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Mensagens

A mostrar mensagens de Novembro, 2014

Karlo Mongaya - opinião sobre O Esplendor de Portugal

O esplendor de Portugal (e a colonização de Angola)
"O Esplendor de Portugal" de António Lobo Antunes é um magnífico romance que lida com o desencanto do colonialismo português em Angola. É a história de uma família de colonos, donos de uma exploração de carácter esclavagista. Família essa que caiu do pedestal da sua antiga glória aos gritos dos guerrilheiros movimentos independentistas angolanos.
A matriarca da família é deixada em Angola, vivendo na miséria com a esperança que os filhos voltarão para o seu lado. Estes, porém, agora adultos, vivem em Portugal as suas vidas desgastadas, todos derramando a parca aparência de humanidade que lhes resta, atormentados pelos fantasmas das suas antigas vivências em Angola.
Sendo um lancinante e angustiado olhar sobre esse "coração nas trevas" real (em oposição à imagísitca orientalista de Joseph Conrad sobre África), "O Esplendor de Portugal" é uma denúncia ao imperialismo, e da forma como tal regime explora esses …

Karlo Mongaya about The Splendor of Portugal

The Splendor of Portugal (and the Colonization of Angola)
António Lobo Antunes’ Splendor of Portugal is a splendid novel dealing with the ugliness of the Portuguese colonial enterprise in Angola. This is the story of a family of settler colonialists that used to own a slave plantation in Angola but has fallen from their former glory in the wake of the Angolan War of Independence.
The matriarch, left in Angola, lives in destitution with the one hope that her children will come back for her. Her children, now adults living wasted lives in Portugal, have all but shed any semblance of humanity, tormented by nightmarish details of their former life in Angola.
A searing and anguished look into this real ‘heart of darkness’ (as opposed to Joseph Conrad’s Orientalist imagining of Africa), Splendor of Portugal is an indictment of imperialism and how it super-exploits the people of the peripheries to sustain prosperity of the mother country.
It graphically portrays the way a political and econo…

Citações da crítica à edição holandesa de Caminho Como Uma Casa Em Chamas (Als Een Brandend Huis)

Por cortesia de Maria da Piedade Ferreira, transcrevemos aqui algumas citações de crítica à edição holandesa de Caminho Como Uma Casa Em Chamas, Als Een Brandend Huis. Relembramos que a edição da Ambos Anthos antecedeu a edição em português da Dom Quixote, tendo sido a estreia mundial do livro. Estas citações foram recolhidas e traduzidas por Ana Carvalho, esposa de Harrie Lemens, o tradutor em holandês da obra de António Lobo Antunes.

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«Como sempre, Lobo Antunes é capaz de delinear qualquer situação através de uma imagem inesperada, por exemplo, o momento da despedida de dois amantes desiludidos (Despedimo-nos num aperto de mão de negociações políticas sem acordo.)

A maior força de Lobo Antunes é ele conseguir arrebatar o leitor com uma intensa e crescente compaixão pelas suas personagens.»

por Ger Leppers
em Trouw

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«...saiu antes da edição portuguesa, graças à interferência do seu tradutor de sempre, Harrie Lemmens, que uma vez mais soube verter primorosamente para o neerlandês essa pr…

Visão - «Não tenho muito jeito para viver»

Visão
texto de Sara Belo Luís
13.11.2014


Como são os dias de alguém que dedica uma vida inteira à escrita? No momento em que chega às livrarias Caminho Como uma Casa em Chamas, aqui fica o relato de uma entrevista com o escritor, entrecortada com "a pavorosa realidade" do quotidiano.
Não gosta de conversas, de entrevistas então ainda menos. "A única coisa a que os leitores têm direito são os livros", costuma afirmar António Lobo Antunes, 72 anos. Com isto, o escritor quer dizer que o que importa é a literatura. E também que não se esperem grandes revelações sobre a sua vida privada: "Tenho relações de intimidade com duas ou três pessoas." Do dia a dia de Lobo Antunes há apenas algumas coisas que perpassam nas crónicas que publica na Visão, sobretudo nas que se aproximam mais do género diário pessoal.
"Eu só sou o António Lobo Antunes com o papel na mão. Sem o papel na mão, sou um chato."
Não, não é um chato. Apesar de todas as angústias, António Lobo …

