30/12/2007

Sergio del Molino: En El Culo Del Mundo


Nunca acreditei naquilo de “diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és”, muitíssimo menos na variante “diz-me o que lês e dir-te-ei quem és”. Nem sequer “diz-me o que escreves e dir-te-ei quem és”. Oxalá as pessoas fossem tão simples. Oxalá, aplicando essas premissas, pudéssemos desenvolver os parâmetros necessários com a menor margem de erro que nos permitissem etiquetar alguém apenas com um golpe de vista. A intuição, a exploração das contradições, em definitivo, o processo de descobrir uma pessoa seria reduzida a uma simples fórmula. É o que procuram os portais de internet de contactos e agências matrimoniais: afinidades eleitas mediante combinações matemáticas. Oxalá fosse tão simples julgar e conhecer, mas, por sorte, as pessoas sempre acabam por surpreender-nos, terão sempre uma parte que elas mesmas desconhecem, sempre terão uma nova cara a mostrar-nos. Por isso não me etiquetem com leviandade quando confesso o meu pecado: gosto de António Lobo Antunes.

Sim, é denso, arcaico em certas ocasiões, como um velho e artrítico deus. Cinzento e metafísico e com uma tendência barroca que com frequentemente enfeita o ritmo da narração. Mas gosto dele, desfruto-o, estremece-me. E isso não me classifica em nenhum lote intelectual, porque também gosto de muitos autores que se situam no extremo oposto, do contundente e cómico estilo desnudado. Creio que, salvas as distâncias, o bom leitor é como um bom gourmet ou um bom apreciador de cerveja (outro dia falarei da minha paixão pela cerveja): gostam dos extremos, provar novos territórios e decidir por uma leitura adequada ao momento e ao estado de espírito. Qualquer escritor pode ser sublime ou indiferente segundo a disposição que tenha o leitor, como uma boa cerveja fumada norueguesa pode saber a água de esfrega se bebida em pleno verão espanhol. Cada livro tem o seu leitor e o seu momento. Estou convencido disso. Só os clássicos aguentam firmes as releituras sob condições distintas e distantes.

Dizia que gosto de António Lobo Antunes, e não sou uma alma desgraçada pela melancolia. Lobo Antunes é uma descoberta tardia. Não havia lido nada seu até cerca de um ano, mas pouco a pouco, e graças às maravilhosas edições da Siruela, me vou embebendo cronologicamente dos livros do português, de que gosto mais do que os artigos semanais que publica na Bebelia. Comecei com Os Cus de Judas, um romance que tem tantos anos como eu e que se publicou num Portugal em pleno rescaldo revolucionário, desorientado e desarmado, empenhado em olhar para a frente e despir-se do seu passado salazarista como de roupa emprestada. Algo parecido ocorria do outro lado da fronteira, mas penso que os portugueses souberam sair das suas trevas melhor que os espanhóis, com mais dignidade e menos medo pela besta parda escondida.

O trauma de Portugal chama-se Angola. É o seu Vietname, como Marrocos foi para a Espanha dos anos 20. Angola é os cus de judas, confins do mundo. E há muito de Joseph Conrad nesta aproximação a África. É inevitável: para os ocidentais, O Coração das Trevas é o filtro pelo qual vemos, consciente ou inconscientemente, a nossa própria barbárie. Nesse conto narrado por um destemido aventureiro a bordo de um barco amarrado no rio Tamisa, Conrad inaugurou, sem intenção, a literatura da culpabilidade em que os europeus foram dando forma à nossa condição de colonizadores, conquistadores e saqueadores, e nos fomos rodeando dos nossos próprios fantasmas, olhando-os nos olhos sem saber muito bem que fazer com eles. Edward W. Said estudou isso muito bem em Cultura e Imperialismo. O romance de Lobo encaixa-se, mas nessa relação com a nossa própria má consciência. Por certo, Caché, o filme de Michael Haneke, também incursa por esses delicados assuntos, acariciando a maldita relação entre França e Argélia.

Um veterano da guerra de Angola, só e derrotado, alter ego evidente do escritor e assombrado pelos seus próprios demónios. Ele é o eixo de Os Cus de Judas. Construído em três planos temporais distintos, é uma exploração audaz, inquietante e infinitamente triste sobre a solidão, o esquecimento e as decisões que o arrependimento não remedeia. Um grande livro muito adequado para nós, europeus que ouvimos o grito das culturas que sempre submetemos sem que nunca nos preocupássemos em entender. Uma obra sem moral, como a própria vida.


por Sergio del Molino
11.02.2006
[traduzido do espanhol por José Alexandre Ramos]

23/12/2007

SIC Notícias, entrevistas de Mário Crespo - 1. Meu Nome É Legião


SIC Notícias - Jornal das 9
emissão do dia 21 Dezembro 2007



do lançamento de O Meu Nome É Legião

Entrevista na SIC Notícias: Mário Crespo fala com António Lobo Antunes no Jornal das 9.



