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Mensagens

A mostrar mensagens de Setembro, 2009

Ieda Magri: opinião sobre Eu Hei-de Amar Uma Pedra

António Lobo Antunes, em Eu hei-de amar uma pedra, radicaliza sua forma esquizofrênica de escrita dando voz a múltiplos narradores que se revezam ao contar ao leitor os lampejos de uma história de amor – e muitas de rancor – entre um homem e uma mulher maduros que se encontram semanalmente numa hospedaria barata em Lisboa.

Se digo lampejos é porque, ao contrário do que possa parecer aos que não leram Lobo Antunes ainda, Eu hei-de amar uma pedra não é a história desse amor apenas. Esse escritor português, desafeto de Saramago, não investe em enredos, em clímax, no desenrolar de uma história bem contada no intuito de fisgar o leitor. Em seus livros – e neste de forma mais radical – são convocados os fantasmas de narradores diversos e o fio da história é a eles entregue para que, aparentemente, apenas sintam e lembrem. A voz feminina sempre está em destaque, como, por exemplo, em Exortação aos crocodilos, em que quatro mulheres nos colocam a par do que se passa dentro delas para também no…

Raquel Cristina dos Santos Pereira disserta sobre Boa Tarde Às Coisas Aqui Em Baixo

O signo linguístico e a literatura pós-moderna em Boa Tarde Às Coisas Aqui Em Baixo
Uma mão relampeja na casa da escrita.
Faísca                                  Troveja
Procura um claro instante para a aparição.
[...]
e leva vozes aquela mão em cada delicada passagem
[...]
a escrita navega
num estuário de silêncio.
Escrever é uma droga antiga,
uma bebedeira que queima com lentidão
a cabeça,
traz as luzes desde as vísceras,
o sangue a ferver nas vias turbulentas,
traz a natureza estimulante das paisagens
que temos dentro. (Eduardo White)

Rever as leituras acerca do mundo é uma das possibilidades que a obra de António Lobo Antunes permite. Um escritor de autenticidade literária, embora não inovadora, mas que proporciona ao leitor sentir prazer em cada “verso absorvido”. Deparando-se uma vez apenas com as narrativas antunianas não se consegue fugir mais delas, assim como “não se foge de Angola” (Antunes, 2003: 27). Pois não se consegue ignorar Lobo Antunes no cenário literário da atual História mundial…

Sílvia da Rocha Andrade: opinião sobre As Naus

O livro As Naus, de António Lobo Antunes, publicado em 1988, narra a história de regresso à pátria, no caso, Portugal. Nessa narrativa há dois posicionamentos: a pátria do tempo dos descobrimentos e a pátria contemporânea. O autor busca no passado explicações para a condição atual de seu país.

Sobre esse prisma, a narrativa vai tecendo-se através de um narrador que não é fixo, às vezes está em primeira pessoa e em outras na terceira pessoa. O tempo narrativo é uma mistura entre o passado e presente; ao mesmo tempo em que há uma descrição de imagens do passado há, como contraponto, uma descrição de Portugal em nossos tempos.

De forma muito original, o autor utiliza, como personagens, personalidades importantes na história de Portugal como Pedro Álvares Cabral, Luis de Camões, D. Sebastião entre outros. Dessa forma, Lobo Antunes faz um resgate do passado dito "glorioso" e o compara com o resultado atual: uma pátria que vive de histórias pretéritas e que está estagnada em um temp…