07/02/2012

Oferta de exemplar de Explicação dos Pássaros - novo passatempo

[passatempo encerrado]

Caros visitantes, amigos e leitores

Uma vez que o 3º prémio do passatempo de Janeiro, embora atribuído e enviado ao seu destinatário, foi devolvido e não houve posterior reclamação, abrimos a possibilidade de oferecer novamente o livro Explicação dos Pássaros (edição comemorativa dos 30 anos), autografado por António Lobo Antunes, através de novo passatempo que decorrerá, desta vez, com um prazo limite de participação.

Assim, os interessados que quiserem habilitar-se a receber este exemplar apenas têm que construir um pequeno texto criativo onde utilize as palavras explicação e pássaros (não é válida a utilização do título do livro para a aplicação das palavras ao texto). Eis as condições:

  1. Este passatempo começa a partir de hoje, dia 7 de Fevereiro, e terminará às 24H00 do dia 7 de Março;
  2. A participação é feita por e-mail, enviando o texto para o nosso endereço: alaptla@gmail.com;
  3. No corpo da mensagem de e-mail, além do texto, devem constar os seguintes dados pessoais: nome completo, endereço completo e correcto para a entrega do livro e telemóvel (obrigatório);
  4. O texto pode ter no máximo 1000 caracteres com tolerância, não existindo limite mínimo, e não deverá utilizar-se qualquer tipo de ficheiro: o texto tem de estar dentro do corpo da mensagem;
  5. Não se aceitam textos que sejam opinião de leitura sobre o livro. O texto tem de ser criativo, cujo tema é livre, apenas deverão ser aplicadas as palavras explicação e pássaros, em frases ou orações distintas, e não o título do livro;
  6. O vencedor do passatempo será o autor do texto mais criativo. Serão apurados pelo menos três textos com a possibilidade para receber o prémio, que dependerá do ponto seguinte;
  7. Uma vez apurado o vencedor, este será primeiro notificado por e-mail e depois receberá uma SMS onde terá instruções para, nas próximas 24 horas após a sua recepção, confirmar pela mesma via a sua participação e morada para o envio do livro. Se falhar, o prémio será atribuído ao autor do segundo texto apurado, e assim por diante.
Todos os textos serão publicados à medida que os formos recebendo. Os comentários feitos em cada texto, desde que devidamente fundamentados, poderão ajudar à sua avaliação, pelo que, mesmo para os que não se habilitem ao livro, é um passatempo aberto à participação de todos. No final serão evidenciados os três "nomeados" e, finalmente, o vencedor depois de apurado e confirmado.

Esclarecimento (dia 15/02): os participantes do passatempo de Janeiro também podem concorrer a este, incluindo os que ganharam o 1º e 2º prémios!

Por favor enviem-nos os dados correctos!

Participe!

04/02/2012

Passatempo ALA web/Dom Quixote: terceiro premiado anunciado

Sem outro recurso que não este, solicitamos a Manuel Augusto Rodrigues Salvador, da Guarda, 3º premiado do Passatempo da semana passada com o livro Explicação dos Pássaros, que entre em contacto connosco via e-mail (alaptla@gmail.com) até ao final de segunda-feira para tratarmos da entrega do prémio. O livro foi enviado na passada segunda-feira, por correio normal, para a morada indicada no e-mail de participação nos termos do passatempo, mas foi devolvido na passada quinta-feira por "endereço inexistente/insuficiente", e porque no contacto telefónico indicado ninguém atende. Após os e-mails (de quinta e sexta-feira) sem resposta em que pedimos a morada correcta, resta-nos a alternativa pública do nosso site para que possamos entregar o prémio. Após as 24H00 de segunda-feira, dia 06.02.2012, e caso o premiado não entre em contacto connosco pela via solicitada, iremos proceder a um novo sorteio ou passatempo para a atribuição deste prémio uma vez que não houve outro participante com as respostas correctas que possa ser repescado para o terceiro premiado.


post editado a 7 de Fevereiro: o prazo expirou e o livro não foi reclamado, pelo que vamos fazer novo passatempo para oferta deste exemplar.

