10/06/2012

Marco Caetano: opinião sobre Memória de Elefante


Tudo o que é bom deve ser saboreado. É esta a minha relação com a obra de António Lobo Antunes, algo que quero ir degustando a pouco e pouco.

Desta vez optei por ir onde tudo começou, ler o primeiro romance do autor. À partida pensei encontrar neste livro um estilo de escrita muito diferente do utilizado nos seus romances mais recentes. Apesar de uma outra nuance em que de facto se nota diferença, não encontrei nada de muito significativo. Na minha opinião, a capacidade de nos fazer sonhar em cada metáfora e de nos permitir viajar entre cada frase estava já bem patente neste livro.

Embora eu não seja um conhecedor profundo da biografia do autor, facilmente percebi, logo nas primeiras páginas, que as semelhanças com a realidade não eram meras coincidências.

Tudo se passa num dia da vida de um médico, um psiquiatra, que se mostra na primeira ou na terceira pessoa. Este psiquiatra vive desiludido com uma angústia que o perturba e restringe. Trabalha, às vezes sem paciência, no mesmo Hospital Miguel Bombarda em que o pai trabalhou e o seu irmão João. Satiriza o sistema de saúde sem se esquecer das meninas da segurança social ou dos delegados de propaganda médica, mas é de si que tem vergonha.

É divorciado e a separação da mulher, como qualquer separação, deixou marcas profundas. As filhas. Um homem afectado por ter participado na guerra em África (não esquecer que este livro foi escrito pouco depois do 25 de Abril), não só por ter ido para guerra, mas também por ter sido obrigado a deixar a mulher para trás, as suas filhas, o seu emprego, a sua vida.

O casino. A sua vida parece-se com um jogo em que se anseia um prémio. Uma caminhada pelas ruas da Lisboa de que fala com carinho, em busca de um refúgio ou de coragem para pegar no telefone e tentar remediar o passado. Mas assumir sentimentos perante os outros não é tarefa fácil. Todos estes pensamentos a borbulhar na cabeça de um homem durante um tão curto espaço de tempo, só mesmo para quem tem Memória de Elefante.

Para mim, a escrita de António Lobo Antunes é pura magia. Assim, não resisto a partilhar duas passagens para deixar um pouco de água na boca a quem tem receio de avançar para este autor:

"e vieram-lhe à memória longas noites na praia desfeita dos lençóis"
"a forma como o corpo dela se abriu em concha para o receber, vibrando tal as folhas do cume dos pinheiros agitados por um vento invisível e tranquilo"

Sublime, não é?
Superior é também a forma subtil e inteligente que o autor tem de nos fazer arrancar um sorriso dos lábios, ainda que a intenção fosse chocar. Que o diga o slogan da Funerária Martelo: Para Que Teima Vossa Excelência Em Viver Se Por Quinhentos Escudos Pode Ter Um Lindo Funeral?

Penso que este poderá ser um excelente livro para quem queira começar a entrar no mundo deste Mestre da literatura nacional contemporânea. 

Termino este pequeno texto com uma expressão muito utilizada por um ilustre são tomense que outrora tive o prazer de conhecer, e que tão bem traduz o que sinto pela obra de Lobo Antunes: Lindo, lindo, lindo.
Quanto mais a conheço, mais me sinto cativado por ela.


por Marco Caetano
31.05.2012

07/06/2012

Passatempo ALA e os leitores: participação de Gabriela Tasso



O que leio funde-se com a pessoa, na personagem, no António, que nos faz visualizar as palavras escritas. Todos os livros desejam o próximo e como nós esperam que o seu “ Deus “, Ele, se oiça, e quando enfim dá por terminado mais um livro, logo volta o menino insatisfeito que continua à procura de mais...! O leitor junta-se-lhe no mesmo desejo e um sentimento de vazio instala-se na espera que só ALA preenche com o seu humor ou quando transmite o que lhe vai na alma e nos pertence... 
Por tudo o que ALA é e como é, gostava de conceber uma exposição/homenagem (área em que tenho experiência profissional), a começar em Lisboa na Culturgest ou noutro espaço considerado mais apropriado, mas destinada a ser itinerante pelo país e pelo mundo, pelo que deverá incluir cópias em várias línguas. A sua concepção inclui todos os livros e as várias traduções, os prémios, os filmes, fotografias e o som de todos os que o cantam e o MC3, Georges Lavaudant… e os outros que fizeram saltar para o meio dos espectadores as personagens, ou foi mesmo ALA que estava ali diante de nós... que emoção!


