Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

A mostrar mensagens de Abril, 2012

Dia 3 de Maio: Lançamento e Mesa-redonda - Colecção António Lobo Antunes – Ensaio

Citado do site Centro de Estudos Comparatistas:
Lançamento e Mesa-redonda - Colecção António Lobo Antunes – Ensaio (Texto Editora)
Local: Auditório da Biblioteca Municipal de Tomar
Data: 3 de Maio de 2012, 17h30
No âmbito do evento BIBLIOTECANDO EM TOMAR 2012
Leituras Migrantes. Identidade e alteridade
Programa do LançamentoPrograma da Mesa redonda: António Lobo Antunes – Ensaio: com a participação de Maria Alzira Seixo (CEC, Directora da colecção), Agripina Carriço Vieira (Comissão Organizadora Bibliotecando em Tomar 2012), e dos autores Ana Paula Arnaut, Felipe Cammaert (CEC), Norberto do Vale Cardoso, Catarina Vaz WarrotNesta ocasião, serão apresentadas as duas primeiras obras da colecção, publicadas em 2011, assim como os próximos volumes a serem publicados. - vol. 1: Felipe Cammaert (org.), António Lobo Antunes: A Arte do Romance
(publicado com o apoio do Centro de Estudos Comparatistas ao abrigo do protocolo de edição com a Leya) - descarregar índice do vol. 1

- vol. 2: Norberto do Vale …

Encontro de Juan Marsé e António Lobo Antunes, notícia Rádio Renascença

texto e foto: Rádio Renascença

"Estamos nas mãos dos grandes grupos editoriais"António Lobo Antunes critica as imposições das leis do mercado editorial. O escritor falava esta quinta-feira na apresentação do livro "Caligrafia dos Sonhos", do catalão Juan Marsé. Numa sessão em Lisboa, que juntou os dois autores ibéricos, trocaram-se impressões sobre o ofício da escrita e ouviram-se as críticas. Quando dois grandes escritores se encontram conversam sobre livros. António Lobo Antunes pediu licença para falar em espanhol para que Juan Marsé o entendesse, mas foi para o mercado editorial português que apontou baterias. “Estamos nas mãos dos grandes grupos editoriais para quem só o dinheiro e as vendas contam. Esta é a verdade. Olhem à vossa volta, se houver cinco livros bons na livraria já não é mau. Esta é a verdade”, declarou o autor de “Memória de Elefante”. Lobo Antunes escreveu o prefácio de "Caligrafia dos Sonhos" o novo livro do catalão Juan Marsé, um amigo…

«Pensamento positivo, meu amigo, pensamento positivo»

A última crónica publicada na Visão. António Lobo Antunes continua a falar do estado do país, mas desta vez mais nas entrelinhas. E continua a falar-nos de si, que o ouvimos:

Nunca me foi tão difícil escrever uma crónica: três dias a rasgar papel. Normalmente fico uma hora ou isso, de caneta suspensa, e depois as palavras começam a sair sozinhas. Esta não, e já estou farto de deitar frases para o lixo. Julgo que se deve ao facto de ter demasiadas coisas dentro de mim, de viver uma altura difícil, de me achar melancólico e revoltado. Melancólico com a minha situação, revoltado com a situação do meu país. É raro o dia em que não me pedem - Não me arranja um emprego? a mim, que não possuo poder nenhum, e lá fico a ouvir histórias desesperadas e tristes. Os portugueses estão a sofrer muito, e o sofrimento dos portugueses é mais importante que o meu: que direito tenho de me queixar seja do que for? Quanto a mim não consigo fazer nada, quanto aos outros a minha importância colectiva é nula.…

Dia 26 de Abril: encontro de ALA com Marsé na Buchholz

clique na imagem para ampliar

fonte: LEYA

ALA that jazz, por António Bettencourt (*)

“Você era de certeza o único pai que pregou no quarto de um filho o retrato de Charlie Parker.”  (“Você” in Terceiro Livro de Crónicas)

Memória da infância, presença assídua na obra, o retrato de Charlie Parker terá sido talvez uma das primeiras imagens do jazz na vida de António Lobo Antunes (ALA). Um retrato que o pai decidiu colocar no quarto dos dois filhos mais velhos, como um profano crucifixo 


(“E os olhos de Charlie Parker tristíssimos nas fotografia.”)
Charlie Parker uma e outra vez, insistentemente repetido nos romances e nas crónicas, como variações de um mesmo tema: 
“Charlie Parker interrompeu uma vez uma gravação atirando com o saxofone aos gritos
-Já toquei isto amanhã
e ninguém foi capaz de convencê-lo a continuar.”
Também esta convergência dos tempos (amanhã igual a ontem) preenche a quase totalidade dos romances do escritor.
António Lobo Antunes será porventura o escritor português que mais referências ao Jazz faz na sua obra, um género musical que acompanha de perto a sua vi…