01/02/2012

de Norberto do Vale Cardoso

“Tratado das Paixões de Judas:

Emoções Sociais e Cognição

em

António Lobo Antunes”




Norberto do Vale Cardoso
(Doutorado pela Universidade do Minho)



I

As paixões do Lobo na guerra



“[...] aqueles meses de guerra haviam-nos transformado em pessoas que não éramos antes, que nunca tínhamos sido, em pobres animais acuados repletos de maldade e de terror.” (I. 175)


1. «Sequestro neuronal» – desequilíbrio emocional

Centrados na experiência da Guerra Colonial, os primeiros romances de António Lobo Antunes estabelecem várias comparações para explicar a “animalização” a que foram sujeitos os soldados portugueses, transformados em “bichos cruéis e estúpidos ensinados a matar” (J. 135). Há, pois, uma dicotomia entre o que eram antes e depois, o que nos parece corroborar a perspectiva “sociologista da guerra”, que refere o acto bélico como estranho ao Homem e produto das relações sociais (Bebiano, 2000:77 e ss). Vejamos, sobretudo, como o narrador d’ Os Cus de Judas (p. 136) afirma essa mutação: “não éramos cães raivosos quando chegámos aqui [...], antes dos ataques, das emboscadas, das minas [...]”. Sugere-se que, na guerra, os soldados se desumanizam/ animalizam, tornando-se em “lobos”, regressando a um estado primário, a uma fase incipiente do “animal político” aristotélico, isto é, em que o Homem não é capaz de reflectir sobre a sua conduta e controlar, pela moral, as suas “paixões”. Estas levam-no a agir sem pensar, ou, se quisermos, a uma situação em que a necessidade de agir exige uma resposta automática de tal modo veloz que o intervalo entre o “disparo” da emoção e a reacção não chega a entrar no consciente (Goleman, 2006:271).
As “paixões” seriam, para Descartes (2009:58), enganadoras, porque os sentidos tocariam a alma com mais força do que a razão. A reacção in-consciente, que não permite que quem age compreenda sequer “o que se está a passar”, é, segundo Daniel Goleman (2006:271), uma resposta “rápida-e-suja da mente emocional”. Percebamos, assim, que as emoções são “adaptações” com que os “organismos regulam a sua sobrevivência” (Damásio, 2004:75), e são-no muito mais numa situação anómala quanto o é qualquer guerra. É evidente que as restrições sociais fazem parte do percurso evolutivo do ser humano, pois, “mal-grado” esses limites, “as paixões estão permanentemente a sobrepor-se à razão” (Goleman, 2006:21). Ora, uma guerra é sempre a abolição das regras, e, nesse sentido, da repressão a que as paixões ou emoções estavam sujeitas, motivando-as (do latim, motere, mover para) em excesso. Assim, o incremento das paixões, como subjugação da racionalização, provoca um desequilíbrio entre a mente emocional (vulgo, «coração») e a mente racional (a «cabeça») (cf. Goleman, 2006:26).
