ANTÓNIO LOBO ANTUNES 01.09.1942 - 05.03.2026
Caros leitores,
É com profundo pesar que anunciamos a morte do nosso Escritor. Partiu hoje com 83 anos.
Viverá sempre nos seus livros.
Viverá sempre nos seus livros.
Endereçamos a toda a família as nossas condolências. Não esquecemos também os muitos dos seus leitores anónimos, em vários cantos do mundo. A todos, com todos, partilhamos o nosso pesar.

:: Cristina Lobo Antunes - «O velório do António será amanhã, sexta-feira 6 de março no Mosteiro dos Jerónimos entre as 16h00 e as 22h00. Missa de corpo presente no mesmo local no sábado, 7 de março, pelas 12h00. Após a cerimónia, o corpo seguirá para sepultura no jazigo de família. Obrigada por todas as chamadas, mensagens e gestos de apoio neste dia tão difícil.»
:: O Governo decretou Luto Nacional para este sábado, 7 de março, dia das exéquias. António Lobo Antunes irá a sepultar de manhã no cemitério de Benfica. Amanhã, dia 6, estará em câmara ardente, a partir das 16 horas, no Mosteiro dos Jerónimos.
:: O Presidente da República anunciou a condecoração póstuma com o Grande-Colar da Ordem de Camões.
:: A Dom Quixote já tinha em preparação um novo livro: poemas que António Lobo Antunes foi escrevendo ao longo da sua vida, e promete ser novidade editorial em Abril.
:: A editora Christian Bourgois anunciou para novembro a publicação em francês de Diccionario da Linguagem das Flores, com tradução de Dominique Nédellec.
- SIC Notícias
:: da página facebook da editora Dom Quixote:
«Foi com profunda tristeza que recebemos a notícia, esta manhã, da morte de António Lobo Antunes, nome maior da literatura portuguesa, autor de romances que ficarão para sempre na memória dos seus incontáveis leitores e admiradores, espalhados pelo mundo.
A Dom Quixote, que se compromete a continuar a trabalhar e a promover a sua obra, cuja importância ultrapassou fronteiras, premiada e distinguida um pouco por todo o mundo, despede-se do grande escritor português, o verdadeiro escritor, que dedicou toda a sua vida aos livros e à literatura, prestando-lhe a devida e mais que merecida homenagem e deixando sentidas condolências à sua família, aos seus amigos, à sua editora e aos seus leitores.
Foi a partir do olhar atento de António Lobo Antunes que nasceram alguns dos mais importantes romances da literatura portuguesa contemporânea, seja sobre a guerra colonial, onde esteve presente, seja sobre o Portugal que se lhe seguiu, tão bem retratado nas páginas dos seus livros.
Publicado e traduzido em praticamente todo o mundo, múltiplas vezes colocado na lista de candidatos ao Prémio Nobel de Literatura, António deixa-nos um vazio que muito dificilmente voltará a ser preenchido.
A Dom Quixote estava a trabalhar num novo livro de António Lobo Antunes e anuncia que publicará já em Abril um inédito, não de prosa, o seu género favorito, mas de poesia, onde estarão reunidos os poemas que António Lobo Antunes foi escrevendo ao longo da sua vida. Ele que sempre lamentou não ter sido poeta. Ficam hoje mais pobres a cultura e a literatura portuguesas. Ficamos mais pobres todos nós. Persistirá, forte e desafiante, a sua palavra.»
Escusamo-nos a fazer resumo da sua biografia e da sua importância Maior para a séria Literatura do nosso país, uma vez que este site em si representa tudo isso. Ao longo de 21 anos, temos publicado e anunciado estudos, resenhas e opiniões de leitura, bem como entrevistas, entrega de prémios, e outros artigos. Este trabalho apega-se, assim, ao legado do grande ANTÓNIO LOBO ANTUNES.
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# post publicado em 05.03.2026, às 8H50 - última actualização: 23H00

O uníco elogio que lhe posso fazer... é que sentia que cada um dos seus livros era escrito para mim.
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ResponderEliminarParecia que este momento no llegaria. El humano distorsiona la realidad cuando esta se presnta en brumas actuales. Cuando no se entiende aparece el miedo. No hay hombre que no tema a la muerte , son palabras de Lobo.
De ahí cesa esa realidad y ocurre con frecuencia pero lo puntuado hoy adquiere un misterio
Aquel " paraje ignoto del que nunca regreso viajero" en el soliloquio mas conocido de la literatura.
Y en la literatura de Lobo Antunes su presencia es constante.
Hoy, ahora con este pesar que nos invade e invalida un sueño ingenuo, surgen en la memoria algunos epilogos de su obra donde el Escritor incluye " ese momento final" en formas diversas.
En Fado Alejandrino una muerte despues de una guerra " inutil
Una vida que trasciende su muerte en Carlos Gardel.
Huida a la eternidad del mar en Orden Batural.
Una mierte disfrazada creo en Esplendor de Portugal.
Dos muertes quasi sincronas en No es Media Noche; y es ese casi doinde la intensidad de lo desconocido se hace " casi" insoportable.
O bien una muerte sin nombre se difumina en una noche . Ayer no te vi en Babilonia.
Todo ello no son mas que detalles cuya exégesis es dudosa por ser escuetos y finales de libro..( finales de vida?). Y en esa parquedad reside un limite interpretativo
Aun asi quiza pueda existir una proyeccion de lo escrito en la obra general de Lobo Antunes en cuanto a la riqueza de la variedad portentosa de su literatura.
Hoy aqui afrontamos esa perdida que un dia consideramos inexistente e ingenua; perdura su obra atengamonos a ello
À maneira de Camões, lembrando António Lobo Antunes
ResponderEliminar“Que todo o mundo é composto de mudança”, escreveu Luís de Camões — e hoje essa mudança pesa mais no silêncio da literatura portuguesa.
Partiu António Lobo Antunes, mas ficam as palavras, essas que nunca aceitam morrer. Porque, como ele próprio escreveu, “a memória é uma casa onde regressamos sempre”. E nessa casa continuam as suas personagens, as ruas de Lisboa, as vozes feridas e humanas que ele soube escutar como poucos.
Camões ensinou-nos que a glória dos homens vive para além do tempo.Lobo Antunes mostrou-nos que a verdade dos homens vive dentro das suas fragilidades. Entre um e outro fica a mesma matéria eterna: a palavra.
Hoje, a literatura portuguesa perde um dos seus grandes navegadores da alma. Mas, como nos lembram os versos antigos, aquilo que é verdadeiro permanece. Permanecem as páginas densas, a ironia, a dor e a lucidez que Lobo Antunes nos deixou.
E, assim, no grande livro da Língua Portuguesa, o seu nome continuará escrito — não apenas na memória dos leitores, mas no próprio coração da literatura.
Que descanse, agora, o mestre das palavras. Os seus escritos continuarão a caminhar entre nós.
E quando o silêncio cair sobre esta despedida, talvez ao longe se erga a música Magnificat, de Monteverdi — “Magnificat anima mea Dominum” — como se a própria arte, em todas as suas formas, se inclinasse em reverência.
E assim, entre palavra e música, permanece aquilo que verdadeiramente não morre: a memória viva de um grande escritor.