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A mostrar mensagens de Fevereiro, 2010

Vinicius Jatobá: a propósito do lançamento em simultâneo no Brasil (Junho 2009) dos livros Explicação dos Pássaros e O Meu Nome É Legião.

Certa vez, em uma entrevista, Nabokov achou curiosa a consideração negativa de uma crítica francesa de que todos seus livros eram semelhantes. O que poderia ser taxativo de falta de versatilidade de sua paleta cromática se revelou óbvio para Nabokov. Com humor, respondeu: "A originalidade só tem a si própria para copiar".
Essa provocação, divertidíssima, é falsa em princípio, uma vez que a originalidade é uma impressão superestimada - livros nascem de livros. No entanto, trocando originalidade por obsessão, chega-se mais próximo do motor matricial do grande escritor e da sua evidente "pobreza" - ele se debruça sempre sobre o mesmo sentimento, e sua paleta não possui mais que três ou quatro cores. Verticaliza um mesmo estado de espírito, e dele retira, ainda que sua bibliografia seja vasta, o "mesmo" livro até que a morte o separe do papel.
Esse é o caso de António Lobo Antunes. O lançamento simultâneo de Explicação dos Pássaros e O Meu Nome é Legião, separa…

Matilde Ferreira Neves: Comentário a O Esplendor de Portugal

«(...) porque não entendemos Angola mesmo tendo nascido em Angola, não a terra, a variedade de cheiros, a alternância de cacimbo e de chuva, de submissão e fúria, de preguiça e violência, Angola, este presente sem passado e sem futuro em que o passado e o futuro se incluem desprovidos de qualquer relação com as horas, os dias, os anos, a medida aleatória dos calendários, quando o único calendário é a chegada e a partida dos gansos selvagens e a permanência das águias crucificadas nas nuvens». -E é nesta incompreensão martirizante e permanente que se encontra mergulhado O Esplendor de Portugal, última obra de António Lobo Antunes, cujo conteúdo nos lembra a inglória dos nossos «egrégios avós» no que toca ao colonialismo português, nódoa que de alguma forma denigre a história da nação e contrasta com a abertura do livro que é a transcrição do hino nacional.

A acção desenrola-se entre a Ajuda, a Damaia e o Estoril, tendo como cenário de fundo, Angola, terra africana que é comum aos protag…

Taize Odelli: opinião sobre Explicação dos Pássaros

Um homem relativamente jovem está em crise. Pretende se separar da segunda esposa, sua mãe está internada com poucos dias de vida, e o resto de sua família o despreza. Ele escolheu caminhos opostos aos da família, e nada do que era esperado dele se concretizou. Em Explicação dos Pássaros Rui S. compartilha seus últimos dias de vida, carregados de lembranças e previsões para seu futuro. O quarto romance do português António Lobo Antunes, em nova edição pelo selo Alfaguara, da Objetiva, narra de forma densa uma história onde o destino não pode ser alterado.

Narrador e personagem se confundem. Em longas frases, a palavra passa de um para outro constantemente, onde os pensamentos de Rui são o material principal da narrativa. Os parágrafos são igualmente longos, e não há linha que separe o que é passado, presente ou futuro. O leitor deve constatar isso sozinho, auxiliado apenas por poucas palavras que possam situá-lo. É uma leitura truncada, difícil para aqueles acostumados com aspas, trave…