É essa a situação narrada por António Lobo Antunes nos seus primeiros romances. No Conhecimento do Inferno vemos um desses exemplos de desequilíbrio em que se dá uma “explosão emocional” (Goleman, 2006:32), ou seja, em que as “paixões” quebram as amarras racionais que as coarctavam. Referimo-nos a uma situação de tortura perpetrada pelos soldados portugueses sobre três negros que sentiam serem os culpados “dos tiros, da angústia, da injustiça, da estupidez da guerra” (I. 173). O sofrimento (do latim passiōne) era tão violento que o protagonista recorda que teve de fechar “à força o posto de socorros” porque “(todos os homens queriam participar no massacre, vingar a sua angústia, a sua raiva, o seu medo [...])” (I. 173). Só no momento em que a tortura resulta em morte é que os soldados parecem conhecer (cognoscěre) o resultado do seu acto, chamando o Pide para que este os auxilie e resolva o “problema”.
O que os terá levado a perpetrar essa tortura? A resposta passa por uma alteração progressiva das vivências e, consequentemente, por um desequilíbrio das emoções, que culmina numa “resposta suja”, mas defensiva e reguladora da sobrevivência. Aliás, são a dor e o sofrimento que melhor nos protegem para a sobrevivência (Damásio, 2009:268). Daniel Goleman (2006: 32) considera que essas reacções momentâneas são como “sequestros neuronais”, em que o centro límbico dispara uma emergência e se apodera do resto do cérebro. Não podemos com isto julgar que não devemos ter “paixões”, pois são elas que proporcionam aptidões emocionais básicas para a existência humana, fortificando as emoções no pensamento, como já Descartes cogitava (2009:52). Trata-se, outrossim, de aprender a encontrar um equilíbrio entre as emoções e a razão, o que, numa guerra, se nos afigura como algo intermitente. Porém, quando ocorre um desequilíbrio, e quanto mais grave é esse desequilíbrio, as consequências podem ser irreversíveis (e.g. o trauma). A guerra desperta o lado mais instintivo do Homem, pois a pressão (stress) a que o organismo está sujeito nessa situação (Pereira, 1991:67) gera uma desordem (distress) (Quintais, 2000:37). Portanto, numa guerra as acções explicam-se do mesmo modo que se explica um reflexo: quem reagiu, “quem teve o reflexo foi o organismo, e não necessariamente a «pessoa»” (Damásio, 2004:96). Quem reagiu foi um organismo que pugna, inatamente, pela sobrevivência.
Assim, quando a vida está em perigo dá-se uma alteração no cérebro que se torna incontrolável (Goleman, 2006:261). A cognição, processo de Conhecimento posterior ao acto, é o despertar da mente racional, ainda que esta não consiga ser tão rápida quanto a emocional. A consciência questiona-se então sobre as razões dos seus actos, que resultam do facto de a mente emocional tomar todas as crenças como verdadeiras e incontestáveis (Goleman, 206:374). Logo, só a mente racional pode pensar, ter um sentimento de si. Ora, por sentimento entendemos uma “sombra” da emoção (Damásio, 2003:19), ou seja, “o sentir daquilo que acontece quando o seu ser é modificado pela acção de apreender alguma coisa.” (Damásio, 2004:29) Efectivamente, o psiquiatra regressado da guerra sente-se perseguido pelas imagens de tortura, dado que, por ter agido consoante as suas “paixões”, sente que se “traiu” a si mesmo, encarando-se como um Judas (J. 112) (note-se aqui a multiplicidade de sentidos do elemento remático). Assim, recordar será uma actualização do trauma na mente emocional, e um risco de esta se voltar a apoderar da mente racional.  


