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A mostrar mensagens de Outubro, 2014

Isabel Lucas: crítica a Caminho Como Uma Casa Em Chamas

Contra mim eu escrevo

Quatro andares, oito inquilinos mais um, num romance com os elementos de Lobo Antunes: o tempo, a velhice, a morte, um país às voltas com a sua identidade e o delírio de existir

António Lobo Antunes (Lisboa, 1942) contou numa crónica como lhe surgiu este romance: a desenhar uma casa na página que tinha em frente, incapaz de escrever uma frase. A casa ganhou pisos, que o escritor dividiu em esquerdo e direito, e tornou-se um prédio, um “edifício a um canto da cidade, longe do rio, com um salão de cabeleireiro à esquerda”. Depois foi arranjar inquilinos para esse prédio, dar-lhes um quotidiano e uma relação de vizinhança, paredes que deixam passar falas e com elas a hipótese, quase sempre fracassada, de adivinhar cada existência interpretando sinais. É uma tarefa semelhante à do leitor do romance, alguém que neste caso tem mais acesso a cada habitante do que a um seu vizinho, mas que nunca está na posse de todos os elementos para resolver o enigma de cada vida, apesa…

Revista SÁBADO: António Lobo Antunes na Roménia (reportagem)

REVISTA SÁBADO
nº 546 16 a 22 Outubro 2014

Reportagem de Marco Alves


A poucos dias de ser lançado um novo livro, a SÁBADO foi com António Lobo Antunes até à Transilvânia, na Roménia, onde durante três dias o escritor mostrou um lado surpreendente. Chorou, riu, cantou e confessou-se.

Assim que termina a conferência na Faculdade de Letras da Universidade Babes-Bolyai de Cluj, António Lobo Antunes tem o impulso de sempre: vai ao bolso das calças, tira um maço de Marlboro e acende um cigarro. Uma mão apoiada na perna, a outra na mesa, é notório que fumar lhe dá prazer. No corpo de 72 anos, que agora se move pesadamente, tinha já ratado (a expressão é sua) um cancro nos intestinos. Mais tarde, apareceria outro cancro no pulmão direito, e ainda veio mais outro, que se dedicou ao pulmão esquerdo. "Tive três cancros e sobrevivi. Tive imensa sorte", diz-nos. "As doenças estão todas curadas, mas saíram-me do pêlo. Foi duro..." Fumava quanto? "Quase dois maços [por dia]. Esto…

Revista Estante: «E a mão começa a andar sozinha»

Revista Estante
Entrevista de Ana Sousa Dias
Outubro 2014


Caminho Como Uma Casa Em Chamas é o título do romance de António Lobo Antunes que a Dom Quixote vai publicar em breve. Já concluiu outro e está a escrever um novo. Trabalha à mesa, primeiro em letra tão miudinha que só ele sabe desvendar. Só depois vem a versão em letra maior, redonda e certinha. À mão, porque desenhar as letras faz falta à escrita.

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Quando será posto à venda Caminho como Uma Casa em Chamas? Ainda não sei, talvez em Novembro. O primeiro país onde sai é a Holanda.
Porquê? Porque me apeteceu. Porque gosto do tradutor. É um homem que aprendeu português para me ler e é muito bom tradutor. Julgo que cada vez mais os livros vão sair primeiro no estrangeiro, e resta saber se sairão em Portugal. Este sairá cá quando eu cá não estiver, porque tenho que ir à Roménia, e depois à França e à Bélgica. Já não faço viagens compridas, não estou para isso. Uma vez fiz uma viagem do México, a Buenos Aires, por Santiago, foram tantas hor…