14/02/2009

Tiago Sousa Garcia: opinião sobre O Arquipélago da Insónia


A obra de António Lobo Antunes nunca será consensual. O Arquipélago da Insónia não é ainda a obra que marcará a unanimidade de opiniões à volta do autor. Quem gosta continuará a gostar, quem detesta tem mais um livro para deitar à fogueira.

O livro questiona a tradicional divisão literária. Não será dramaturgia, lírica também não. Sobra a narrativa – e como encaixá-lo? Romance talvez seja o mais próximo, mas nada há aqui de romance. É, por assim dizer, um livro inclassificável.

O enredo, chamemos-lhe assim, conta a história de uma família burguesa, dona de uma herdade no Ribatejo. Como as fotografias que estão na sala da casa, o livro retrata três gerações. É difícil identificar a que geração pertence cada personagem. As palavras não seguem qualquer tipo de ordem cronológica, cenas de hoje misturam-se com cenas de ontem, os que permanecem vivos são muitas vezes interrompidos por lembranças dos que já morreram. Nas páginas de O Arquipélago da Insónia está a biografia da família, desde o crescimento da herdade pelo braço do Avô e do seu amigo de infância, que se tornou no feitor, até ao declínio e à inexistência com que chegou aos seus netos. É pelos olhos de um desses netos que o leitor vê grande parte da acção. Pormenor de fundo, esse neto não tem uma mente comum, subentende-se a certo ponto que sofre de autismo. Pormenor que se torna num dos pontos mais importantes do livro.

Enquanto está a olhar para uma fotografia do seu irmão, o narrador salta repentinamente para a recordação de uma história de infância do avô, para logo depois passar para uma memória da sua própria infância, para em seguida se lembrar de uma criança que amava, Maria Adelaide, e que acredita piamente que está morta mesmo sabendo que está casada com o irmão. Este alucinante trocar de acção é substituído, no terço final do livro, por visões mais comuns, por assim dizer, de alguns dos outros membros do clã.

É, sem dúvida, fascinante a maneira como Lobo Antunes simula o trabalhar de uma mente especial. O grande ponto negativo – será que queria mesmo escrever ponto negativo? – é que este não é um livro de boa digestão. É absolutamente desaconselhável interrompê-lo a meio de um capítulo, corre-se o risco de perder completamente o fio condutor que, vai-se a ver, nem existe. Por outro lado, os capítulos, quase estanques entre si, podem ser lidos e relidos isoladamente sem grandes perdas.

A magia dos livros de António Lobo Antunes é que são quase peças de arte. Cada vocábulo tem o mesmo valor lido individualmente ou numa frase, cada palavra é burilada até à exaustão, um trabalho quase silencioso que não escapa aos olhos de ninguém.Percebe-se que onde está aquele verbo não poderia estar outro, onde está aquele substantivo não há lugar para mais nenhum. Talvez por isso as palavras e as expressões se repitam ad eternum, estão perfeitas, não há necessidade de procurar outras. Dizem uns. Outros dizem que Lobo Antunes escreve o mesmo livro há trinta anos. Indiferente a O Arquipélago da Insónia é que ninguém fica.


por Tiago Sousa Garcia
2009

30/12/2008

«Os livros são indecentemente caros»



Reportagem sobre a atribuição do Prémio Clube Literário do Porto, e ainda sobre a publicação de Arquipélago da Insónia. O escritor comenta o estado da cultura, alegando que os livros estão "indecentemente caros".

duração: 2' 14''

fonte: RTP
28.12.2008

28/12/2008

"Os livros em Portugal são indecentemente caros"


O escritor António Lobo Antunes considerou ontem à noite, no Porto, que os livros em Portugal são "indecentemente caros", referindo que "há países com maior poder de compra onde são muito mais baratos", como Alemanha, Holanda e Noruega. 

O autor de "Arquipélago da Insónia", publicado este ano e que já vai na sétima edição, falou durante a cerimónia em que recebeu o Prémio Clube Literário do Porto, com um valor pecuniário de 25.000 euros.

Lobo Antunes, de 68 anos, foi apresentado pelo jornalista, comentador e professor Carlos Magno como um autor que "escreve sobre a contemporaneidade como poucos o fazem neste país", fazendo uso de uma "ironia absolutamente a toda a prova". 

O escritor disse que não podia deixar de estar no Porto para receber o prémio, por ter "uma dívida de gratidão muito grande para com a cidade", que vem do tempo em que esteve internado num hospital lisboeta, a lutar contra um cancro. 

