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Do leitor Anselmo Ruiz de Alarcón Jaramillo: «mucho ánimo»

Quiero dar mucho ánimo a António. Desde Sevilla, un apasionado lector que lucha y sobrevive a un cáncer y un infarto (sobre todo leyendo, leyendo a António Lobo Antunes). Con todo el cariño : Ánimo. (Perdón por no expresarme en portugués, me gustaría muchísimo hacerlo, pero no me atrevo).


Anselmo Ruiz de Alarcón Jaramillo
e-mail de 23.04.2007

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Mostrou-me os braços, o corpo
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– Para onde queres ir quando morreres?
respondi
– Para os Jerónimos, naturalmente.
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– Tu acreditas na eternidade.
Disse-lhe
– Tu também.
Novo silêncio.
– Eu quero ser cremado e que ponham as cinzas na serra, voltado para a Praia das Maçãs.
Novo silêncio. A seguir
– Vou morrer primeiro que tu. Vou morrer agora.
Mais silêncio. Eu
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– É.
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O meu trabalho é escrever até que as pedras se tornem mais leves que a água. Não são romances o que faço, não conto histórias, não pretendo entreter, nem ser divertido, nem ser interessante: só quero que as pedras se tornem mais leves que a água. Em pequeno, à noite, no verão, de luz apagada, ouvia o mar na cama: a mesma onda sempre, ainda hoje a mesma onda a trazer a praia e a levar a praia e, ao levar a praia, eu suspenso do nada sem tocar nos lençóis. A cómoda do quarto estalava de vez em quando, perto do vidro da janela um pinheiro sem fim. Durante o dia tornava-se outra árvore mas conhecia melhor a do escuro, que me interrogava, interrogava
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