«Mete medo entrevistá-lo»

22/12/2007

almaro: opinião sobre O Meu Nome É Legião


Ruben A. escreveu sobre Picasso em “Páginas IV”, ”foi indubitavelmente o maior criador estético e um dos maiores desenhistas de todos os tempos. Teve a grandeza de nunca cristalizar, de querer sempre mais, de vibrar em dissonância consecutiva, de dar gritos ao longo de telas definitivas.” Sinto o mesmo ao ler cada novo escrito de Lobo Antunes (em edição ne varietur, com que o autor a partir de determinada fase, passou a doar os seus “romances” aos leitores).

O meu nome é Legião são vários contos, vários relatos com a morte, umas vezes na terceira pessoa, algumas na primeira. É um livro negro (a primeira edição chega ao requinte de ter capa negra, cor que se adequa aos relatos sem esperança, deste livro de guetos e de becos sem saída).

Ao ler as histórias (todas elas com cenário de fundo o cerco pela policia ao Bairro rodeado de Figueiras bravas) recordei um álbum de fotografias de Eduardo Gageiro que durante muitos anos pousou como objecto na mesa de centro da sala de meus pais, Retratos a preto e branco, de uma miséria suja de bairros disformes e sem luz, onde uma criança espreitava por detrás de um muro, como quem se esconde de um labirinto, ou as vestes negras de um povo que chora a sua sorte, entre as cheias de 69, ou o arrastar sofrido de um povo crente, a rastejar milagres, junto do divino. Assim é também ”O meu nome é legião”, retratos a preto e branco de uma miséria que persiste e insiste em renascer de geração em geração seja ela negra, branca ou mestiça.

Lobo Antunes sublinha que este novo romance é sobre o Amor. Repetindo Ruben A.: “a Eliot e Picasso falta-lhes amor, são vertebrados demais.” Ao ler lobo Antunes sinto o mesmo, só que neste caso sinto o Amor escondido em cada palavra que se escapa da narrativa e onde o autor se deixa ver e fala sobre ele. É o melhor que o estilo antunianotem, a escrita ao som de um monólogo onde o autor fala. Ler Lobo Antunes é ouvi-lo! Ser contemporâneo de Lobo Antunes é um privilégio. Ouvir as suas entrevistas é a melhor maneira de entrar no seu universo escrito. Quando leio lobo Antunes oiço-o ao fundo nas suas deambulações, é esse o seu ritmo de escrita. Quase me atrevo a sugerir à editora que passe a vender as novas edições com um suporte áudio das entrevistas do autor. Para as gerações futuras será certamente a melhor forma de entenderem o fabuloso universo escrito de Lobo Antunes.


por almaro
08.12.2007

07/12/2007

Denis Leandro: crítica a Boa Tarde Às Coisas Aqui Em Baixo

Labirinto de Dédalo

Boa tarde às coisas aqui em baixo, de António Lobo Antunes, foi selecionado para concorrer ao prêmio Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa 2007, passou à segunda fase do prestigiado concurso e foi classificado como finalista, mas Jerusalém, do também português Gonçalo Tavares, acabou recebendo a premiação. Esse curioso “romance em três livros com prólogo e epílogo”, conforme se pode ler nas suas páginas de abertura, evoca em seu título uma frase singular e “intraduzível” – singularidade e intraduzibilidade que irão se reafirmar ao longo dessa vasta narrativa que cruza espacialidades portuguesas e angolanas numa torrente de rememorações atormentadas.

Não é sem razão que os diversos narradores que se alternam e se confundem em meio à convulsão narrativa desses excertos de histórias reclamam ajuda para narrar suas vidas irrecorrivelmente estraçalhadas: “Tão difícil explicar-me, de que maneira explicar-me, como se diz isto, quem me ajuda a contar, a ser a pá que desperta o sono, dilacera a garganta da terra e traz à luz os ossos sob as folhas secas?” (p. 45). Também o leitor, ao percorrer páginas e páginas da mais extenuante dispersão do acontecimento romanesco, vê-se impelido a abandonar sua tradicional atitude de investigador dos fatos narrados e aceitar que a esse quebra-cabeças ficcional faltam incontáveis peças – ou que para se jogar o jogo da leitura desse romance antuniano há que se aprender a jogar com peças que, aparentemente, não se encaixam.
Uma mulher de nome Marina mostra a um sujeito anônimo o que julga ser a casa onde vivera, há vinte anos, na Muxima – vila e município da província do Bengo, em Angola. Lampejos de tropas do governo, de cubanos, mercenários de toda ordem – franceses e belgas, negros e brancos –, de praias transformadas num baldio de misérias, repletas de indigentes, de cegos e crianças de muletas – “visto que todas as crianças usam muletas em Angola” (p. 19) – constroem um panorama de uma Angola pós-descolonização e pós-esperança, nessa cena continuamente entrecortada pela voz da tal mulher a afirmar reiteradamente: “– Esta era a casa”. Essa casa, invadida pela erva, afogada em destroços, a arder em chamas desde a fundação até o teto terá, logo em seguida, o que restou de suas paredes derrubado por um trator conduzido por essa mesma mulher que, ao que parece, deseja, a todo custo, soterrar o passado – ou o que quer que tenha sobejado dele.  

