Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

A mostrar mensagens de Novembro, 2011

Site aberto para mensagens e dedicatórias dos leitores a António Lobo Antunes

Caros leitores de António Lobo Antunes:

Abrimos este blog aos leitores que de alguma forma queiram expressar o seu agradecimento ao autor e dirigir-lhe algumas palavras nesse sentido, ou outra mensagem que achem importante. Mensagens que não reflictam opinião de leitura concreta de um título (essa matéria já é tratada de forma diferente), e que, por falta de espaço e/ou visibilidade das caixas de comentários, queiram partilhá-las de forma mais directa com os outros leitores e visitantes deste blog. 
Antes de avançar para as condições que permitam expressarem-se sobre/ao escritor, devo alertar para o facto de que António Lobo Antunes (ALA) não é utilizador da Internet pelo que o blog não é lido de forma directa ou por vontade própria do escritor. Se tem conhecimento de artigos aqui colocados é tão só através de terceiros, pessoas próximas de ALA que visitam este espaço - não sabemos com que regularidade - e lhe transmitem um ou outro assunto. Portanto, o facto de serem colocadas aqui as …

Fernando Martins: opinião sobre Comissão das Lágrimas

Comissão das Lágrimas, narrativa cubista?
“Se as vozes não voltam não se escreve este livro e o que é este livro senão pessoas tentando abrir a porta” (Comissão das Lágrimas, p. 52)
“Se for mulher, metes-lhe Cristina” (p. 86), dizia a Simone o Senhor Figueiredo, “dono da fábrica, da modista, do escritório” (p. 51), na realidade dono do cabaret. “Simone, apesar de chamar-se Alice” (p. 19), mãe de Cristina, “viera de barco para dançar num teatro e não era teatro que lhe chamavam” (p. 12). O pai putativo (“diz-se que o patrão pai da filha, diz-se que o marido padre”, p. 90), preto (sempre este epíteto – estigma e farpa), “foi padre, não era padre já” (p. 12). O avô cego que “tacteia o mundo (…) convencido que as mãos, ao moldarem o ar, fabricam parentes” (p. 50) e o tio que “separa o corpo” da sobrinha, com a advertência “Nem pio” (p. 89). São estas algumas das vozes que povoam esta narrativa nos limites do caótico, em que Cristina, narradora privilegiada, retornada de uma Angola a viver o…

Colecção António Lobo Antunes - Ensaio

No dia em que foi publicado o 2º volume da Colecção António Lobo Antunes - Ensaio, dirigida pela Professora Maria Alzira Seixo, e publicada pela LeYa com a chancela da Texto Editores, a ensaísta fala-nos, em traços gerais, sobre a importância desta colecção (para já os dois volumes agora publicados, cf abaixo) e dos seus autores:
Estou muito feliz com a publicação destes dois livros sobre António Lobo Antunes, A Arte do Romance e A-Mão-de-Judas.

Eles mostram como os investigadores literários de agora continuam a dedicar-se à leitura atenta dos textos, à formação teórica, à reflexão inventiva e original.

No primeiro caso, vê-se como várias gerações, dos seniores aos mais jovens, abordam, de diferentes perspectivas, um grande autor - e isso é enriquecedor para todos os que os lerem. O título A Arte do Romance é o que mais adequadamente poderíamos atribuir à prática romanesca de ALA, e os seus diversos modos de concretização estão quase todos presentes neste conjunto de estudos, em que a «…

Manuel Cardoso: opinião sobre As Naus

Um livro bem diferente de tudo o que António Lobo Antunes tem escrito. Diferente em dois aspectos gerais: a escrita (neste livro mais épica e menos lírica) e a temática (os descobrimentos, em paralelo com a descolonização).

