30/01/2012

Da leitora Maria Silva: «O António (da Crónica da Pomba Branca)»

Para
António Lobo Antunes


O ANTÓNIO ( da Crónica da Pomba Branca)

"azul"

Aderi ao Messenger. E neste momento pode bem perguntar

Mas o que é que isso interessa para aqui?

Explico:

Na parte relativa ao meu perfil, coloquei algumas músicas que gostei e que ainda gosto. Coloquei alguns filmes, que fui vendo, e porque ainda gosto. Ainda vejo. Mas o meu gosto alongou-se um pouco mais, na parte relativa aos livros, porque só de um autor coloquei a quase totalidade da sua obra.

Nem preciso de dizer qual o autor. E nem vou dizer qual o livro que levou estas palavras.

"Porque gosto desta obra?
E porque gosto de toda a obra deste escritor?

É porque não são livros. Melhor dizendo: - Cada livro transporta vários livros. Numas páginas, descobrimos pessoas. Noutras páginas, encontramos passado. Às vezes numa só frase

O nosso interior todo.

E, de tão próximo, a surpresa enorme.
E a pergunta:- De onde é que vem a tal voz?
As vozes que o autor menciona, às vezes.
De tão próximo se fica, que o próprio escritor avisa:
- Os meus livros deviam ter o nome de cada leitor.
Portanto, na minha modesta opinião:
Uma obra sem igual.
E, vinda de Portugal
Só nos pode orgulhar "

Sendo este um espaço oferecido aos leitores do escritor, António Lobo Antunes

O António (da Crónica da Pomba Branca)

Não quis deixar de partilhar o que escrevi a seguir à quase totalidade da obra do

António Lobo Antunes

O António da (da Crónica da Pomba Branca)


por Maria Silva
Coimbra
e-mail de 26.01.2012

29/01/2012

Passatempo encerrado: as respostas certas e os premiados


Foram encontrados os três premiados. O passatempo encerrou hoje às 20H25.

Questionário com as respostas correctas:

1Qual o livro assumidamente mais autobiográfico de António Lobo Antunes?
b) Memória de Elefante

2. Qual o nome da personagem que em O Manual dos Inquisidores foi ministro de Salazar?
a) Francisco

3. Qual o título originalmente pensado para o livro As Naus?
c) O Regresso das Caravelas

4. A temática de fundo de Que Farei Quando Tudo Arde? é:
a) travestismo

5. O título do livro a publicar este ano - Não É Meia-Noite Quem Quer - vem de um poema de:
c) René Char

6. Qual destes títulos não é proveniente de um poema?
a) Boa Tarde Às Coisas Aqui Em Baixo

Participantes premiados:

1º prémio - Comissão das Lágrimas + Memória Descritiva
 - Miguel Alexandre Marques, de Lisboa (e-mail de 26.01.2012 22:22)

2º prémio - Sôbolos Rios Que Vão
- Ana Cristina Porfírio Chaves, do Porto (e-mail de 27.01.2012 12:18)

3º prémio - Explicação dos Pássaros
- Manuel Augusto Rodrigues Salvador, da Guarda (e-mail de 29.01.2012 14:19)


Obrigado pela vossa participação e os nossos parabéns aos premiados.

26/01/2012

Passatempo Fãs de António Lobo Antunes / Dom Quixote

PASSATEMPO ENCERRADO (29.01.2012 20:25)



Habilite-se a ganhar um destes prémios! Participe!


Após o seu anúncio, em finais de 2011, avançamos agora com os detalhes deste passatempo que irá permitir oferecer estes quatro livros aos três primeiros leitores que responderem acertadamente ao pequeno questionário abaixo enunciado. A oferta dos 4 livros foi possível graças ao apoio da LeYa - Dom Quixote, e pelo empenho de Maria da Piedade Ferreira, editora de António Lobo Antunes, para concretizar esse apoio, bem como do próprio escritor que se disponibilizou prontamente a autografar os três títulos da sua autoria que serão oferecidos.

