Avançar para o conteúdo principal

Exposição de fotografia «O mundo de Lobo Antunes» de Ana Carvalho

Será inaugurada na próxima sexta-feira, dia 17 Julho, na Biblioteca Florbela Espanca em Matosinhos, a exposição «O mundo de Lobo Antunes», pela fotógrafa Ana Carvalho. O evento estará patente no local até 19 de Setembro.


Ana Carvalho nasceu no Porto e actualmente reside na Holanda, sendo casada com Harrie Lemmens, o tradutor holandês de António Lobo Antunes. Além de fotógrafa é também tradutora, sendo Master of Arts em literatura inglesa e alemã. Tem exposto desde 2009 e colabora em diversas revistas.

Esta exposição, que irá estar presente na Biblioteca Municipal Florbela Espanca de Matosinhos desde 17 de Julho até 19 de Setembro, vem, segundo nos adiantou Ana Carvalho, do prolongamento de uma outra que fez na Holanda a propósito da apresentação do livro Als een brandend huis, a tradução de Caminho Como Uma Casa Em Chamas para holandês, pela mão do marido. «Como tinha outras fotografias que se enquadravam no ambiente da obra de Lobo Antunes, resolvi criar no meu website um tema justamente com o título da exposição (O mundo de Lobo Antunes). Mas já há muito que queria fazer qualquer coisa nesse contexto. O momento decisivo foi quando, depois de ler na Visão a crónica “O encontro” (e que eu vi sempre mais como um desencontro), a relacionei imediatamente com uma fotografia que tinha tirado antes no pátio do CCB com dois vultos que se cruzam sem se encontrar. Entretanto, fotografias minhas têm servido para ilustrar vários artigos que o Harrie escreveu sobre o Lobo Antunes. O tema da minha exposição é, portanto, algo que resulta de outros projetos e do meu fascínio, desde “Memória de Elefante", pela obra do António Lobo Antunes».

A entrada para a exposição é gratuita e Ana Carvalho terá gosto em receber-nos em Matosinhos, na próxima sexta-feira, para a sua inauguração (a partir da 18H30).


links:

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Crónica «Nós» com reflexão sobre a sua leitura por Olga Fonseca

Nós Não precisávamos de falar. Como ele dizia
– Tu sabes sempre o que eu estou a pensar e eu sei sempre o que tu estás a pensar
mas muito pouco tempo antes de morrer veio ter comigo e passámos a tarde juntos, sentados lado a lado no sofá. Foi ele quem falou quase sempre, eu pouco abri a boca.
Mostrou-me os braços, o corpo
– Estou miserável
sabia que ia morrer dali a nada e comportou-se com a extraordinária coragem do costume. Coragem, dignidade e pudor. A certa altura
– Para onde queres ir quando morreres?
respondi
– Para os Jerónimos, naturalmente.
Ficou uns minutos calado e depois
– Tu acreditas na eternidade.
Disse-lhe
– Tu também.
Novo silêncio.
– Eu quero ser cremado e que ponham as cinzas na serra, voltado para a Praia das Maçãs.
Novo silêncio. A seguir
– Vou morrer primeiro que tu. Vou morrer agora.
Mais silêncio. Eu
– Ganhei-te outra vez.
ele
– É.
Ele
Ganhamos sempre os dois.
Eu
– Porque é que a gente gosta tanto um do outro?
Ele silêncio antes de
– Se me voltas a falar de amo…

Público: «Cartas da Guerra: um filme que se ergue»

Cartas da Guerra, de Ivo Ferrreira, que tem hoje a antestreia antes de chegar às salas a 1 de Setembro, aventura-se a procurar um corpo, para a personagem António e para si próprio, que esteja num lugar que não aquele a que parecia destinado. Delicado e temerário, cria o seu mundo.

Uma “cena original” luminosa: o realizador Ivo M. Ferreira a entrar em casa de madrugada – como contou -, avançando para o quarto, guiado pela voz da mulher grávida, a actriz Margarida Vila-Nova, que lia à sua barriga uma carta. A futura mãe tinha em mãos as páginas de uma das missivas de D’este viver aqui neste papel descripto: Cartas da Guerra, o volume que em 2005 juntou as cartas escritas pelo alferes médico António Lobo Antunes, de 28 anos e destacado logo após a conclusão do curso de Medicina para uma comissão de serviço em Angola (1971-1973), à mulher grávida que deixara em Lisboa, Maria José.
Mesmo correndo o risco de a “cena” se imobilizar como cliché à força de tanto ser “vista” (mas é belíssima, …

Bia Couto sobre Da Natureza Dos Deuses

Da natureza humana e das suas misérias. Uma leitura das nossas vidas tão desencantada e triste que impressiona.
A vida dos ricos e a vida dos pobres. Em comum, as mesmas angústias e a falta de alegria. Tudo cru, com as cores que se vêem nos talhos. Ninguém é feliz.
No mundo dos ricos, que tudo podem comprar, incluindo homens e mulheres que os servem submissos ou com a astúcia de lhes sacar o máximo possível, falta-lhes ter paz. Não têm. Tentam ajustar contas com o passado mas nunca as acertam porque não dominam a ganância que sentem nem as memórias que lhes criaram essa dureza implacável.
Nos pobres, a mesma miséria. As mulheres novas, ambiciosas, a desperdiçarem a exuberância e a energia dos vinte anos com velhos com dinheiro, a troco de uns fios, sapatos, brincos, vestidos, jantares e carros que lhes podem ser retirados em qualquer altura, porque eles fazem questão de lhes mostrar quem é que manda. Tudo se passa com a bênção dos pais e restante família, aproveitando também eles alg…