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Nuno Martins: opinião sobre A Morte de Carlos Gardel


Mais um fantástico livro de António Lobo Antunes...

Seguindo o meu périplo pela leitura de Lobo Antunes, cheguei "à vez" de "A Morte de Carlos Gardel", por ventura um dos seus livros mais conhecidos (e agora ainda mais devido ao filme, que infelizmente ainda não vi).

A história inicia-se e centra-se na personagem de Nuno, um jovem toxicodependente que dá entrada num hospital em fase terminal e a partir daí a acção evolui e passa para as pessoas que a ele estão ligadas.

O pai, Álvaro, que se separou da mulher quando o filho era pequeno, um homem sem ambições, "mole" e introspetivo, apenas com a sua paixão pelo tango e principalmente por Carlos Gardel, que o acompanha ao longo de toda a sua vida e que o liga ao mundo.

Claúdia, a mãe, independente, cuida do filho sozinha, tem vários casos depois de se separar de Álvaro, estando na altura numa relação com Ricardo que tem a praticamente a idade do filho.

Graça, a tia, irmã de Álvaro, médica e homossexual é a (suposta) "pedra" mais forte neste conjunto de personagens, e que está junta com Cristiana, uma professora muito instável emocionalmente e ciumenta.

Para além destas há mais umas quantas personagens que também contribuem e muito para a estrutura e desenvolvimento da história.

O livro está dividido em cinco capítulos, cujos títulos são tangos famosos de Gardel e cada capítulo é a estória e visão dos acontecimentos de cada personagem. Mas Lobo Antunes como escritor genial que é, neste livro utiliza uma espécie de "confrontação dos factos" em que as mesmas situações são vistas e relatadas sob a perspectiva dos diversos intervenientes, o que torna o livro ainda mais apetecível e profundo.

Lobo Antunes, também e como já fez nos seus livros anteriores, mostra-nos um Portugal "cinzento", onde as pessoas são mesquinhas, falsas, problemáticas, vivendo nos subúrbios, com falta de gosto e decadentes, ou seja, o Portugal real do nosso dia a dia.

Dos vários livros que já li de António Lobo Antunes, este é dos melhores, é muito profundo e bem estruturado e comovente, vale bem a pena ler. (Entretanto fiquei muito curioso de ver o filme).


por Nuno Martins
O que eu leio
20.05.2012

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