Relativamente ao estilo, bem se pode dizer que, mais do que nunca, neste livro a escrita é um convite ao passeio pelas palavras. A fazer lembrar a escrita barroca, a linguagem de ALA, neste livro, atinge níveis de beleza excepcionais. Brincando com as palavras sem que nunca esta preocupação estética ultrapasse totalmente o conteúdo:
“No decurso desses cinquenta e três anos construíram-se mais umas dezenas de capelas imediatamente em ruína, um bairro para os operários da fábrica de sonetos gongóricos e para os cronistas desempregados que catavam cedilhas da barba, e um sistema de esgotos eternamente entupido por embriões de sapos. A criatura dos mosquitos finou-se da vesícula e os insectos passaram a circular em liberdade, apesar das osgas, do esquentador avariado par…

Santiago Pérez Isasi: opinião sobre O Esplendor de Portugal

António Lobo Antunes, para quem não o conhece, é o outro grande romancista Português da segunda metade do século XX (o "outro", sendo o "tal" supostamente, é José Saramago). Na verdade, isso já é uma opinião muito pessoal, Lobo Antunes é mais romancista que Saramago. Saramago será sempre, na minha opinião, um intelectual comprometido que escreveu romances, enquanto que a Lobo Antunes se reconhece como o romancista "de raça" (expressão tão feia), que por vezes faz o seu papel de intelectual.
Comenta-se muito que Lobo Antunes é um eterno candidato ao prémio Nobel, e quem sabe não venha acabando por recebê-lo. Na verdade, eu acho que ele o merece. No entanto, acho que não conseguirá ter esse favoritismo do público em geral, porque não é de todo um autor fácil. O que Lobo Antunes oferece em seus romances (e em O Esplendor de Portugal em particular) é a consciência nua das suas personagens: o discurso da memória, saltando entre diferentes tempos e entre os dife…

Larry Rohter: opinião sobre The Land at the End of the World (Os Cus de Judas)

Sobre a ingénua missão num império colonial moribundo

Experiências de combate são como as famílias infelizes de Tolstoi: não há duas iguais, e pode ser por isso que muitas das vezes valem grandes romances, como Tolstoi também sabia. O motivo não tem de ser necessariamente nobre, uma vez que situações de desespero e de violência sem sentido podem na realidade dar força a uma obra de ficção. É certamente o caso de Os Cus de Judas de António Lobo Antunes, passado em Angola no início dos anos 70, quando Portugal faz um esforço absurdo para preservar o Império em África que sinuosamente caminhava para um fim inglório.

O narrador sem nome é um jovem médico arrancado de uma vida confortável em Lisboa e forçado a passar 27 meses na linha de frente tratando dos seus camaradas infelizes. Ressente-se por terem sido feitos "agentes de um fascismo provincial que foi corroendo e corroendo-se com o ácido lento de sua própria triste e paroquial estupidez." Mas principalmente fica enojado com …

Ricardo Salvalaio: opinião sobre O Meu Nome É Legião

Com título inspirado numa citação do Evangelho de São Lucas, “O Meu Nome é Legião” começa como um relatório de polícia, descrevendo a vida de uma gang numa zona a que se chama simplesmente Bairro e que pode fazer evocar qualquer bairro periférico de uma grande cidade. Histórias se cruzam no pano de fundo do Bairro e é normal - o autor mostra que aquilo que existe de mais parecido com a salvação é esquecer tudo o que aconteceu e pensar: "Não tenho medo de vocês, não tenho medo de nada".
É noite num bairro afastado de Lisboa quando oito garotos, com idades entre 12 e 19 anos, roubam dois carros. Ao alcançarem uma auto-estrada, passam a praticar crimes bárbaros madrugada adentro. Gusmão é um policial desiludido. Ignorado pelos colegas e em vias de se aposentar, redige um inquérito sobre oito jovens delinquentes e seus actos bárbaros ao longo de uma madrugada.

