12/07/2015

Exposição de fotografia «O mundo de Lobo Antunes» de Ana Carvalho

Será inaugurada na próxima sexta-feira, dia 17 Julho, na Biblioteca Florbela Espanca em Matosinhos, a exposição «O mundo de Lobo Antunes», pela fotógrafa Ana Carvalho. O evento estará patente no local até 19 de Setembro.


Ana Carvalho nasceu no Porto e actualmente reside na Holanda, sendo casada com Harrie Lemmens, o tradutor holandês de António Lobo Antunes. Além de fotógrafa é também tradutora, sendo Master of Arts em literatura inglesa e alemã. Tem exposto desde 2009 e colabora em diversas revistas.

Esta exposição, que irá estar presente na Biblioteca Municipal Florbela Espanca de Matosinhos desde 17 de Julho até 19 de Setembro, vem, segundo nos adiantou Ana Carvalho, do prolongamento de uma outra que fez na Holanda a propósito da apresentação do livro Als een brandend huis, a tradução de Caminho Como Uma Casa Em Chamas para holandês, pela mão do marido. «Como tinha outras fotografias que se enquadravam no ambiente da obra de Lobo Antunes, resolvi criar no meu website um tema justamente com o título da exposição (O mundo de Lobo Antunes). Mas já há muito que queria fazer qualquer coisa nesse contexto. O momento decisivo foi quando, depois de ler na Visão a crónica “O encontro” (e que eu vi sempre mais como um desencontro), a relacionei imediatamente com uma fotografia que tinha tirado antes no pátio do CCB com dois vultos que se cruzam sem se encontrar. Entretanto, fotografias minhas têm servido para ilustrar vários artigos que o Harrie escreveu sobre o Lobo Antunes. O tema da minha exposição é, portanto, algo que resulta de outros projetos e do meu fascínio, desde “Memória de Elefante", pela obra do António Lobo Antunes».

A entrada para a exposição é gratuita e Ana Carvalho terá gosto em receber-nos em Matosinhos, na próxima sexta-feira, para a sua inauguração (a partir da 18H30).


links:

06/07/2015

Irmãos Lobo Antunes no Festival Internacional de Cultura em Cascais

Manos Lobo Antunes cruzam vidas no Festival de Cascais




O auditório da Casa das Histórias de Paula Rego ficou sem lugares para assistir à conversa sobre livros entre os dois irmãos. Que decorreu ora num tom de brincadeira entre irmãos adolescentes ora no de divergência de opiniões entre adultos. No primeiro caso, a deixa de João Lobo Antunes sobre o atraso de António Lobo Antunes: "A noiva chega sempre tarde". No segundo caso, a opinião sobre o pai. Nada que não provocasse gargalhadas na plateia, diga-se.

Esclareça-se que o encontro entre os manos fora anunciado mas até António chegar a Cascais a organização nunca pôde dar como certo a sua realização. A contagem decrescente terminou à hora marcada para o início e a partir daí tornou-se crescente, acompanhado de um abano dos leques [que] era cada vez mais frenético. Contaram-se os 15 minutos sobre o atraso dos manos. Contaram-se os 25 minutos. Quando ambos surgiram no topo das escadas, a plateia já estava aquecida para o grande momento. João desceu à frente, já de microfone colocado; António ficou lá por cima, olhando espantado para a sala repleta, antes de iniciar uma caminhada em que distribuía beijinhos para os rostos seus conhecidos. Ia começar o "improviso espontâneo" que, segundo João, fora acertado num minuto em conversa telefónica: "Decidimos começar pela infância." Logo aí se percebeu que o anunciado "diálogo entre escritores" se tornara uma conversa entre o irmão mais velho, António, e o irmão mais novo, João. O que se seguiu foi aquilo que no fim João Lobo Antunes, ao evocar Simenon, dizia sobre a mulher do inspector Maigret quando este ficava calado: "Era preciso mobilar o silêncio."

06.07.2015
texto (excerto) de João Céu e Silva
foto de Carlos Manuel Martins

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Mais de 200 pessoas assistem a conversa "inédita" entre irmãos Lobo Antunes


O diálogo entre os dois irmãos, incluído no Festival Internacional de Cultura, que se realiza pela primeira vez, foi apontado como um dos grandes momentos de todo o evento, que arrancou na sexta-feira e decorre ao longo de dez dias.

Eram 22:00 de sábado, 30 minutos depois da hora prevista no programa, quando João Lobo Antunes lançou a conversa e desculpou-se pelo "atraso da noiva", referindo-se ao irmão António, arrancando logo uma gargalhada do público, que viria a repetir-se ao longo da noite.