Tradicionalmente, o prólogo consiste em uma cena introdutória na qual se fornecem dados prévios elucidativos do enredo da peça – ao menos assim se dava na tragédia, no antigo teatro grego. Em Boa tarde às coisas aqui em baixo, o prólogo, acima brevemente descrito, algo se exime de elucidar o que quer que seja, cabendo ao leitor do texto antuniano, muito mais do que se exigia do expectador da tragédia grega, empenhar-se na busca de relações e diálogos entre o que ali revoltamente se apresenta e o que se desenvolverá nos capítulos subseqüentes.
O primeiro livro alterna as histórias de Seabra, agente enviado a Angola pelo “Serviço” – um órgão militar português não-oficial –, e dessa mesma Marina, africana mestiça, filha de pai negro e mãe branca, sobrinha de um procurado contrabandista de diamantes. A tarefa do agente Seabra é localizar os diamantes que estão em poder do tal contrabandista e, claro, eliminá-lo. Mas ocorre que, um a um, esses agentes enviados à ex-colônia portuguesa, estranhamente, não retornam de suas missões, desaparecendo sem deixar vestígios, como se devorados pela terra de África, e tendo de ser substituídos por outro, e outro e mais outro, como touros continuamente abatidos em um espetáculo de arena.

O segundo livro é narrado pela voz de Miguéis, novo agente enviado para limpar os rastos deixados pelo seu antecessor – incluindo este próprio – e recuperar as pedras. Em meio a confusas e variadas referências a ordens e relatórios, mapas e coordenadas, fronteiras e rios, perpassam considerações subjetivas e reminiscências de coisas irrecuperáveis – que vão desde pais que se tenta, sem sucesso, agradar e copiar, passando por vidas conjugais desfeitas e filhos que não respondem à demanda de afeto de seus pais e vice-versa, até escarnecedores patos de plástico da infância –, coisas irrecuperáveis e que, contudo, não cessam de perseguir esses sujeitos, persistentes “como certas memórias, certos remorsos, certos ecos compridos, o apito dos navios por exemplo mesmo depois dos navios, durante anos, a gente a cuidar que os esqueceu e o apito de volta” (p. 278).

A voz insegura de Miguéis cede lugar – ou é inadvertidamente atravessada – às não menos débeis vozes de sua esposa e de sua filha –  personagem que também oferece uma versão de sua vida junto aos pais, recorda a partida do namorado e a visita de despedida que lhe faz o pai, a dor e o tormento da doença que a transforma em uma espécie de “espantalho” e a faz desejar uma única coisa: “que me deixem em paz sozinha comigo ou antes sozinha com isto que não sou eu e em que me tornei” (p. 333). Narradores que não se decidem sobre se áceres ou carvalhos, se este ou aquele nome, se Marimbanguengo ou se o Congo e para os quais qualquer tentativa de evadir essa vida de degradação e de remorsos afigura-se impossível, “dado ser tarde compreende, não apenas tarde para mim, tarde para si também” (p. 343). Tarde, sem exceção, para todos.

O terceiro livro acompanha a peregrinação de um grupo de cinco homens, todos ex-agentes dissidentes do Serviço português, pela mata de Angola, na tentativa desesperada de alcançar a fronteira com o Congo, carregando os diamantes que serão contrabandeados. Perseguidos por militares e americanos que tentam resgatar as jóias, esses pobres touros desgarrados rememoram suas vivências cotidianas e nada exemplares, em meio à tensão e iminência de uma morte inevitável. Intercalando dialogicamente, a cada um dos dez capítulos que compõem essa parte, a voz de cada um dos cinco fugitivos à voz de Morais, o agente que os persegue, esse último livro constitui-se em uma explosão de imagens do passado embaralhadas às cenas atuais que convergem para a emboscada da qual esses homens se aproximam.

