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Mensagens

A mostrar mensagens de Outubro, 2010

Visão: Ricardo Araújo Pereira entrevista António Lobo Antunes

Visão Entrevista de Ricardo Araújo Pereira 28 de Outubro de 2010



Sabíamos da admiração mútua. E ainda no lembramos de quando Ricardo Araújo Pereira era estagiário no Jornal de Letras. No momento em que Sôbolos Rios Que Vão chega às livrarias, a Visão desafiou o humorista a entrevistar o escritor. António Lobo Antunes abriu-lhe as portas da sua casa, e baixou todas as defesas.

O sr. António Antunes vive num sítio que não existe. Ora está no Hospital de Santa Maria, onde lhe chamam sr. Antunes, em março de 2007, ora está em Nelas, no tempo em que o tratam por Antoninho. Corrijo: não está ora num lugar, ora noutro. Está nos dois ao mesmo tempo, no tal sítio que não existe. Está num hospital que cheira a campo e a compota; e está na margem de um Mondego à beira do qual há árvores das quais saem tubos de soro. E não é só o sítio que não existe: o sr. António Antunes, na verdade, também não («Não vês que nenhum de nós existe?», lembra, insistentemente, a governanta do senhor vigário): é um meni…

Da leitora Lígia Trindade: «um escritor sensível»

António Lobo Antunes, um escritor sensível que escreve para gente sensível capaz de ler o que não está lá
Julgo na minha modesta opinião que para entender devidamente as obras de António Lobo Antunes, é preciso saber lê-las nas entrelinhas. A sua narrativa é representada através de um bailado de palavras que actuam numa coreografia poética e musical, onde a linguagem por vezes mística e enigmática assume uma aparente incoerência. Para desvendar o mistério dessa linguagem, é preciso ser-se dotado de uma sensibilidade próxima da sensibilidade do autor. Por detrás de cada frase, co-existe uma densidade de emoções e sentimentos que emergem de monólogos interiores profundos, ruminantes por vezes, mas essenciais. Desta forma creio que o conteúdo da “história” perde importância (não deixando de ser relevante) para a forma peculiar, sibilina e magistral como é contada; não importa tanto como começa, nem como acaba, mas como se desenvolve num momento que é intemporal feito de fragmentos dispers…

«De repente, percebi que sou mortal»

Diário de Notícias Entrevista de João Céu e Silva 28 de Outubro de 2010

«De repente, percebi que sou mortal»
António Lobo Antunes prometeu regressar às páginas do DN aquando do lançamento deste livro. A entrevista aconteceu na terça-feira e foi tudo menos clássica - até para os seus parâmetros de contestatário a este género jornalístico. O escritor iniciou a conversa preocupado com os falsos fenómenos editoriais do mercado português e o debate continuou por 45 minutos. Só então começou a dar a entrevista. Pediu para ligar o gravador e falou sem ter existido uma pergunta inicial. Disse tudo o que sentia e as três perguntas que lhe foram feitas posteriormente eram acessórias e, por isso, só estão nesta introdução.
Contrariamente ao que lhe é habitual, aceitou falar especificamente da gestação de Sôbolos Rios Que Vão e comentar o seu parto. Criticou a leveza com que se fazem as recensões literárias em Portugal e preferiu eleger as palavras do humorista Ricardo Araújo Pereira como das mais int…

«Tenho a certeza de que serei lido para sempre»

Expresso - Revista Única Entrevista de Ana Soromenho e José Mário Silva 16 de Outubro de 2010


«Se eu tirasse as máscaras, começavam a aparecer estas histórias»

Esquivo. Arrogante. Gentil. Inseguro. Terno. Brutal. Conversa com António Lobo Antunes, o escritor que continua a dizer que não gosta de entrevistas. António Lobo Antunes recebe-nos em casa: estantes cheias até ao teto. Quadros de Júlio Pomar, fotografias da família e amigos. Foi aqui que escreveu o livro publicado por estes dias ("Sôbolos Rios que Vão", Dom Quixote) e o próximo, já em fase de revisão. É a primeira vez que escreve onde mora. «Ao contrário das minhas casas anteriores, esta não está sempre a mandar-me embora», explica enquanto nos conduz à sala ampla e luminosa, as árvores a agigantarem-se nas janelas. O escritor que afirma ter muita dificuldade em falar da matéria dos livros, porque «está no limite do indizível», não vive sem eles. Junto aos sofás, a estante dos preferidos: Tolstói, Cervantes, Joyce, Shakes…