2. Objectos «emocionalmente inocentes» e objectos «emocionalmente competentes»

A guerra começa por ser um objecto emocionalmente inocente (coisa rara na idade adulta, Damásio, 2003:73), mas torna-se num “objecto” emocionalmente competente, que pode esbater ou amplificar os efeitos emocionais, ou seja, que pode criar uma nova emoção (cf. Damásio, 2003:73). É o que sucede quando a data exacta da tortura surge, “de súbito”, na memória do psiquiatra (I. 172) que narra. Ora, narrar equivalerá a uma forma de “«sentir» os sentimentos”, e este «sentir» “prolonga o alcance da emoção” (Damásio, 2004:325). Todavia, esse procedimento é necessário na terapia para controlar as suas “paixões”. Consequentemente, a emoção, sentida “hoje” pelo psiquiatra ao narrar o que sentiu há anos, em tudo se assemelha à efectivamente sentida naquele momento. Deste modo, a memória gera emoção e a emoção gera memória: “ [...] neste passo da minha narrativa perturbo-me invariavelmente, que quer, foi há seis anos e perturbo-me ainda” (J. 38).
Curiosamente, na narração interligam-se aspectos contraditórios, pois o sujeito que narra, e que, nos casos aqui referenciados, é a personagem do alferes-piquiatra, sente perturbação e libertação nesse processo narrativo, em que, além do mais, o passado se faz presente. Essa ambivalência deve-se, afinal, ao facto de “o lugar da arte” se ter tornado “incerto” (Adorno, 1982:11), ou, se quisermos, a uma “inabilidade epistemológica” da arte em representar a violência e o horror (Norris, 2000:20 e 62). Narrar é reexperienciar uma experiência (inexperienciável), pois o trauma resulta de uma “situação com a qual nenhum ser humano está preparado para lidar” (Albuquerque in Pinto, 2002:34).
Dá-se, pois, uma situação de ruptura forçada, uma perda do habitat, o que implica uma “inversão de valores”, colocando em causa as emoções sociais culturalmente modeladas (Dores, 1994:35). A sobreposição de “um universo falso” ao “universo habitual” (J. 28) será o início da anomalia emocional, que leva o protagonista de Judas a sentir “um sentimento esquisito de absurdo” (J. 25), uma sensação de pertencer a outro lugar, sem saber qual (J. 32). Coloca-se, antes de mais, um problema de auto-representação, paulatinamente agravado pelas vicissitudes da guerra. Há uma fragilização constante do combatente, agudizada em momentos de “paragem”, em que os soldados têm tempo para cogitar/ pensar, ou seja, para ter um “sentimento” (de si), que seria a possibilidade de controlar voluntariamente o que até então era automático (Damásio, 2003:96). Contudo, nem mesmo Descartes (2009: 128) cria que fosse humanamente possível resistir às paixões.


3. Falsificação de emoções – escravos das «paixões»

Procurando embotar esses sentimentos, alguns soldados entregam-se ao álcool, enquanto outros se suicidam. No caso do consumo de bebidas alcoólicas, temos uma falsificação das emoções, que não reflecte o estado actual do organismo. O efeito permite que o soldado não soçobre, mas essa adulteração incapacita-o emocionalmente, e não é biologicamente sustentável a longo prazo (Damásio, 2003:160). O que sucede é uma modificação dos mapas verídicos do corpo, falseamento que quer iludir uma menor perfeição do organismo. Atentemos num exemplo: “[...] este tipo de álcool [...] possui a benéfica virtude de [...] subir o nível da coragem [...]” (J. 27).
Os sentimentos são “manifestações mentais do equilíbrio e da harmonia, da desarmonia ou do desacordo” do organismo (Damásio, 2003:162), mas quando este está gravemente perturbado e não consegue regressar à homeostasia, pode dar-se um total descontrolo emocional, que resulta em inaptidão. Esta, por sua vez, pode conduzir o organismo ao suicídio, que, como referimos, é presenciado e narrado pelo antigo combatente, que, no presente, exerce psiquiatria no Hospital Miguel Bombarda. No caso dos suicídios, em que se destaca o do “soldado de Mangando” (cf. J. 176-177), enfatiza-
-se uma “imprecisão emocional do cérebro”, uma inaptidão, com maior incidência nos casos de emoções particularmente fortes, como o são os acontecimentos traumáticos (Goleman, 2006:41).
Podemos ressalvar que o suicídio é um acto paranóico, mas é o único, afinal, que inflecte contra a “máquina paranóica” de guerra (Deleuze e Guattari, 1995:14). A ausência de si como corpo parece ser a única saída vislumbrada para retirar de si as emoções que não consegue cognoscěre. A autognose sobre as suas emoções não lhe dá nem autoconsciência nem autoconhecimento, pelo que este indivíduo não é capaz de manifestar uma inteligência emocional (Goleman, 2006:65). Esta falha, equivalente a uma amputação, implica, por outro lado, que o sujeito seja “escravo das paixões”, revelando uma falta de “inteligência intrapessoal” (Goleman, 2006:61). Como conhecida figura bíblica, Judas, o soldado português age segundo paixões inexplicáveis, que implicam, numa posterior introspecção, a sua auto-mutilação. Mas ao contrário do psicopata, em que a emoção é nula, o soldado sofre porque o sentimento da emoção o enfraquece (Goleman, 2006:148) até ao suicídio. Este resulta de uma lacuna de inteligência emocional (Goleman, 2006: 54), de uma incapacidade para se auto-motivar e de “persistir a despeito das frustrações”.
Ao invés do suicida, o sobrevivente (aquele que não se suicida, mas que sente estar “morto como os suicidas”, J. 121), manifesta um autodomínio das paixões perturbadoras, o que não requer, porém, a superação ou compreensão dos seus sentimentos. O não suicídio omite problemas de representação do eu, sobretudo porque o sobrevivente assiste ao suicídio de alguém que lhe era gregário. Esta situação agrava a sua fragilização, levando-o a procurar uma cognição incognoscível: “- Por que é que as pessoas se matam?” (I. 253) Esta é uma demanda infrutífera. Por exemplo:

“A gente mata-se porque somos os mendigos desta guerra” (I. 205);
“As pessoas matam-se porque estão fartas. [...] Fartas de não perceberem porque é que morrem.” (I. 206)

Portanto, o não suicida pode incorrer numa incapacidade, comummente apelidada de desordem de stresse pós-traumático, de que o protagonista (muito associado ao autor empírico) dos primeiros romances de António Lobo Antunes padece.



Para ler o artigo completo consultar:


Estética das Emoções (organização de Fernanda Gil Costa e Igor Furão), Centro de Estudos Comparatistas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, V.N. Famalicão, Húmus, pp. 213-224.

30/01/2012

Da leitora Maria Silva: «O António (da Crónica da Pomba Branca)»

Para
António Lobo Antunes


O ANTÓNIO ( da Crónica da Pomba Branca)

"azul"

Aderi ao Messenger. E neste momento pode bem perguntar

Mas o que é que isso interessa para aqui?

Explico:

Na parte relativa ao meu perfil, coloquei algumas músicas que gostei e que ainda gosto. Coloquei alguns filmes, que fui vendo, e porque ainda gosto. Ainda vejo. Mas o meu gosto alongou-se um pouco mais, na parte relativa aos livros, porque só de um autor coloquei a quase totalidade da sua obra.

Nem preciso de dizer qual o autor. E nem vou dizer qual o livro que levou estas palavras.

"Porque gosto desta obra?
E porque gosto de toda a obra deste escritor?

É porque não são livros. Melhor dizendo: - Cada livro transporta vários livros. Numas páginas, descobrimos pessoas. Noutras páginas, encontramos passado. Às vezes numa só frase

O nosso interior todo.

E, de tão próximo, a surpresa enorme.
E a pergunta:- De onde é que vem a tal voz?
As vozes que o autor menciona, às vezes.
De tão próximo se fica, que o próprio escritor avisa:
- Os meus livros deviam ter o nome de cada leitor.
Portanto, na minha modesta opinião:
Uma obra sem igual.
E, vinda de Portugal
Só nos pode orgulhar "

Sendo este um espaço oferecido aos leitores do escritor, António Lobo Antunes

O António (da Crónica da Pomba Branca)

Não quis deixar de partilhar o que escrevi a seguir à quase totalidade da obra do

António Lobo Antunes

O António da (da Crónica da Pomba Branca)


por Maria Silva
Coimbra
e-mail de 26.01.2012

29/01/2012

Passatempo encerrado: as respostas certas e os premiados


Foram encontrados os três premiados. O passatempo encerrou hoje às 20H25.