Gonçalves, com seus pais, mães e cães a saltitarem raivosamente da memória; Mateus, que se perde nas confusas linhas do mapa que carrega e que mal lê e nas não menos confusas recordações de filhas, esposas e padres pedófilos; Mendonça, que sonha abrir um café na Argentina enquanto é dilacerado pela origem mestiça da irmã – a quem amava e odiava amar; Sampaio, traidor contratado pelos americanos para conduzir o grupo ao local da armadilha, com sua onipresente imagem de uma irmã levada de casa ainda criança pelo pai e que não lhe concede um só instante de paz; Tavares, que, ferido no joelho, põe-se a recordar as últimas e ambivalentes férias passadas com a família em Portugal; e, finalmente, o próprio agente Morais, perseguidor que é, ao mesmo tempo, perseguido, também ele, por uma esposa, uma mãe ausente sob a chuva, um filho e comboios do passado.  

Nessa narração absurdamente insegura e provisória, que se erige sobre a incerteza, sobre a desordem irrevogável da desmemória – “não estou bem seguro e já não estou seguro de nada” (p. 216) –, nada de permanente irá se afirmar ou, talvez, um único elemento se projete no texto, após o desaparecimento, de uma forma ou de outra, de todas as personagens, todas as reminiscências e de todo o narrado: a terra vermelha (ou amarela?) de Angola, a tragar indistintamente tudo e todos para o seu interior, “porque tudo pertence à terra em Angola, as nuvens, por exemplo, que bem as noto a descer no capim, as pessoas e as casas que regressam ao chão depois de se agitarem um momento numa pergunta a que nada responde” (p. 100).

Finalmente, o epílogo consiste em uma inusitada redação infantil, redigida por uma garotinha a mando do professor de Português, sobre as “férias grandes” que passou com a família a bordo de um iate em Luanda. A paisagem paradisíaca e de calmaria apresentada nessa cena final contrasta com as imagens de caos, desespero e miséria da guerra pelas riquezas que brotam do solo angolano. A ingenuidade que emana da narrativa da criança, assim como a simplicidade da forma de sua expressão escrita, por sua vez, opõem-se à ferocidade da narrativa como um todo, bem como serve de afronta à ganância dos adultos que mandam e desmandam, para garantir interesses próprios, nas terras e nas vidas alheias.

Esse é o primeiro livro, desde a publicação de O esplendor de Portugal, há dez anos, em que Lobo Antunes revisita o espaço ficcional de Angola e o tópos da guerra. Reunindo, em uma mesma massa “amorfa”, raças, classes sociais, temporalidades e espacialidades heterogêneas e disjuntivas, a narrativa “líquida” de Boa tarde às coisas aqui em baixoexpõe a violenta degradação imposta a sujeitos em sua luta por uma improvável emancipação. Mais uma vez, a incômoda irresolução do narrado – com seu sentido errante que circula incessantemente sem se fixar em parte alguma da escrita – faz ecoar a afirmação, enunciada por um dos narradores, de que a existência é uma pergunta à qual nada responde. Frente às coisas inacreditáveis desse mundo de “aqui em baixo”, como intui prematuramente a criança que escreve, apenas o entorpecimento e a estupefação: sentimentos que o leitor verá se replicarem nessa ciranda de touros enlouquecidos, nesse labirinto, sem saída, de Dédalo.

ANTUNES, António Lobo. Boa tarde às coisas aqui em baixo. Rio de Janeiro: Objetiva, 2003.


por Denis Leandro
crítico literário, mestre em Literatura Brasileira
doutorando em Literatura Comparada da UFMG
enviado por e-mail em 07.12.2007

03/12/2007

Da leitora Manuela Pinto: entrevista na RTP

Dr. António Lobo Antunes

Ouvi há uns tempos, mas só agora tive coragem para escrever, a sua última entrevista na RTP, e se já o admirava fiquei a “amá-lo”.

Pela sua humildade, a sua timidez, o carinho dos seus olhos, tudo em si, um misto de criança e adulto que nos faz sentir medo e ternura, uma mescla tão profunda como o seu ser.

É delicioso! Eu estaria toda a noite a ouvi-lo, a perceber nas entrelinhas a sua vida como psiquiatra ( mesmo quando era pequenino e caminhava pelos corredores com o seu pai), na guerra, enfim no amor. no casamento, na amizade!

Não tenho nem nunca tive ídolos na vida mas existe alguma coisa que me atrai em si como escritor (“ninguém escreve como eu”), como homem, como ser humano com princípios, com um carácter invulgar (creio que comum à família) enfim, uma Figura que me enternece e que eu amo. Sinto-o, quando fala, quando o ouço (pena é ser tão poucas vezes) quando olha insistentemente para a pessoa que o está a entrevistar, ou quase a querer fugir rapidamente dali para fora para seu alívio.

Gostaria de o conhecer, de ter um pequeno texto seu sobre a sua faceta, essa … a mais desconhecida… só para mim.

Manuela


Manuela Pinto
e-mail de 03.12.2007

Crónica «Nós» com reflexão sobre a sua leitura por Olga Fonseca

Nós Não precisávamos de falar. Como ele dizia – Tu sabes sempre o que eu estou a pensar e eu sei sempre o que tu estás a pensar ...