A infância, o pai, a mãe, a medicina, a morte, mas sobretudo os livros foram os temas abordados, num regresso às memórias dos dois irmãos que, sem nunca se atropelarem, apoderaram-se equilibradamente da palavra.

Sob o olhar atento de quem assistia, muitas das pessoas em pé, não se ouviu burburinho e a atenção estava toda centrada em João e António que, unidos pelos livros, como os próprios disseram, foram contando episódios de família e da austeridade dos pais, que, desde sempre, impuseram o hábito pela leitura.

"A mãe fazia duas coisas: ou lia, ou cozinhava", contou João.

"Às vezes também dizia: cala o bico", acrescentou António, que reconheceu também "a dívida para com o pai que é o amor pelas coisas belas".

Numa família de médicos, João era "o filho bom" e António "a nódoa", segundo o escritor que confessou nunca ter tido vocação para a medicina e que, aos nove anos, comunicou à família que queria ser escritor.

Num momento de troca de elogios, João disse que António "era um grande criador da Língua Portuguesa", mas o escritor reconheceu que "escrever é um tremendo sofrimento e o sucesso, quando se tem, é uma coisa tão passageira".

A conversa desviou-se ainda para a morte, tendo por base os livros que chegaram a motivar a discórdia entre os irmãos.

"Há uma diferença grande entre nós na apreciação de alguns escritores", disse João, enquanto António insistia: "se é uma porcaria, digo que é uma porcaria".

Ao fim de mais de uma hora e dois cigarros fumados por António, João Lobo Antunes deu a conversa por terminada, arrancando uma ovação do público.

A escritora Lídia Jorge, curadora do Festival Internacional de Cultura (FIC), tinha apelidado este como "um dos grandes momentos" do evento e, segundo contou à Lusa, isso "cumpriu-se".

"Foi um encontro muito especial. Este diálogo entre eles foi um momento único, foi uma conversa inédita", disse Lídia Jorge.

A curadora considerou que a "casa cheia" de [sábado] é um bom augúrio para todo o festival e sublinhou que o sucesso do evento irá determinar a periodicidade das próximas edições, garantindo que o "FIC é para ficar".


06.07.2015
texto Lusa

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Pode ouvir a conversa entre os irmãos no programa da A Ronda da Noite, de Luís Caetano na Antena 2. Eis os links da RTP Play:

1ª parte - http://www.rtp.pt/play/p1299/e201660/a-ronda-da-noite (aos 7 minutos)
2ª parte - http://www.rtp.pt/play/p1299/e201809/a-ronda-da-noite (aos 11 minutos)

03/07/2015

«Ivo Ferreira filma as cartas de amor do alferes Lobo Antunes»

Notícia do Público




D’este viver aqui neste papel descripto: Cartas da Guerra compila as cartas que um alferes de 28 anos, destacado para Angola, escreveu à mulher. A voz de um namorado, pai e escritor em construção, hoje o autor António Lobo Antunes, tornada personagem colectiva num filme em rodagem.


O homem entrou em casa, de madrugada, avançou para o quarto, como que guiado pela voz da mulher grávida que lia à sua barriga uma carta. A futura mãe tinha em mãos as páginas de uma das missivas de amor que integram um livro: aquele que compila as cartas escritas por um alferes médico de 28 anos, destacado logo após a conclusão do curso de Medicina para uma comissão de serviço em Angola (1971-1973), à mulher grávida que deixara em Lisboa.

Esses dois homens existem, o mise-en-abyme não é pura ficção. São Ivo Ferreira, realizador, e António Lobo Antunes, escritor. O primeiro, que na tal noite entrou em casa e ouviu a mulher a ler ao bebé por nascer páginas de D’este viver aqui neste papel descripto: Cartas da Guerra, volta – isto é, se pensarmos numa longa-metragem anterior, Águas Mil (2009) – a deixar a sua vida ser interceptada pelas biografias dos outros como quem tacteia fantasmas, segredos da História recente de Portugal, seguindo o fluxo das histórias contadas de pais para filhos e destes para os seus filhos. O segundo, o autor das cartas, um jovem médico com sonhos de escritor mas atirado para a guerra, refugiando-se nas cartas à mulher que o esperava em Lisboa, é hoje o autor António Lobo Antunes mas era ali, no livro e no filme que Ivo adapta e que por estes dias termina a rodagem, um autor, um pai, um marido em construção – personagem interpretada pelo actor Miguel Nunes.