por Gabriela Tasso
07.06.2012

06/06/2012

Rádio Renascença: entrevista de 2004

Repomos uma das poucas entrevistas de rádio. António Sala entrevistou António Lobo Antunes em 2004 e foi para o ar a 24 de Janeiro, ainda sob o pretexto da publicação de Boa Tarde Às Coisas Aqui Em Baixo. Nesta entrevista ALA relata a origem do livro seguinte, Eu Hei-de Amar Uma Pedra.

 

 * duração aproximada: 53 minutos

fonte: Rádio Renascença

01/06/2012

Passatempo ALA e os leitores: participação de Ana Soares


O lugar onde vivo é o das palavras e do afecto. Nesse lugar encontrei o António e abracei-o para a vida. Nesse lugar, vivemos da única forma que sabemos viver: com medo que nos falte tempo para crescer, com medo que nos falte tempo para ser, com medo que nos falte tempo para amar e para dizer ao outro que o amamos. E assim podermos partir em paz. Caminhando, mas sempre nesse lugar. Quando li o Quarto Livro de Crónicas, senti que o mundo estava todo ali naquelas linhas e via com terror o momento em que o livro chegasse ao fim. O que farei depois de o ler todo? Então, pensei que não é preciso ter medo – o livro não acaba; a leitura pode recomeçar, voltamos à primeira página e recomeçamos a viagem… A sua mundiescrevência faz-me também a mim acreditar que posso escrever algo belo, ou pelo menos tentá-lo. Sentimos as palavras a dançar dentro de nós, à procura de uma forma para nascerem para o mundo. E quando nascem no papel, cortam o cordão umbilical que as unia ao progenitor. Passam a ser de todos, como o sol, o mar, a terra… Com as palavras do António cresci, com as palavras do António sou, com as palavras do António tenho menos medo de morrer.

por Ana Soares
01.06.2012

29/05/2012

Alfredo Monte: opinião sobre O Arquipélago da Insónia


«e portanto não tenho senão uma mulher inventada a respirar do lado da consola numa cama de estilo, a prima Hortelinda a mostrar-me o livro

- Não constas aqui»

«deve ser o fim ou qualquer coisa parecida com o fim…»

Por conta de Drummond e a “estranha ideia de família viajando através da carne”, voltei a uma leitura que deixara interrompida, não porque o romance não fosse bom, muito, muito pelo contrário, mas por atribulações e vicissitudes pessoais: O ARQUIPÉLAGO DA INSÓNIA, de António Lobo Antunes, ainda sem edição brasileira.

Reli esta semana as cem páginas iniciais e depois o livro inteiro e portanto já posso dizer, de saída, que é uma das grandes obras do maior escritor de língua portuguesa do momento. É  parecido, sob alguns aspectos, com Eu hei-de amar uma pedra, inclusive pelo intrincado da narração, intrincado não pelos factos em si, mas porque nós os acompanhamos em toda a sua concreticidade, se é que se pode dizer assim, de uma concreticidade visceral, acachapante e depois eles são des-realizados, se tornam fantasmáticos, recombinados, redistribuídos, ressignificados: como em Faulkner, no mundo de Lobo Antunes o tempo enquanto sucessão não existe.  Porém, a partir da segunda parte (eu estava no começo dela quando interrompi a leitura em novembro), ficamos sabendo que a narrativa em parte está a cargo de um autista (o irmão do narrador insone, que espera a manhã, que virá dali a pouco, e no entanto nunca será manhã). Agora: quem não tem o seu quê de autismo nesse universo todo regido pela incomunicabilidade? Veja-se na terceira parte, quando Maria Adelaide (a cunhada do autista) assume seu lugar na roda de narradores (a função primordial de todos: narradores, nessa vida que é absorvida monstruosamente por um livro continuamente escrito: «que espécie de livro é este que custa tanto escrever?»):
«eu com seis anos no quintas e cinquenta aqui e no entanto a mesma pedra a esconder-me dos outros convencida que havia outros e não há outros…»;
ou ainda:
«e portanto faleci em criança, as sombras da santinha e do enfermeiro sob a sombra da serra