A forma de participar é simples. Basta responder ao questionário e enviar as respostas em mensagem (da forma como se entender, desde que seja perceptível a resposta em relação à questão) para o nosso e-mail - alaptla@gmail.com. Na mensagem devem constar os seguintes dados pessoais:

- nome completo
- endereço postal para o envio dos exemplares
- contacto telefónico

O passatempo começa a partir de agora, ou seja, a partir da data e hora da publicação deste artigo no blog. Os premiados serão considerados apenas os primeiros três participantes que responderem acertadamente ao questionário e tenham enviado no e-mail os dados pessoais solicitados. Após o encerramento do passatempo, cada participante premiado será notificado via e-mail, bem como será oportunamente anunciado aqui o nome dos três vencedores.

Questionário

São 6 questões sobre alguns dos livros de António Lobo Antunes. As respostas são de escolha entre três opções, só uma é a correcta:

1. Qual o livro assumidamente mais autobiográfico de António Lobo Antunes?
a) Sôbolos Rios Que Vão
b) Memória de Elefante
c) Os Cus de Judas

2. Qual o nome da personagem que em O Manual dos Inquisidores foi ministro de Salazar?
a) Francisco
b) Rui S.
c) Álvaro

3. Qual o título originalmente pensado para o livro As Naus?
a) O Retorno
b) Do Império Ficam As Naus
c) O Regresso das Caravelas

4. A temática de fundo de Que Farei Quando Tudo Arde? é:
a) travestismo
b) incêndios em Portugal
c) amor incondicional

5. O título do livro a publicar este ano - Não É Meia-Noite Quem Quer - vem de um poema de:
a) Dylan Thomas
b) Sá de Miranda
c) René Char

6. Qual destes títulos não é proveniente de um poema?
a) Boa Tarde Às Coisas Aqui Em Baixo
b) Eu Hei-de Amar Uma Pedra
c) Não Entres Tão Depressa Nessa Noite Escura


Prémios:

São os seguintes livros (ver imagem acima), e distribuídos pela ordem de chegada dos e-mails com as respostas certas:

- Comissão das Lágrimas, autografado por António Lobo Antunes + Memória Descritiva da fixação do texto para a edição ne varietur da obra de A.L.A.
- bolos Rios Que Vão, autografado por António Lobo Antunes
- Explicação dos Pássaros, autografado por António Lobo Antunes (edição comemorativa dos 30 anos sobre a 1ª edição)

O passatempo encerrará assim que forem encontrados os três premiados. 

Ficamos agora à espera da vossa participação. 

Boa sorte!