“O filme tem a ver com coisas que me interessam, um país a agonizar no fascismo, mas nesse cenário algo que tem a ver com crescimento”, diz Ivo Ferreira, “o crescimento de um autor, de um pensador, alguém que caminha para ser melhor, como namorado, como marido, como pai” – foram as filhas do escritor, Maria José Lobo Antunes e Joana Lobo Antunes, que publicaram em [2005] a edição de D’este viver aqui neste papel descripto: Cartas da Guerra por vontade expressa da mãe de ambas que morreu em [1999].

“Embora eu não tenha tido qualquer experiência biográfica, família em África ou pai que foi para a guerra, a verdade é que a guerra vive comigo há uma vida, até pela opção política dos meus pais, pelo exílio”, continua o realizador. “E parece que continuamos com pudor em filmar isso. Eu próprio, quando miúdo, achava que aqueles homens tinham ido para a guerra porque eram pessoas más, quando afinal tinham sido empurrados. O que me interessa é saber como é que um país pode atirar os seus homens para uma situação que não faz sentido.”

Com mais de quatro dezenas de personagens, esta produção O Som e a Fúria, a partir de um argumento de Ferreira e de Edgar Medina, teve uma primeira rodagem em Abril e Maio na província do Kuando Kubango, em Angola (“numa pequena aldeia onde não havia água, não havia nada, foi uma rodagem com acidentes, doenças e tragédias”) e está agora aquartelada no campo de tiro de Alcochete para a última semana de filmagens.

É um projecto que se afigura cheio de singularidades e delicadezas: é a adaptação de uma obra, constitui o passado biográfico de quem não só ainda pertence ao mundo dos vivos como se agigantou na esfera pública e, claro, tudo isso é material de que o realizador se quis apropriar. “Também é um filme sobre a forma como as cabras num monte dão lugar às girafas na selva.” E como filmar as cartas, como evitar a reiteração pelas imagens do que uma voz-off “escreve”?

“As cartas são a nossa estrela polar”, responde Ivo Ferreira – “nossa” porque é autor, com Edgar Medina, do argumento resultante de um trabalho de investigação histórica, de entrevistas a antigos combatentes, de recolha documental, iconográfica e musical do período. “Mas fomos buscar coisas aos primeiros livros [de Lobo Antunes, Memória de Elefante e Os Cus de Judas], porque há temas recorrentes. As cartas ajudam a estruturar a narrativa. Mas não é um filme com muita voz-off, e é uma voz colectiva. As cartas são um refúgio. Escreve-se pelo amor, é pelo amor que se sobrevive. As cartas de amor surgem aqui quando o presente não pode ser vivido.”

A delicadeza do projecto está, afinal, na possibilidade de negociação entre uma história que é património dos seus protagonistas e o desejo de apropriação de um realizador. “Sei que estava a pegar numa história de pessoas que eu conhecia e que falava das suas vidas, da história de amor entre o pai e a mãe. Só quereria fazer o filme se houvesse [da parte de Maria José Lobo Antunes e Joana Lobo Antunes] desejo disso, mas simultaneamente se me deixassem livre. Tive uma primeira conversa com elas, imediatamente desenhei o filme, e a partir daí foi trabalhar no argumento. E ver até que ponto continuava o interesse delas. Estou consciente do imenso compromisso e da imensa responsabilidade de não trair a confiança que me foi depositada.”


fonte: Público
texto de Vasco Câmara
foto Público
02.07.2015

02/07/2015

"Sugestões para o lar" a partir de António Lobo Antunes no palco em Gaia


A ideia de adaptar crónicas de António Lobo Antunes partiu da companhia As Boas Raparigas e Nuno Pino Custódio aceitou o desafio, cujo resultado vai estar em cena no Armazém 22, em Gaia, neste primeiro fim de semana de Julho.

A peça desenrola-se a partir de vários textos do escritor português como "O Natalzinho" ou "Crónica descosida porque me comovi", falando-se de "famílias que desembocam em casas numa felicidade que o autor descreve como 'assim-assim'", explicou aos jornalistas o responsável pela dramaturgia e encenação, Nuno Pino Custódio.

"Ainda estamos a descobrir que espectáculo é este", reconheceu o encenador da peça que volta a estar em cena de 10 a 27 de Setembro.

Notícia Lusa
01.07.2015

Crónica «Nós» com reflexão sobre a sua leitura por Olga Fonseca

Nós Não precisávamos de falar. Como ele dizia – Tu sabes sempre o que eu estou a pensar e eu sei sempre o que tu estás a pensar ...