- Diz-me se cheiro a defunta não mintas

e o meu cunhado a olhar para mim sem olhar para mim»
e mais adiante:
«e o pai do meu sogro a descer do mulo diante da casa que não existe chegado de uma herdade que não existe…»

«quantas vezes pedi ao meu marido que levasse o irmão de volta ao hospital e eu pudesse esquecer que faleci e achar que estou viva, não me habituo a Lisboa, estas avenidas que me assustam e esta gente que me ignora, quantas vezes perguntei ao meu marido

- Por que tenho de morar com o teu irmão

e o meu marido um gesto que se dissolvia no garfo (…)

- Porque não tenho mais ninguém»…
Além da revelação do autismo do narrador inicial (que cria um poderoso mundo primordial na primeira parte e depois gera uma formidável incerteza quanto ao que poderia haver de conteúdo “real” ali, quando o localizamos num hospital, sendo visitado intermitentemente pela família), um dos achados de O ARQUIPÉLAGO DA INSÓNIA é o personagem da Prima Hortelinda, uma espécie de Parca portuguesa, que consulta no seu caderno quem deve morrer (e a região rural onde vive já moribunda, quase sem mortos para serem apontados no caderno, e o narrador insone eternamente poupado, para viver o inferno da lembrança, mas que lembranças exatamente?).

A morte como ser compassivo, suas intermitências:
«supõe-se que a morte nos quer mal, vai-se a ver e mentira, não gosta do que faz (…) quantas ocasiões deve ter perdido

- Por que não entregam este serviço a outra?»
ou:
«e, depois, claro, a pergunta do costume

- Por que eu?

como se houvesse um motivo, não há motivo algum»
e se a morte é assimilada à compassiva Prima Hortelinda, Deus é assimilado à figura do avô:
“perguntei-lhe [ para Prima Hortelinda]

- Quem é que manda em você?

e um olhar para o tecto

- Ele já não sabe mandar porque até Deus, com a idade, se lhe turvou a cabeça, amolecia num banco a repetir perplexo, esfregando as mãos nos joelhos

- Que estranha coisa é a vida»
No entanto, eu confesso aos meus leitores: eu não saberia nem como nem por onde começar uma análise “global” e que se pretendesse esclarecedora e totalizante de O ARQUIPÉLAGO DA INSÓNIA. Ele me derrota, nesse sentido, assim como já fui derrotado por outros Lobo Antunes ou poir Detetives Selvagens, de Roberto Bolaño.

O romance de Lobo Antunes tem um impacto sensorial, em sua matriz de imagens e falas que vão aparecendo e reaparecendo, recombinando-se, e dando a sensação de que entramos realmente na mente dos personagens. Fisicamente, eu quero dizer. Há sempre algo associado a alguém (o pai e o cavalo; o avô e a mula; a avó e a chávena no pires; Prima Hortelinda e os goivos; a mãe e os baús perfumados); há as inúmeras modulações das afirmações que reaparecem e vão criando o referido impacto: «no tempo em que nada faltava na casa?»; «indiferença do meu irmão que continua comigo nesta casa em que apesar de igual quase tudo lhe falta»;  «na casa em que apesar de igual tudo principiava a faltar-lhe»; «o meu avô que continua nesta casa a quem tudo falta, apesar de igual»; «conforme se desfez a casa em que apesar de igual tudo lhe falta hoje em dia». A questão é justamente essa: quando é “hoje em dia”, quando tudo falta na casa, apesar de igual, casa que porventura talvez nem tenha existido: «Qual a minha idade hoje em dia e quantos anos se passaram desde aquilo que contei?»; «qual  é a minha idade, quantos anos passaram, catorze, vinte, trezentos ou nenhum».
...
«Quem anda de noite misturado com o vento à roda da casa e eu para o meu irmão

- Não ouves?