Questionário com as respostas correctas:

1Qual o livro assumidamente mais autobiográfico de António Lobo Antunes?
b) Memória de Elefante

2. Qual o nome da personagem que em O Manual dos Inquisidores foi ministro de Salazar?
a) Francisco

3. Qual o título originalmente pensado para o livro As Naus?
c) O Regresso das Caravelas

4. A temática de fundo de Que Farei Quando Tudo Arde? é:
a) travestismo

5. O título do livro a publicar este ano - Não É Meia-Noite Quem Quer - vem de um poema de:
c) René Char

6. Qual destes títulos não é proveniente de um poema?
a) Boa Tarde Às Coisas Aqui Em Baixo

Participantes premiados:

1º prémio - Comissão das Lágrimas + Memória Descritiva
 - Miguel Alexandre Marques, de Lisboa (e-mail de 26.01.2012 22:22)

2º prémio - Sôbolos Rios Que Vão
- Ana Cristina Porfírio Chaves, do Porto (e-mail de 27.01.2012 12:18)

3º prémio - Explicação dos Pássaros
- Manuel Augusto Rodrigues Salvador, da Guarda (e-mail de 29.01.2012 14:19)


Obrigado pela vossa participação e os nossos parabéns aos premiados.

26/01/2012

Passatempo Fãs de António Lobo Antunes / Dom Quixote

PASSATEMPO ENCERRADO (29.01.2012 20:25)



Habilite-se a ganhar um destes prémios! Participe!


Após o seu anúncio, em finais de 2011, avançamos agora com os detalhes deste passatempo que irá permitir oferecer estes quatro livros aos três primeiros leitores que responderem acertadamente ao pequeno questionário abaixo enunciado. A oferta dos 4 livros foi possível graças ao apoio da LeYa - Dom Quixote, e pelo empenho de Maria da Piedade Ferreira, editora de António Lobo Antunes, para concretizar esse apoio, bem como do próprio escritor que se disponibilizou prontamente a autografar os três títulos da sua autoria que serão oferecidos.

A forma de participar é simples. Basta responder ao questionário e enviar as respostas em mensagem (da forma como se entender, desde que seja perceptível a resposta em relação à questão) para o nosso e-mail - alaptla@gmail.com. Na mensagem devem constar os seguintes dados pessoais:

- nome completo
- endereço postal para o envio dos exemplares
- contacto telefónico

O passatempo começa a partir de agora, ou seja, a partir da data e hora da publicação deste artigo no blog. Os premiados serão considerados apenas os primeiros três participantes que responderem acertadamente ao questionário e tenham enviado no e-mail os dados pessoais solicitados. Após o encerramento do passatempo, cada participante premiado será notificado via e-mail, bem como será oportunamente anunciado aqui o nome dos três vencedores.

Questionário

São 6 questões sobre alguns dos livros de António Lobo Antunes. As respostas são de escolha entre três opções, só uma é a correcta:

1. Qual o livro assumidamente mais autobiográfico de António Lobo Antunes?
a) Sôbolos Rios Que Vão
b) Memória de Elefante
c) Os Cus de Judas

2. Qual o nome da personagem que em O Manual dos Inquisidores foi ministro de Salazar?
a) Francisco
b) Rui S.
c) Álvaro

3. Qual o título originalmente pensado para o livro As Naus?
a) O Retorno
b) Do Império Ficam As Naus
c) O Regresso das Caravelas

4. A temática de fundo de Que Farei Quando Tudo Arde? é:
a) travestismo
b) incêndios em Portugal
c) amor incondicional

5. O título do livro a publicar este ano - Não É Meia-Noite Quem Quer - vem de um poema de:
a) Dylan Thomas
b) Sá de Miranda
c) René Char

6. Qual destes títulos não é proveniente de um poema?
a) Boa Tarde Às Coisas Aqui Em Baixo
b) Eu Hei-de Amar Uma Pedra
c) Não Entres Tão Depressa Nessa Noite Escura


Prémios:

São os seguintes livros (ver imagem acima), e distribuídos pela ordem de chegada dos e-mails com as respostas certas:

- Comissão das Lágrimas, autografado por António Lobo Antunes + Memória Descritiva da fixação do texto para a edição ne varietur da obra de A.L.A.
- bolos Rios Que Vão, autografado por António Lobo Antunes
- Explicação dos Pássaros, autografado por António Lobo Antunes (edição comemorativa dos 30 anos sobre a 1ª edição)

O passatempo encerrará assim que forem encontrados os três premiados. 

