Avançar para o conteúdo principal

António Lobo Antunes em reportagem do canal Arte

Este domingo, dia 16/09, às 10H45 (Lisboa), o canal Arte passa uma entrevista com António Lobo Antunes feita recentemente em Lisboa:

À Lisbonne, Vincent Josse rencontre António Lobo Antunes autour de son dernier roman La nébuleuse de l'insomnie
Figure majeure de la littérature contemporaine, António Lobo Antunes, très populaire malgré l'exigence de son écriture, ne cesse de raconter dans ses romans la société et l'histoire portugaises, les conflits coloniaux, la dictature salazariste, la révolution des Œillets, la démocratie et son lot de promesses non tenues. Rencontre avec un géant, qui veut « mettre toute la vie dans les livres », à l'occasion de la parution en juin dernier de son dernier roman La nébuleuse de l'insomnie (Éd. Christian Bourgois).
[Em Lisboa, Vincent Josse entrevistou António Lobo Antunes, que publicou recentemente (em França) O Arquipélago da Insónia. | Personalidade maior da literatura contemporânea, António Lobo Antunes, muito popular apesar da exigência da sua escrita, continua a retratar nos seus romances a sociedade e a história portuguesas, os conflitos coloniais, a ditadura salazarista, a revolução dos cravos, a democracia e as suas promessas por cumprir. Entrevista com um gigante, cuja ambição é "colocar a vida entre as capas dos livros", por ocasião da publicação em Junho passado do seu mais recente romance (em França) O Arquipélago da Insónia (edição Christian Bourgois)]

O programa será ainda retransmitido neste canal (falado em francês) no dia 22, pelas 7H00 de Lisboa. Duração aproximada: 43 minutos.

* fonte: www.arte.tv




Comentários

Mensagens populares deste blogue

Crónica «Nós» com reflexão sobre a sua leitura por Olga Fonseca

Nós Não precisávamos de falar. Como ele dizia
– Tu sabes sempre o que eu estou a pensar e eu sei sempre o que tu estás a pensar
mas muito pouco tempo antes de morrer veio ter comigo e passámos a tarde juntos, sentados lado a lado no sofá. Foi ele quem falou quase sempre, eu pouco abri a boca.
Mostrou-me os braços, o corpo
– Estou miserável
sabia que ia morrer dali a nada e comportou-se com a extraordinária coragem do costume. Coragem, dignidade e pudor. A certa altura
– Para onde queres ir quando morreres?
respondi
– Para os Jerónimos, naturalmente.
Ficou uns minutos calado e depois
– Tu acreditas na eternidade.
Disse-lhe
– Tu também.
Novo silêncio.
– Eu quero ser cremado e que ponham as cinzas na serra, voltado para a Praia das Maçãs.
Novo silêncio. A seguir
– Vou morrer primeiro que tu. Vou morrer agora.
Mais silêncio. Eu
– Ganhei-te outra vez.
ele
– É.
Ele
Ganhamos sempre os dois.
Eu
– Porque é que a gente gosta tanto um do outro?
Ele silêncio antes de
– Se me voltas a falar de amo…

«Até que as pedras se tornem mais leves que a água»

O meu trabalho é escrever até que as pedras se tornem mais leves que a água. Não são romances o que faço, não conto histórias, não pretendo entreter, nem ser divertido, nem ser interessante: só quero que as pedras se tornem mais leves que a água. Em pequeno, à noite, no verão, de luz apagada, ouvia o mar na cama: a mesma onda sempre, ainda hoje a mesma onda a trazer a praia e a levar a praia e, ao levar a praia, eu suspenso do nada sem tocar nos lençóis. A cómoda do quarto estalava de vez em quando, perto do vidro da janela um pinheiro sem fim. Durante o dia tornava-se outra árvore mas conhecia melhor a do escuro, que me interrogava, interrogava
– Tu
até a primeira nuvem cor de laranja do nascimento do dia lhe selar os lábios. Nenhum melro ainda, nem um passo lá fora, o mundo desabitado de gente, o primeiro cão daqui a nada, rente ao muro, a tossir, com um fio de saliva pendurado do queixo. Um desses pobres cães que comem restos de bichos mortos, coçam uma orelha com a pata, vão-se em…

A opinião de um leitor sobre D'Este Viver Aqui Neste Papel Descripto (Cartas da Guerra)

António Lobo Antunes é, para mim, o maior e melhor autor português contemporâneo; tenho praticamente todos o livros que ele escreveu, já os li quase todos e interesso-me por tudo o que tenha a ver com ele, sua obra e vida. Naturalmente, quando houve toda esta “agitação” em torno do filme realizado pelo Ivo Ferreira baseado neste livro, fiquei curioso e com uma grande vontade de o ver, mas antes de o ver gostava de ler esse famoso livro que serviu de base ao filme. Por sorte possuo o livro que me tinha sido oferecido há tempos mas ainda não o tinha lido. A publicação deste livro é curiosa: apesar das cartas terem sido escritas por António Lobo Antunes à sua primeira esposa Maria José, foram as suas filhas (Maria José e Joana Lobo Antunes) quem as publicaram após a morte da sua mãe, a pedido desta.
António Lobo Antunes, em Janeiro de 1971, com 28 anos de idade, formado em medicina há pouco mais de um ano, casado há menos de seis meses e com a mulher grávida, segue para Angola como alfe…