24/01/2012

Da leitora Ana Paula Azevedo: Carta a António Lobo Antunes

Caro António
Chamo-me Ana Paula e vivo no Norte do país. Para si sou mais uma das suas leitoras e fã incondicional. E o António o que é para mim? Tudo. É o escritor com quem tive o primeiro contacto num comboio em direcção ao Porto, pela voz de um rapaz que lia alguns trechos de livros para os passageiros. Depois de Miguel Torga, eis que ele apresenta António Lobo Antunes com uma das crónicas publicadas na revista Visão. A partir daí, quis conhecer mais e já vou no seu (e de outros que falam de si) nono livro lido.
A cada livro que leio amo-o cada vez mais. O António tem tudo a ver comigo. Identifico-me com o seu sentir e a forma de o dizer: por vezes crua mas tão cheia de sentimentos, que me comove. Quando termino um livro seu, sinto-me preenchida, nem sei como dizê-lo. É uma sensação que não consigo exprimir por palavras. O António sim, conseguiria descrever esse sentimento na perfeição. É isso que eu amo em si, a sua capacidade de usar as palavras de uma forma tão verdadeira. Penso quando leio: como é possível alguém dizer tão bem aquilo que somos realmente, no nosso íntimo, no nosso verdadeiro EU. Nós que só dizemos o que é politicamente correcto, para não magoarmos os outros, para não nos magoarmos a nós…
Obrigada por me dar a conhecer um bocadinho de si, por trocar confidências comigo, não com os outros leitores, mas comigo.
Identifico-me muito consigo em relação à vida, mas também em relação à morte. A morte realmente é uma puta (desculpe). Ainda sou nova (46 anos), mas os médicos (que percebem destas coisas) dizem que é a idade propícia aos enfartes, aos AVC`s, apesar de eu constatar ultimamente, que todas as idades são propícias a todas as doenças.
Trabalho rodeada de adolescentes e por vezes acho uma provocação; tanta juventude, tanta saúde, tantos corpos com tudo no sítio, tanta vida pela frente… Ainda ontem eu era assim e hoje…
Bom, falemos de coisas mais agradáveis. Depois de tempos a pensar no António como alguém fantástico, reconhecido mundialmente, Prémio Nobel no meu coração, inatingível para mim, eis que me sento consigo numa mesa de esplanada. Assim, cara a cara, o António Lobo Antunes em carne e osso e aqueles lindos olhos azuis…meu Deus que azul…lembra o mar da minha terra natal. Foi realmente um momento inesquecível, emocionante. O António é lindo…
Não fique preocupado, não sou nenhuma fã tresloucada que persegue os seus ídolos. Não preciso de o perseguir, quando descreve a casa dos seus pais eu estou lá consigo, quando descreve a sala onde escreve, eu estou lá num cantinho embevecida vendo-o escrever mais um romance, mais uma crónica, quando esteve no hospital, eu estive lá incentivando-o: António, vamos lá, ainda tanta vida pela frente, tantas confidências para trocar, tanto para emocionar…
Obrigada por existir
Sua fã para sempre
Ana Paula