Ficamos agora à espera da vossa participação. 

Boa sorte!



24/01/2012

Da leitora Ana Paula Azevedo: Carta a António Lobo Antunes

Caro António
Chamo-me Ana Paula e vivo no Norte do país. Para si sou mais uma das suas leitoras e fã incondicional. E o António o que é para mim? Tudo. É o escritor com quem tive o primeiro contacto num comboio em direcção ao Porto, pela voz de um rapaz que lia alguns trechos de livros para os passageiros. Depois de Miguel Torga, eis que ele apresenta António Lobo Antunes com uma das crónicas publicadas na revista Visão. A partir daí, quis conhecer mais e já vou no seu (e de outros que falam de si) nono livro lido.
A cada livro que leio amo-o cada vez mais. O António tem tudo a ver comigo. Identifico-me com o seu sentir e a forma de o dizer: por vezes crua mas tão cheia de sentimentos, que me comove. Quando termino um livro seu, sinto-me preenchida, nem sei como dizê-lo. É uma sensação que não consigo exprimir por palavras. O António sim, conseguiria descrever esse sentimento na perfeição. É isso que eu amo em si, a sua capacidade de usar as palavras de uma forma tão verdadeira. Penso quando leio: como é possível alguém dizer tão bem aquilo que somos realmente, no nosso íntimo, no nosso verdadeiro EU. Nós que só dizemos o que é politicamente correcto, para não magoarmos os outros, para não nos magoarmos a nós…
Obrigada por me dar a conhecer um bocadinho de si, por trocar confidências comigo, não com os outros leitores, mas comigo.
Identifico-me muito consigo em relação à vida, mas também em relação à morte. A morte realmente é uma puta (desculpe). Ainda sou nova (46 anos), mas os médicos (que percebem destas coisas) dizem que é a idade propícia aos enfartes, aos AVC`s, apesar de eu constatar ultimamente, que todas as idades são propícias a todas as doenças.
Trabalho rodeada de adolescentes e por vezes acho uma provocação; tanta juventude, tanta saúde, tantos corpos com tudo no sítio, tanta vida pela frente… Ainda ontem eu era assim e hoje…
Bom, falemos de coisas mais agradáveis. Depois de tempos a pensar no António como alguém fantástico, reconhecido mundialmente, Prémio Nobel no meu coração, inatingível para mim, eis que me sento consigo numa mesa de esplanada. Assim, cara a cara, o António Lobo Antunes em carne e osso e aqueles lindos olhos azuis…meu Deus que azul…lembra o mar da minha terra natal. Foi realmente um momento inesquecível, emocionante. O António é lindo…
Não fique preocupado, não sou nenhuma fã tresloucada que persegue os seus ídolos. Não preciso de o perseguir, quando descreve a casa dos seus pais eu estou lá consigo, quando descreve a sala onde escreve, eu estou lá num cantinho embevecida vendo-o escrever mais um romance, mais uma crónica, quando esteve no hospital, eu estive lá incentivando-o: António, vamos lá, ainda tanta vida pela frente, tantas confidências para trocar, tanto para emocionar…
Obrigada por existir
Sua fã para sempre
Ana Paula

por Ana Paula Azevedo
Trofa
e-mail de 24.01.2012

Crónica «Nós» com reflexão sobre a sua leitura por Olga Fonseca

Nós Não precisávamos de falar. Como ele dizia – Tu sabes sempre o que eu estou a pensar e eu sei sempre o que tu estás a pensar ...