"Quando há dois anos estive muito doente, recebi sete, oito mil cartas e a maior parte eram do Porto. Isso é uma coisa que nunca poderei pagar", explicou. 

O autor falou sobre a sua doença, a morte, a escrita, a cultura, a guerra, o preço dos livros, entre outros temas. 

Os portugueses vivem mal e os livros são indecentemente caros

Disse por exemplo que os governos pouco têm feito pela cultura desde o 25 de Abril de 1974.

"Quem tem trabalhado com a cultura são as autarquias e são fundações" como aquela a que está ligado o Clube Literário do Porto, a Fundação Dr. Luís de Araújo, defendeu. 

Como autor, o que o move é "tentar colocar em palavras o que por definição é impossível contar em palavras, como as emoções ou os impulsos". 

Lobo Antunes evocou Ernesto Melo Antunes, que foi um dos ideólogos do 25 de Abril e morreu há nove anos, tendo mantido com ele uma grande amizade. 

"A morte de um amigo é uma coisa irreparável", resumiu, para depois acrescentar que "o que aparece nos livros são estas coisas todas, ou seja, a vida". 

"Os portugueses vivem tão mal e os livros são tão indecentemente caros!", criticou, em seguida, frisando que "que quem lê não são as classes altas, é a classe média baixa, como se pode observar nas feiras do livro". 

O presidente da Fundação Dr. Luís de Araújo, Augusto Morais, ofereceu a Lobo Antunes um elefante prateado, que definiu como sendo "uma provocação à memória" do escritor. 

O autor de "Memória de Elefante", o seu primeiro livro, lançado em 1979, recordou que ninguém, na altura, queria publicar este livro, que acabou por ser um êxito editorial. 

Perante uma plateia constituída por várias dezenas de pessoas, entre elas muitos jovens, Lobo Antunes falou sobre a sua experiência enquanto doente com um cancro, dizendo que viveu então "uma mistura de sentimentos" e que passou depois "dois meses sentado numa cadeira, completamente vazio". 

Segundo Lobo Antunes, a doença deu-lhe outra perspectiva sobre a vida. 

"A gente passa a jogar com as cartas para cima; não há nada para esconder", sustentou. 

António Lobo Antunes revelou à comunicação social que poderá haver um novo livro seu "talvez para o fim do ano que vem". 

"Não depende só de mim, penso que sim, se for capaz de o acabar", completou. 

O Prémio Clube Literário do Porto tem "um significado muito maior do que um prémio no estrangeiro, por maior nome que o prémio tenha". 

"É para as pessoas do meu país que eu escrevo", justificou. 

Esta é a quarta edição do Prémio Clube Literário do Porto, que nos anos anteriores distinguiu os escritores Mário Cláudio, Armando Baptista Bastos, e Miguel Sousa Tavares.

fonte: Público
28.12.2008

23/12/2008

Ana Cristina Leonardo: sobre O Arquipélago da Insónia


Cercados pelo Vento

O vigésimo livro de António Lobo Antunes tem como pano de fundo o Portugal rural.

De acordo com a famosa frase do ensaísta inglês Walter Pater, «toda a arte aspira continuamente à condição de música». Esta concepção da música como a «grande arte» parece ajustar-se cada vez mais à escrita de António Lobo Antunes. [...] O Arquipélago da Insónia, indiferente ao pretexto ficcional - ascensão e queda de uma família latifundiária alentejana (?) -, surge habitado por uma polifonia de espectros, soando como uma melodia riscada por frases e sons sincopados e crispados, agentes devoradores da própria partitura do texto, que, ainda assim, sobrevive.

No princípio, há uma casa: «De onde me virá a impressão que, na casa, apesar de igual, quase tudo lhe falta?» Depois vão saindo dela, em lenta procissão, as personagens (mortas ou vivas?, acabará por perguntar-se o leitor, que não pode evitar Pedro Páramo, de Juan Rulfo): um avô («comandando o mundo»), criadas submissas («- Chega cá»), dois irmãos, um deles autista («repara no meu irmão que não responde a nada interessado na música»), uma avó («a chávena da minha avó a tremelicar no pires»), um feitor («sob as nogueiras a lutar com os sapatos sem dar com as árvores sequer conforme lhe sucedeu pisar o padre que se sumia na terra»), um ajudante de feitor («Para alguma coisa há-de servir esse idiota»), um pai («e ninguém ao seu lado, você sozinho pai e todavia à procura, as mãos a segurarem o que julgava as mãos da minha mãe»), uma mãe («alguma vez a vi sem ser de costas para mim?»)... somando-se a estas outras tantas, fios frágeis de um emaranhado narrativo que, à maneira de um sonho, tanto escapa à temporalidade sequencial como às leis de causa e efeito. E, também por isto, trata-se de um livro do qual se gosta mais à segunda leitura.