por Ana Paula Azevedo
Trofa
e-mail de 24.01.2012

22/01/2012

Wilton Cavalcante: opinião sobre Ontem Não Te Vi Em Babilónia

[...] curioso como certos episódios não abandonam a gente”
António Lobo Antunes

finalmente, na noite de ontem (29/11/2011), terminei de ler o livro Ontem não te vi em Babilónia, de António Lobo Antunes, são quatrocentas e trinta e cinco páginas pesadas que uma grande amiga me emprestou para eu me divertir nestas férias, não, não, apaguem tudo, tudo não, só o que se fala de páginas e de diversão, é um livro, não são páginas, é melancolia, não diversão
você aí, sim, que está lendo, pode achar estranho o jeito que estou a escrever, mas aprendi (será?) a fazê-lo como Lobo Antunes, que inicia os parágrafos, a não ser o primeiro de cada capítulo, com letras minúsculas, e finaliza os parágrafos sem pontos, e interpõe pensamentos distintos num mesmo parágrafo, e faz um jogo fantástico com a língua
sinceramente, achei muito estranho, no início, chegando eu a não entender várias frases, derivado (esta palavra é frequente) em parte do facto de ele não colocar muitas vírgulas, de tal modo que o próprio leitor, por seu conhecimento, entenda em que parte da(s) frase(s) ela(s) deveria(m) estar
o livro é composto por seis capítulos, cada um com quatro partes, três personagens são fixos: Ana Emília, uma mulher que não consegue esquecer-se do suicídio da filha, a qual contava quinze anos no acto, Osvaldo, um policial reformado que vive atormentado com lembranças do passado, entre elas, sua mãe, seu pai, seu casamento morto, e a esposa de Osvaldo, que, assim como o marido, e todos, remexe as lembranças da vida
como eu havia dito, cada capítulo é composto por quatro partes, mas eu só fiz referência a três personagens
bem, em cada capítulo dá-se voz a um personagem que faz parte das lembranças dos outros três
os nomes dos capítulos são horas, o primeiro, Meia noite, o segundo, Uma hora da manhã, até Cinco horas da manhã, isto é (esta expressão também frequente), os personagens estão acordados, e a exposição das lembranças (somente as que eles querem expor) são feitas ao longo dessas horas
característica marcante do livro é a referência constante à ditadura, também representada em outras obras do escritor
ele foi médico do exército português em África
a parte principal do livro, a emocional, abstenho-me de falar dela a você, leitor, é uma experiência pessoal, forte, arrebatadora, que necessita de silêncio para ser vivida, leitura silêncio, a dor silêncio, o prazer silêncio, a morte silêncio, a vida
também silêncio?
o livro não é fácil
mas, quem quer facilidade são os fracos...
o autor foi laureado em 2007 com o Prémio Camões, o maior da língua portuguesa, e, para mim, entra na lista de grandes escritores portugueses contemporâneos, ao lado de José Saramago e Vergílio Ferreira
como não poderia ser diferente, não abster-me-ei de citar alguns trechos da obra, pouquíssimos comparados aos que eu podia recolher e fazer um livro só para mim:
“em certas noites quando o passado nos vence mesmo que não falemos com ela uma mulher ajuda, há memórias que se movem e nos incomodam por dentro ao trocarem de lugar [...]” (ANTUNES, 2008, p. 270).
“[...] tudo se ausenta de nós com o passar da idade, feições, ideias e domingos no parque, ficam a surpresa o medo, uma pergunta aterrada
− O que foi?
e no caso de respondermos voltam a cara, não escutam, um vinco que não existia a crescer na bochecha, uma prega ou uma veia se é que possuem veias a suplicar
− Não digas” (ANTUNES, 2008, p. 118-119).
“[...] no outono ninguém consegue dormir e no entanto desci um instante no interior de mim quase a encontrar a lembrança do que fui e regressei à tona, [...] por que motivo só algumas fracções do corpo fazem parte de nós e as restantes sem utilidade alguma, incomodando, pesando, celulite, manchas, demasiada pele no pescoço, uma outra voz na nossa voz que nos completa as frases e treme [...]” (ANTUNES, 2008, p. 130).
“os olhos dele vazios e a calva sabedora, sempre temi que nos carecas se vissem as ideias aparafusando-se umas nas outras, soltando molas, vibrando, há relógios assim de mecanismo ao léu e um balançar de volantes, se eu fosse careca os sentimentos à mostra cobertos de cicatrizes e sardas [...]” (ANTUNES, 2008, p. 161).
“[...] o meu pai tirava o boné se passava um enterro e ficava quieto a olhá-lo, o enterro sumia-se na esquina e só então o meu pai o boné na cabeça, se ele agora aqui tirava-o a mim que não acabo de passar [...]” (ANTUNES, 2008, p. 286).
“[...] deviam chover lágrimas quando o coração pesa muito e há momentos, palavra de honra, não se compreende o motivo mas pesa, sente-se dentro o
(ia escrever incómodo e não incómodo conforme não tristeza, não dor, como se traduz isto, não sei)
deviam chover lágrimas quando o coração pesa muito e há momentos palavra de honra que pesa” (ANTUNES, 2008, p. 324).

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:

ANTUNES, António Lobo. Ontem não te vi em Babilónia. Rio de Janeiro: Objetiva, 2008.

por Wilton Cavalcante
30.12.2011
Reta de Vista_

Da leitora Georgina Noronha


Os cigarros são a água com que empurro a comida das frases.


António Lobo Antunes in Quarto Livro de Crónicas


por Georgina Noronha
(autora da foto)
Lisboa

21/01/2012

Francisco Solano: opinião sobre Qué caballos son aquellos que hacen sombra en el mar?


A substância do trivial

Este romance de Lobo Antunes é divulgado pela editora com esta afirmação do autor: "Um livro ideal para dar trabalho aos críticos. Queria escrever um romance à maneira clássica, que destruísse todos os romances feitos desta forma". Também Joyce, com Finnegans Wake, se propôs a manter ocupados os críticos por trezentos anos. Estes excessos revelam uma patologia de ambição literária. Faulkner, outro gigante, disse que havia de julgar um escritor pelo esplendor do seu fracasso. Para os três a literatura é uma arte de exploração que inclui o receio da descoberta, não dar nada por concluído. Esta qualidade predomina na escrita de Lobo Antunes. O leitor que tenha conhecimento da sua extensa obra não estranhará estes monólogos obsessivos, vozes que se cruzam urdindo uma teia cujos contornos dificilmente aparecem claros. Nada é de todo preciso, e não obstante poder-se-ia dizer que contemplamos o magma de uma memória que ferve revelando-se com a máxima transparência que as palavras permitem, que na obra de Lobo Antunes tratam de mostrar o que não elas não podem dizer. Algures nestas páginas uma voz reconhece: "Quais são as memórias de um cérebro que se decompõe".