Mas o texto, aparentemente técnico e objectivo, aos poucos se transforma em uma trama narrativa de múltiplas vozes, em que…

«Vivemos num neofascismo capitalista»

“Numa altura tão difícil e injusta, que os portugueses têm aguentado com uma paciência que eu considero inexcedível, em que vivemos num neofascismo capitalista, que afasta ainda mais as pessoas da cultura e dos livros, estar aqui hoje é, também, um acto de protesto”, disse ontem, em Faro, o escritor António Lobo Antunes, durante uma conversa com leitores a propósito do seu último livro "Comissão de Lágrimas".
Num registo informal, perante uma sala lotada, com perto de uma centena de pessoas, o escritor respondeu às várias questões colocadas pela assistência, falou do seu último livro e teceu críticas ao estado da cultura em Portugal, alertando para o excesso de lixo televisivo, a falta de programas culturais e a inexistência de bons livros.
“Tudo isto é altamente conveniente para o poder político que, na realidade, é o poder económico, porque um povo culto não consente este tipo de existência que vivemos agora, e começa a exigir. Por isso, a cultura é perigosa e assusta o pode…

Andrei Barros Correia: opinião sobre O Manual dos Inquisidores

Gosto de escrever pela manhã. Mas terminei de ler O Manual dos Inquisidores agora e já é noite. As impressões estão fortes na cabeça, talvez não deva perder a oportunidade, mesmo que saia mal pensado e apressado.
Há dois anos, mais ou menos, o Miguel me dizia da leitura do Lobo Antunes que era difícil. Eu enchia a paciência dele a perguntar de autores portugueses, que excepto por Eça e Saramago pouca coisa tinha lido. Com a paciência de quem gosta do assunto, Miguel falava de um e outro. Do Lobo Antunes lembro-me da advertência.

Tanto que ficou muito para depois o Lobo Antunes, para agora. O homem facilita a percepção de que ele seja meio louco, diz que escreve talvez para remediar-se. Que escrever e ser psiquiatra são coisas próximas. E fica a parecer real, porque muito psiquiatra é médico para tratar de si mesmo. Mas, deixo isso para lá.

Não andei em busca de críticas e resenhas do livro, apenas li aquelas bobagens que vêm nas orelhas e nas contra-capas. Sempre são bobagens, é impressi…

Simão Fonseca: opinião sobre Quarto Livro de Crónicas

Ao quarto livro, mais setenta e nove crónicas. António Lobo Antunes escreve com regularidade para a revista Visão desde há uns anos para cá, onde são publicados textos que se destacam pela sua melancolia contrastante com o humor do autor, e a D. Quixote encarrega-se depois de fazer a sua compilação, como acontece neste agradável Quarto Livro de Crónicas – o primeiro data de 1998.

Ao largo destas quase oitenta crónicas, António Lobo Antunes viaja pelo seu passado, recuperando as memórias da infância em Nelas e Benfica, dos avós e dos pais, da mercearia do Sr. Casimiro, da caça às lagartixas, das travessuras, dos professores da escola, dos amigos, da escrita precoce ou da aptidão para jogar hóquei. A guerra colonial em Angola é também assunto em destaque, fazendo Lobo Antunes questão de mostrar ao leitor o carinho, os maus momentos e a saudade que nutre pelos seus camaradas – alguns já mortos - sempre que pensa neles ou quando há jantares de reunião e convívio entre velhos amigos que são…

Na edição de Novembro, a LER...

... dá-nos um presente: George Steiner e António Lobo Antunes, em exclusivo.


Citando integralmente o post de ontem no blog da LER:


Sete meses depois de ter revelado, em entrevista à LER, algum pudor em se encontrar com o «gigante» português, mas que «adoraria conhecê-lo», George Steiner recebeu António Lobo Antunes em sua casa, nos arredores de Cambridge, por onde passaram Jorge Luis Borges ou Arthur Koestler. Duas horas de conversa (sem interferências, guiões combinados ou cortes) sobre os clássicos, os mestres, a poesia, mas também as guerras, a política, a «era da mulher», a língua, a crise atual, a falta de esperança dos jovens a até os momentos de grande decepção. 9 de outubro de 2011 fica definitivamente na memória de ambos. E na nossa. Um momento ímpar na LER de Novembro.
«Considero-o a si e a Tchécov dois génios nos quais a Medicina é importante na imaginação. […] Você perdoa muito ao Homem, não é um mestre do ódio. Há grandes escritores que são mestres do ódio. Você e Tchécov, e…