Damian Kelleher: opinião sobre Fado Alexandrino

É noite avançada, em Lisboa, Portugal, e cinco homens do exército convivem no décimo aniversário do seu regresso da guerra em Moçambique. Desde o horror vivido em África, alguns destes homens  foram promovidos, outros se divorciaram , casaram, voltaram a casar, rebaixados, demitidos, iniciaram negócio próprio, cuidaram dos seus familiares, enterraram outros. Discutem as suas vidas sobre o vinho, as línguas enrolando à medida que o álcool vai fluindo. Em poucas horas, um dos homens será morto, assassinado, apunhalado pelas costas por um dos outros soldados.
Para reduzir a intriga à sua pura essência, o parágrafo acima pode resumir Fado Alexandrino. Porém, este difícil, extravagante e aberto romance  abrange muito mais com cada uma das suas quase quinhentas páginas. O impacto deste romance não está no que é relatado, mas na maneira como é relatado, a forma com que António Lobo Antunes consegue tecer cinco vidas diferentes num todo coerente, abarcando mais que uma década.
Lobo Antunes reco…

Do leitor Rui Sousa: «Obrigado por escrever para mim»

Caro António,Obrigado por escrever para mim.Conheci-o em 1991. Tinha eu 17 anos e devorava livro atrás de livro na biblioteca municipal da minha terra. Biblioteca a estrear, antes até de estrear que a inauguração só no ano seguinte quando um Sr. Politico por lá passou.
No primeiro dia que lá entrei, subi ao 1º andar, e decidi: vou ler a começar daqui (início da prateleira central onde estavam os escritores Portugueses), pelo menos um livro de cada autor. E assim foi. Nunca percebi a ordem porque estava organizada a dita prateleira, não era alfabética, não era cronológica, talvez não houvesse ordem. Comecei na tal ponta. Sempre que acabava um livro passava os olhos pela estante e olhava os seus. Como não olhar? Para um miúdo de 17 anos "Os Cus de Judas" dá nas vistas. Os seus estavam na outra ponta da estante. Apesar da curiosidade respeitei a regra de pelo menos um de cada e antes de chegar a si passei por Júlio Dinis; Antero de Quental; Urbano Tavares Rodrigues; Manuel da Fonse…

Teolinda Gersão: recensão crítica a Explicação dos Pássaros na Colóquio Letras nº 72 de Março de 1983 – pp. 102 a 104

«As asas batiam num ruído de folhas agitadas pelo vento, [...] eu estava de mão dada contigo e pedi-te de repente Explica-me os pássaros. [...] tu sorriste e disseste-me que os ossos deles eram feitos de espuma da praia, que se alimentavam das migalhas do vento e que quando morriam flutuavam de costas no ar, de olhos fechados como as velhas na comunhão».
Este diálogo representa para a personagem um momento privilegiado da infância, o momento em que o pai é poeta e Rui S. se assume como seu filho. Na harmonia cúmplice das mãos dadas, ambos partilham o mistério das coisas, e passa de uma mão para a outra a chave do universo que é também - os poetas sabem disso - a chave do seu próprio ser.
Este momento, ao qual a personagem sempre de novo, obsessivamente, regressa, não existiu contudo, provavelmente, nunca: apenas houve uma série de equívocos. Desde logo porque os poetas são rigorosos, e quase tudo, nessa frase, é falso. O homem que disse essas palavras (ou nem sequer disse, talvez, e a c…

«Nação valente e imortal»

Crónica na Visão desta semana. Boa demais para deixar passar sem partilhar aqui:

Agora sol na rua a fim de me melhorar a disposição, me reconciliar com a vida. Passa uma senhora de saco de compras: não estamos assim tão mal, ainda compramos coisas, que injusto tanta queixa, tanto lamento. Isto é internacional, meu caro, internacional e nós, estúpidos, culpamos logo os governos. Quem nos dá este solzinho, quem é? E de graça. Eles a trabalharem para nós, a trabalharem, a trabalharem e a gente, mal agradecidos, protestamos.
Deixam de ser ministros e a sua vida um horror, suportado em estóico silêncio. Veja-se, por exemplo, o senhor Mexia, o senhor Dias Loureiro, o senhor Jorge Coelho, coitados. Não há um único que não esteja na franja da miséria. Um único. Mais aqueles rapazes generosos, que, não sendo ministros, deram o litro pelo País e só por orgulho não estendem a mão à caridade. O senhor Rui Pedro Soares, os senhores Penedos pai e filho, que isto da bondade as vezes é hereditário, dúz…