Ao contrário de outros livros, impregnados de um substrato dramático que coloca a obra em movimento, não existe em Que Cavalos São Aqueles Que fazem Sombra No Mar? nenhum motivo central que manche a intriga que tecem as vozes distintas. E se tivéssemos que encontrá-lo talvez fosse na própria família, como instituição dividida, composta por numerosas tensões, incompreensão, humilhações e dor. E como essa família, a prosa adquire um desmembramento semelhante. Não existe aqui, de facto, nada que agarre o leitor. Cada voz, quando é reconhecida (ainda que ela nunca se reconheça a si mesma), tende a ser sobreposta pelo irromper de outra voz que se mistura mudando a perspectiva, de forma que as personagens se evaporam na sua pretensão de se constituírem ao contrastarem-se com as demais, e os múltiplos saltos que desmoronam a sintaxe obrigam à recorrência no estilo de estribilhos e chavões que significam pouco mais do que uma alusão para identificá-las. É preciso deixar, portanto, esse empenho - legítimo, mesmo assim - de compreender o que se lê, pelo menos da forma imposta por uma leitura tradicional. Lobo Antunes propõe uma leitura desprovida do interessante; dissipa a ilusão de vermos, agradando-nos à distância, a personagem numa montra, apenas o efervescer que a concretiza, em que o não dito e desconhecido ("somos sempre outra coisa e por baixo disso outras coisas escondidas") emerge com a mesma relevância que o substancialmente narrado: a discórdia entre os irmãos, o envelhecimento do pai, a criada que guarda os segredos (que todos conhecem) dos membros da família, os desastres amorosos que fomentam a lenda familiar, a mãe resignada ao esquecimento.

Não é possível isolar um aspecto deste romance sem violentar o seu dinamismo. Certa vez Lobo Antunes afirmou que "O livro é um organismo vivo, que nada tem que ver comigo, com o seu próprio temperamento e sua própria fisionomia". Mais do que um romance, parece a descrição de uma personagem. Também tem reafirmado que os seus romances não são polifónicos, mas uma só voz com diferentes tons. A combinação das duas afirmações suscita a configuração de que o romance, antes que uma estrutura, se constitui afinal em personagem. Talvez, se não estivermos demasiado errados, que isso possa servir para caminhar por estas intrincadas páginas cujos capítulos seguem a ordem de uma corrida de touros, com os seus precedentes, os deferentes tércios, a faena, a sorte suprema, e o sabor amargo que nos deixa a conclusão da cerimónia.

O romance chama o leitor a manter uma agitação que esteja à altura das exigências de Lobo Antunes, um autor que, por tê-lo dito de alguma forma, há muito tempo que rompeu os vínculos entre enunciado e significado. Criou um estilo em metade de índole psicológica, auto-referencial, e outra metade imprevisível. Aqui o imprevisto domina todas as incidências dessas vozes que se desvanecem para não se destruírem. Esta, aquela, essas vozes rompendo-se, nunca antes, até à escrita de Lobo Antunes, haviam sido criadas em literatura. Para aceder a essa sonoridade é preciso ler de um modo diferente. Ou talvez escutar.

por Francisco Solano
fonte: El País
14.01.2012
[traduzido do castelhano por José Alexandre Ramos]

Crónica «Nós» com reflexão sobre a sua leitura por Olga Fonseca

Nós Não precisávamos de falar. Como ele dizia – Tu sabes sempre o que eu estou a pensar e eu sei sempre o que tu estás a pensar ...