos estranho abordar a obra do escritor português António Lobo Antunes sob a perspectiva de gêneros literários. Apesar de ser um romancista, reconhecido e aclamado como tal, Antunes, com seu trabalho literário, opera um deslizamento que abala radicalmente os limites que demarcam prosa e poesia. O próprio autor busca pontuar esse fato ao afirmar repetidamente em entrevistas que não faz mais romances, nem conta histórias: sua pretensão é a de colocar a vida entre as capas de um livro.
Esse deslizamento poético tem se acentuado a cada livro, atingindo talvez seu momento mais representativo em um período que vai de O Esplendor de Portugal, de 1997, a Que Farei Quando Tudo Arde?, lançado em 2001. Nesse curto intervalo, Antunes trouxe a público também Exortação aos Crocodilos e Não Entres Tão Depressa Nessa Noite Escuraque, não por acaso, recebeu como subtí…

Manuel Cardoso: opinião sobre Ontem Não Te Vi Em Babilónia

Este livro, às vezes, é como que um bailado de pensamentos, ondulando suavemente entre as páginas, percorrendo linhas e dançando perante os nossos olhos; saltitantes, esvoaçando para dentro dos nosso próprio cérebro, pensamentos que se misturam (os nossos e os dos outros, das personagens e do autor) num livro que se faz e refaz a cada instante, num imenso puzzle a construir por quem lê porque o autor, esse, já fez a sua parte. Um livro onde nunca nada está acabado; nem as frases, nem as ideias, nem a descrição, que narração não importa.
Outras vezes, este livro é o turbilhão das dores e angustias, esse somatório desordenado a que alguns chamam sofrimento. Bocados de humanidade. Tempestades de dor, é o que é! Emaranhados confusos de sonhos e pesadelos, cores impetuosas de um quadro surrealista, talvez de Dali, manchadas de sangue e de lágrimas, luzes perdidas no escuro onde se pode ler a vida. Vida entre sonhos, fantasmas, ilusões, fantoches, trapos de bonecas, muros e grilhões de Penic…