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ALA no evento da Figueira da Foz

Tomamos de empréstimo o ficheiro áudio que Carlos Júlio partilhou no seu blog A Cinco Tons, bem como as suas palavras, sobre o evento na Figueira da Foz no passado fim de semana.




«Na semana passada estive, em trabalho, vários dias na Figueira da Foz. Por acaso, coincidiu com a ida do escritor António Lobo Antunes ao Casino Figueirense apresentar o seu último livro "Comissão das Lágrimas". [...] Respondeu às questões de alguns dos presentes, numa resposta circular em que abordou os mais variados temas. Eu gravei a conversa. Ei-la quase na íntegra (tirei apenas uma parte dedicada à tradução e à literatura, mesmo claro e acentuei com música os cortes que fiz). António Lobo Antunes fala da guerra, dos hospitais psiquiátricos, da loucura, dos livros, das mulheres óbvias, de António Barreto, do ser português, da mestiçagem, da cultura que não interessa a nenhum poder, de Rodrigues dos Santos, do periscópio, dos programas culturais na televisão, da pílula-Expresso, da falta de tempo para fazer amor, do povo do caraças que somos, de Tony Carreira, da coragem das mulheres na gravidez.... Um ror de coisas, bem encadeadas e com muito humor.»

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Mostrou-me os braços, o corpo
– Estou miserável
sabia que ia morrer dali a nada e comportou-se com a extraordinária coragem do costume. Coragem, dignidade e pudor. A certa altura
– Para onde queres ir quando morreres?
respondi
– Para os Jerónimos, naturalmente.
Ficou uns minutos calado e depois
– Tu acreditas na eternidade.
Disse-lhe
– Tu também.
Novo silêncio.
– Eu quero ser cremado e que ponham as cinzas na serra, voltado para a Praia das Maçãs.
Novo silêncio. A seguir
– Vou morrer primeiro que tu. Vou morrer agora.
Mais silêncio. Eu
– Ganhei-te outra vez.
ele
– É.
Ele
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– Tu
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