procurando os intervalos das janelas para espiar a gente, um defunto que se perdeu sem encontrar a travessa onde mora ou as doninhas que não respeitam ninguém obrigando-me a trazer a caçadeira  e a disparar ao calhas, quando de manhã as procuro os milhafres levaram-nas e há um texugo a lamber restos de sangue escondido nas ervas porque são ervas o que hoje temos na herdade de modo que a serra maior, a lagoa nos seus refluxos miúdos e vozes a falarem de uma época em que o meu irmão e eu não havíamos nasido, onde os campos cresciam e o meu avô rico a ordenar isto e aquilo, chegou da vila com o feitor e a mulher do feitor de que se serviam os dois na barraca a partir da qual se construiu esta casa, escutavam bandos de corvos evadidos das nuvens onde se guardam os pássaros  por ordem, estorninhos, gralhas, cegonhas que a mão de não sei quem distribui, se chamasse uma das empregadas da cozinha ninguém, no caso de subir ao compartimento dos baús nenhum perfume na roupa, vamo-nos embora amanhã, onde o mulo, o cavalo e as doninhas não cheguem, pela mesma vereda que a mulher do feitor seguiu sem dizer fosse o que  fosse abandonando a carne ao lume e a agulha espetada no novelo como se fosse voltar; o meu avô e o feitor acertaram no rastro apesar de tanto cardo e tanta pedra porque ao principiar a colina os pés  se arrastavam e alguns caules quebrados, alcançaram-na numas hidrângeas de ribeiro a olhar os gafanhotos que saltavam na corrente se é que  podia chamar-se corrente a uma linhazita incapaz de contornar os seixos, deu por eles de olhos mansos, viu a agulha de crochet na palma do feitor e pergunto-me se a terá sentido entre duas costelas absorvida como estava pelos gafanhotos… o feitor experimentou a agulha mais acima, no ponto em que o coração vai dando corda ao corpo e inventando ideias e a mulher amontoou-se sem cair, ou seja alargou  sentada dizendo qualquer coisa como sucede ao calcário se lhe encostamos o ouvido e uma artéria secreta a latir, a latir, a subir de tom, a parar, ao parar a cabeça no peito e foi tudo…»
    
[...] Apesar de repetir processos narrativos de livros anteriores (processo que, creio eu, chegou ao auge em Eu hei-de amar uma pedra), o que impressiona no romance é sua primordialidade. Parece que estamos vendo em acção o “id” freudiana, sem nenhuma censura ou repressão, e as imagens, fantasias e fábulas pessoais (o “romance familiar”) são vistos de forma nua e crua e não sabemos se estamos numa alucinação, numa reconstrução memorialística, num eterno retorno, num pesadelo circular: essa herdade, erguida pela vontade balzaquiana do patriarca, o avô, cuja mãe abandonou o pai (que se suicidou com uma tesoura no pescoço) e foi viver com o padre da vila, renegando o filho (depois o feitor, a mando do avô, assassinará o padre)… essa herdade, que não terá um herdeiro forte que a herde, pois o avô “pegou” a avó para ser sua esposa, mesmo assim usando todas as mulheres do local (a mulher do feitor, as futuras empregadas, a mulher do filho, menos a filha do feitor, que se oferece, mas pode ser sua própria filha), só que a perdeu para o filho, o Idiota, o fraco, aquele que não consegue nem ser suficientemente homem para mandar na mulher, que escolheu entre as empregadas da cozinha, mas que serve sexualmente o pai dele e transa com um ajudante de feitor (que pode ser outro filho do padre), o qual pode ser o verdadeiro pai do narrador, um filho desprezado por todos, ao contrário do irmão mais novo, talvez legítimo, mas esse sim o verdadeiro Idiota, sem noção de nada… mas aí a herdade empobreceu, a vila despovoou-se, tudo ficou mais pobre, só restam os omnipresentes retratos em suas molduras de gente morta que prossegue nos retratos e nas lembranças como gente viva, talvez até mais viva que os vivos,  como pressentimos numa frase genial logo na primeira página (quando fala da avó morta): «…fixando-me com um olhar de retrato que atravessava gerações…». Cinquenta páginas depois: «…já só faltamos o meu irmão e eu na parede para que a família inteira em molduras ou seja há retratos nossos de criança, não de hoje… além das fotografias sobra-nos o cavalo e as vozes dos finados que conversa, conversam…». Mais adiante: «De maneira que fico aqui à espera porque com um  bocadinho de sorte pode ser que alguma coisa aconteça, uma pessoa chegue da vila para ficar connosco ou levar-nos consigo e nem já da vila se calhar; meia dúzia de postigos que resistem e os parentes dos retratos aguardando que a lâmpada do fotógrafo os desperte para regarem as hortas…»

por Alfredo Monte
Monte de Leituras
22.05.2012

20/05/2012

Nuno Martins: opinião sobre A Morte de Carlos Gardel


Mais um fantástico livro de António Lobo Antunes...