Chegados aqui, teria de nos vir à cabeça O Som e a Fúria, de William Faulkner, escritor que António Lobo Antunes diz ler cada vez menos mas de cuja família literária não poderá fugir. E, precisamente sobre a tragédia da família Compsons, escreveu ele: «(...) possui a qualidade de ser um romance que, tal como a grande poesia, se relê no maravilhamento da descoberta: a todo o passo damos com pormenores que nos haviam passado despercebidos, em cada página nos emocionamos.» Mas se, como n' O Som e a Fúria, também n' O Arquipélago da Insónia há uma família decadente e um «Idiota» a que se deseja dar voz, torna-se arriscado ir mais longe nas comparações. Neste, as vozes misturam-se (uma só, afinal?), o ritmo delirante é omnipresente, a alucinação é indistinta do real, e vivos e mortos trocam de papéis, esfumando-se, uns e outros, em fotografias antigas sem futuro. As palavras, naturalmente, atropelam-se, interrompem-se, rodopiando indiferentes às regras da identidade, da linearidade, indiferentes também à preguiça do leitor, esse leitor que já Machado de Assis interpelava ironicamente em Memórias Póstumas de Brás Cubas: «(...) tu amas a narrativa direita e nutrida, o estilo regular e fluente, e este livro e o meu estilo são como os ébrios, guinam à direita e à esquerda, andam e param, resmungam, urram, gargalham, ameaçam o céu, escorregam e caem.» Neste caso, claro, o estilo chega expurgado de realismo, mero pretexto imagético para um exercício radical de linguagem: onírica, exacta, cruel (a morte, o sexo e o crime manchamO Arquipélago da Insónia), nunca descarnada, à imagem da música, a mais racional e sensual das artes.

E por mais este livro, mesmo se distinto da condição mágica de «Iniji», se poderá dizer da busca literária de António Lobo Antunes o mesmo que Le Clézio disse dessa espécie de poema assinado por Henri Michaux (publicado n' As Magias de Herberto Helder): «As linguagens pesadas tropeçam nas suas consoantes, nas sílabas, como um cego tropeça nos móveis de um quarto desconhecido. Já não pretendemos falar todas as línguas. As palavras encontram-se além, sempre além, e é preciso apanhá-las depressa. As vogais que soam, ressoam. Talvez seja preciso abandonar tudo.»


por Ana Cristina Leonardo
Outubro 2008
Suplemento Actual do Expresso nº 1876

20/11/2008

Milu: opinião sobre Memória de Elefante


“Memória de Elefante” é o primeiro romance da autoria de António Lobo Antunes, uma obra autobiográfica se avaliada à luz de acontecimentos que tiveram lugar na vida do escritor, os quais constam da sua biografia. A principal personagem desta narrativa é o próprio narrador, médico psiquiatra que após a separação da sua mulher e filhas, mergulha num estado depressivo profundo, chafurdando incessantemente e sem piedade nos recônditos da sua consciência, arrancando à memória tristezas do passado, remoendo-as incansavelmente, numa espiral de tortura, espicaçando a alma até fazer sangue. Incapaz de resolver as suas angústias, vive o tormento de ter de si uma imagem distorcida, sente-se um homem acabado, melhor ainda, um merdoso de merda, julgando-se indigno da sua própria mulher. Provavelmente terá sido a sua instabilidade emocional, que o levou a afastar-se da família numa errante procura de si mesmo, encetando uma caminhada que o arrastaria ao fundo de um negro e solitário poço. Evoca, exaustivamente, recordações de um passado que teimam em permanecer vivas e dolorosas, marcado pelo abominável de uma guerra, luta por exorcizar as imagens que se lhe impuseram aos olhos de forma tão desumana. No meio deste turbilhão emocional, que descamba num mar de reflexões, sobressai a admirável mestria com que o médico perscruta os meandros da mente humana. A linguagem obtusa que aqui e ali pontua o discurso serve, tão-só, para derramar um mar de raiva contida, que deveria ter sido expulsa em seu devido tempo. Termino esta minha dissertação, confessando que, durante a leitura deste livro tive momentos em que me ri e, livro que me faça rir, é um livro abençoado!