José Mário Silva, "Um remexer no escuro" - crítica a Caminho Como Uma Casa Em Chamas

Um remexer no escuro

Os dois romances anteriores de António Lobo Antunes – Comissão das Lágrimas (2011) e Não é Meia Noite Quem Quer (2012) – centravam-se numa personagem feminina muito forte. Era dentro das protagonistas, no seu espaço mental, que as coisas aconteciam e as histórias, próprias ou alheias, se misturavam. Em Caminho Como Uma Casa Em Chamas, o escritor preferiu uma estrutura aparentemente mais convencional, já utilizada por muitos outros autores (de Georges Perec a Alaa El Aswany, passando por Nuno Camarneiro, um recente Prémio LeYa, e até pelo Saramago de Claraboia), e que consiste em descrever a vida dos habitantes de um prédio. Neste caso um edifício lisboeta, «a um canto da cidade, longe do rio».
Tratando-se de Lobo Antunes, era improvável que o romance se deixasse enclausurar em esquemas formais rígidos. De facto, isso não acontece. Cada capítulo leva-nos a um dos oito apartamentos (do R/C esquerdo ao 3.º direito, mais o sótão supostamente desabitado) mas depressa per…

A colecção António Lobo Antunes - Ensaio (Texto Editora - LeYa)

Para os mais interessados sobre a complexidade da literatura de António Lobo Antunes, existem muitos livros que estudam e tentam explicar a sua obra, entre os quais os trabalhos de e sob a coordenação da Professora Maria Alzira Seixo, bem como os trabalhos de Ana Paula Arnaut, entre outros.
Desde 2011 que têm sido publicados os volumes de uma colecção orientada pela Professora Maria Alzira Seixo, intitulada António Lobo Antunes - Ensaio, sob a chancela da Texto Editora (que faz parte da LeYa, o mesmo grupo editorial que publica os livros do escritor). São estudos e teses sobre a obra de António Lobo Antunes que muito acrescentam ao que já foi publicado e focam aspectos interessantes da sua escrita que ajudam a compreender a obra antuniana no seu todo. 
Retomamos aqui a divulgação dos 5 volumes já publicados (o último muito recentemente). Sendo de menor tiragem, são livros que podem não estar disponíveis em todas as livrarias, mesmo as de maior superfície; no entanto, através daLeYa Onli…

Público: «Tenho um medo permanente de isto ter acabado»

Público/Ipsilon
Entrevista de Isabel Lucas
07.11.2014

António Lobo Antunes escreve Caminho como uma Casa em Chamas, um livro com cenário num prédio de quatro andares e um sótão. O amor, a morte, o tempo, o envelhecimento e o que cada um faz da sua vida são o pretexto para muitas interrogações. Algumas estão nesta conversa meio vadia.
O sol bate nas cortinas e é entre elas que a conversa começa na casa onde vive na Rua do Conde de Redondo, em Lisboa, um antigo café. A olhar para uma fotografia nova na sala. A mãe. “Era muito bonita. Foi embora há menos de um mês.” Que idade na foto? “A gente tem a idade com que nasce. Dez, setenta. Ela era muito nova”.
A conversa alonga-se, uma tarde inteira. Pede algumas reservas. Vai sendo assim. Com interrupções e alguns entusiasmos sobre si enquanto protagonista de uma escrita que diz não controlar, rodeado pelos livros dos outros, por frases e palavras escritas a marcador nas paredes, como fazia em criança no quarto em casa dos pais, em Benfica. Essa c…