Seguindo o meu périplo pela leitura de Lobo Antunes, cheguei "à vez" de "A Morte de Carlos Gardel", por ventura um dos seus livros mais conhecidos (e agora ainda mais devido ao filme, que infelizmente ainda não vi).

A história inicia-se e centra-se na personagem de Nuno, um jovem toxicodependente que dá entrada num hospital em fase terminal e a partir daí a acção evolui e passa para as pessoas que a ele estão ligadas.

O pai, Álvaro, que se separou da mulher quando o filho era pequeno, um homem sem ambições, "mole" e introspetivo, apenas com a sua paixão pelo tango e principalmente por Carlos Gardel, que o acompanha ao longo de toda a sua vida e que o liga ao mundo.

Claúdia, a mãe, independente, cuida do filho sozinha, tem vários casos depois de se separar de Álvaro, estando na altura numa relação com Ricardo que tem a praticamente a idade do filho.

Graça, a tia, irmã de Álvaro, médica e homossexual é a (suposta) "pedra" mais forte neste conjunto de personagens, e que está junta com Cristiana, uma professora muito instável emocionalmente e ciumenta.

Para além destas há mais umas quantas personagens que também contribuem e muito para a estrutura e desenvolvimento da história.

O livro está dividido em cinco capítulos, cujos títulos são tangos famosos de Gardel e cada capítulo é a estória e visão dos acontecimentos de cada personagem. Mas Lobo Antunes como escritor genial que é, neste livro utiliza uma espécie de "confrontação dos factos" em que as mesmas situações são vistas e relatadas sob a perspectiva dos diversos intervenientes, o que torna o livro ainda mais apetecível e profundo.

Lobo Antunes, também e como já fez nos seus livros anteriores, mostra-nos um Portugal "cinzento", onde as pessoas são mesquinhas, falsas, problemáticas, vivendo nos subúrbios, com falta de gosto e decadentes, ou seja, o Portugal real do nosso dia a dia.

Dos vários livros que já li de António Lobo Antunes, este é dos melhores, é muito profundo e bem estruturado e comovente, vale bem a pena ler. (Entretanto fiquei muito curioso de ver o filme).


por Nuno Martins
O que eu leio
20.05.2012

09/05/2012

Norberto do Vale Cardoso: «Evangelho de Judas segundo António Lobo Antunes»

ALA entre ex-camaradas da guerra

Um excelente e inédito artigo sobre a guerra colonial na obra de António Lobo Antunes, escrito como primeiro ensaio da tese que foi publicada no volume A Mão de Judas (Col. Ensaio - ALA) por Norberto do Vale Cardoso:

A importância progressiva da obra de António Lobo Antunes não pode descurar o impacto da Guerra Colonial. Assim, trinta anos depois da publicação dos primeiros romances, cabe compreender que Memória de Elefante e Os Cus de Judas são romances de aprendizagem e formação, não apenas de uma experiência empírica narrada autobiograficamente, mas também de formação de um escritor. Este mistério da escrita, ou esta “inexplicável materialização do milagre”, que hoje se traduz na referência à mão que escreve está dependente de uma concepção do mundo que vem desedipianizar e desmistificar um país consolidado numa religiosidade crónica. Como se de um “evangelho” se tratasse, essa mão contacta com a vida dos “homens possessos”, aqueles que peregrinaram numa guerra inexplicável e inexplicada.


* por cortesia do autor 

Crónica «Nós» com reflexão sobre a sua leitura por Olga Fonseca

Nós Não precisávamos de falar. Como ele dizia – Tu sabes sempre o que eu estou a pensar e eu sei sempre o que tu estás a pensar ...