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Mensagens

A mostrar mensagens de Outubro, 2004

Anabela Filipe: opinião sobre Livro de Crónicas

Sobre o Lobo Antunes já tudo foi dito. Ele escreve bem, é genial. É bom, tem feitio difícil. Fez isto e aquilo. Curou loucuras. Enlouqueceu. Escreveu isto, aquilo e mais aquilo. Devia, ou nem por isso, ter ganho o Nobel. Tem temas recorrentes. É original. Recentemente lançou “Não Entres Tão Depressa Nessa Noite Escura” em que mais uma vez escreve no feminino e me fez acreditar que entre aquelas palavras eu sei que ele sabe aquilo que ele sabe que eu sei! Mas não foi a primeira vez que isto aconteceu, tudo começou há muitos anos com “A Ordem Natural das Coisas”... que alterou a ordem natural dos meus pensamentos e me deixou até hoje com muito mais dúvidas. Tudo isto porque ele é brilhante a observar. Exímio. Neste livro de pequenas crónicas ficamos abismados com o que consegue ver: reconhecemos estereótipos em “ Os meus Domingos”, vemos descritas com um humor refinado pequenas e grandes angústias, criticas subtis que atravessam todos os estratos sociais em Portugal nas últimas décadas.…

Célia A. N. Passoni: dissertação sobre Os Cus de Judas

Os Cus de Judas
(1) Para esse estudo foi utilizada a edição portuguesa da obra Os Cus de Judas, Lisboa, Publicações Dom Quixote, 1997, 19ª edição. A língua utilizada é o português de Portugal, portanto, diverso da língua escrita no Brasil.
1. O autor
António Lobo Antunes é considerado um dos mais instigantes escritores portugueses do século XX. Nascido em Lisboa em 1942, licenciou-se em Medicina e especializou-se em Psiquiatria, decorrendo daí sua tendência de analisar, sob o prisma da Psicologia, a criação artística, o que o levou a escrever trabalhos sobre grandes escritores como Bocage, Antero de Quental, Lewis Carroil, entre outros.
Como romancista, vem publicando desde 1979. Seus três primeiros livros - Memórias de Elefante (1979), Os Cus de Judas (1979) e Conhecimento do Inferno (1980) constituem uma trilogia autobiográfica, sendo considerada sua obra-prima Os Cus de Judas.Escreveu, entre outros, quinze romances, entre os quais: Exortação aos Crocodilos, Explicação dos Pássaros, Aut…

Nuno Barbosa: Comentário a Auto dos Danados

Pano de fundo: pós 25 de Abril, Alentejo, o "avanço comunista".

Situação: uma família em queda livre, a morte do "patriarca", a demanda por uma herança ilusória:

"(...) uma família nojenta de cabras e bois mansos a devorarem-se mutuamente no casarão do Guadiana, a sonegarem-se as heranças, a odiarem-se, a roubarem-se a esmagarem-se, a destruírem-se, e tudo isto debaixo da boquilha e da pálpebra cáustica do avô, derramado na cadeira de baloiço da sala, a assistir, numa alegria formidável à agonia da sua matriz, como se não suportasse que nada de seu sobrevivesse ao seu fim, que nada de seu continuasse insolentemente vivo após a sua morte, como se quisesse arrastar consigo as terras e as pessoas para os desconhecidos pântanos subterrâneos aonde ia, como se quisesse matá-los com ele a gozar a sua lenta dissolução nas desmemoriadas névoas do passado, o velho estendido agora na cama, a observar-nos, com o único olho válido, sem lograr falar, sem lograr mover-se, e no…