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Mensagens

A mostrar mensagens de Agosto, 2010

Pedro Tavares: opinião sobre Memória de Elefante

Não vale a pena esconder que não comprei este livro apenas pela minha "curiosidade" em conhecer a obra de Lobo Antunes. Comprei o livro acima de tudo pela edição. Ler António Lobo Antunes era um interesse que foi alimentado com essa aquisição, não antes disso.


Escrito em 1979, "Memória de Elefante", juntamente com "Os Cus de Judas" (escrito no mesmo ano) figuraram juntos numa edição limitada numerada e autografada pelo autor (num conjunto de 500 packs). Curiosidade: o meu número é o 42. As capas são bastante bonitas, a qualidade do papel é impecável, só restava saber o que escondiam as suas páginas.

Há umas poucas noites espequei-me à frente das minhas estantes, cheias de livros por ler. Peguei, num acto cego, neste livro. Não escondo que adorei o que me foi apresentado.

Este livro não se trata de um enredo em busca de uma solução, mas sim de um homem em busca de um sentido. O psiquiatra (irónico sem dúvida o seu emprego) é um homem profundamente deprimido, …

Bernardo Scartezini: sobre O Arquipélago da Insónia

A casa da noite eterna
O passado grandioso de uma decadente família assombra o casarão que abriga O arquipélago da insónia
O estado de extrema vigília, a insônia, parece induzir no infeliz uma lógica ilógica vizinha à dos sonhos. Os livros de António Lobo Antunes parecem serem criados nesse lusco-fusco, nessa fronteira obscura entre o sonho e a vigília. Não apenas este recente O arquipélago da insónia, que já traz no próprio título o mal que lhe aflige, mas também outros tantos, desde os primeiros, desde os romances iniciais — como Conhecimento do inferno (1980) — ainda assombrados pelos fantasmas da guerra civil angolana presenciada pelo autor como médico psiquiatra em campanha.

Os fantasmas que pairam ao redor e alimentam O arquipélago da insónia são entes de outra natureza. Elementos ficcionais, explica Lobo Antunes, nascidos do exercício a que ele se propôs: escrever uma trilogia sobre o interior rural de Portugal. Este volume, original de 2008, se passa entre as paredes de um antigo…

Maria Celeste Pereira: opinião sobre A Ordem Natural das Coisas

Terminei a leitura deste livro há, seguramente, uma semana. Entendi necessário um tempo de reflexão sobre o mesmo antes de escrever a minha opinião.

Gostei muitíssimo do livro. Foi, talvez, dos de mais difícil compreensão mas também dos que mais me impressionou até agora.

Considero-me bastante ignorante no que diz respeito à obra de ALA sobretudo pelo muito que ainda me falta ler. Contudo, mesmo considerando os erros de opinião que possa cometer pela falha apontada (a qual estou a tentar colmatar lendo os livros que não li e relendo outros que já li há demasiado tempo, procurando fazê-lo numa lógica de cronologia de publicação), pareceu-me sentir neste livro um ponto de viragem. Pareceu-me mais aproximado das publicações mais recentes e, consequentemente, um pouco mais distante da quase linearidade dos primeiros.

Mesmo a mim me parece estranho, paradoxal até, chegar ao fim da leitura de um livro, completamente agarrada e com pena de ter terminado sem, contudo, ter a certeza absoluta de o…