por Milu
31.10.2008

08/11/2008

Tim James Booth: opinião sobre O Arquipélago da Insónia


«- Somos dois homens rapaz
a cerrar a tampa sobre mim e a afastar-se nas ervas para eu não acordar.»
- António Lobo Antunes, O Arquipélago da Insónia

Ao pousar o livro sobre a secretária ainda tremo quando me lembro que este exemplar em particular me foi entregue em mãos pelo autor, assinado e dedicado, no primeira (talvez única) oportunidade que tive para o conhecer. Ainda me ressoam nos ouvidos as palavras curtas e, apesar disso, tão longas que trocamos, o sorriso inesperado, o elogio sussurrado, a minha voz a tremer, as minhas mãos a tremer, o livro a tremer quando lho estendi, o livro seguro quando me devolveu, uns poucos minutos que vão ficar para sempre na minha memória e umas palavras que vão para sempre ficar escritas no meu livro, pela mão do génio Lobo Antunes, quem sabe próximo Nobel da Literatura português, já que é eterno candidato. E um conselho, um conselho que guardarei para sempre na sua voz sumida e pensada, “Nunca empreste livros”, nunca os empresto caro doutor.

Isto para dizer que ler este livro não estava no meu plano de leitura, como disse anteriormente, primeiro queria aprofundar o início de carreira de Lobo Antunes, no entanto este Arquipélago pediu independência da minha jurisdição e em boa hora o fez. Não sou, certamente, o homem indicado para comentar a obra deste senhor se nem sequer um quarto daquilo que escreveu, e estou a falar apenas da ficção, fui ainda capaz de ler, por essa razão evitarei comparações, ainda que inevitáveis, com as obras que antecederam este romance. Podia bem começar por aí, contestar a eterna designação de romance que nada quer dizer e que dificilmente encaixa neste livro, mas que encaixa porque o livro não entra em mais lado nenhum. Mas fujo ao que interessa.

O Arquipélago da Insónia é a mais recente obra de António Lobo Antunes. É uma visão plural da história de três gerações de uma família disfuncional (como tantas nas histórias de Lobo Antunes) dona de uma herdade algures no Ribatejo, desde o seu crescimento pelo braço do Avô e do seu amigo de infância que se tornou no feitor, até ao declínio e à inexistência com que chegou aos seus netos. Disfuncional não chega para descrever esta família, se existe um avô com um filho que não respeita, “Idiota”,  um filho casado com uma ex-empregada da casa que era tomada pelo pai, como todas as outras, um neto que é autista e filho do ajudante de feitor, outro que simplesmente não quer ser, uma avó que tremia tanto como a chávena no pires e matava coelhos com uma paulada no cachaço, uma mulher que morreu em criança e a própria morte como prima da família. É isto o livro e nada mais, a história de uma família sem história, igual a tantas outras e diferente de todas, singular porque nasceu de uma mente singular e banal porque vemos em todos os membros do clã facetas nossas. Aparentemente Lobo Antunes aproxima-se cada vez mais do seu objectivo de encher os livros de nada, este é um livro carregado dele, de palavras que não existem, e que não precisam de existir para serem lidas, de história que não existe, e não precisa para ser conhecida, de morte que existe, e não precisava de existir para lá estar.

Durante dois terços do livro vemos a família pelo olhar do autista. E está brilhantemente bem composto. Ninguém sabe como funciona a mente de alguém assim, mas António Lobo Antunes não estará muito longe de um pensamento verdadeiro. Uma alucinante sucessão de tempos e datas e factos e histórias e imaginação e palavras soltas e tudo o mais o que pode passar por uma mente diferente. Talvez uma das mais intensas partes do livro será o último capítulo da parte II, em que o personagem se revela demasiado frágil para contar exactamente o que se passa, recorrendo inúmeras vezes a factos sobre cegonhas para se acalmar, entrecortando o discurso narrativo (como tantas vezes acontece ao longo do texto) com factos inúteis sobre as aves, até que atinge o clímax final, que não é mais do que um ponto temporário que se vai repetir ao longo de toda a terceira parte por diversas vezes vistas por diversas pessoas.

Por este olhar vemos nós grande parte da saga familiar e durante todo esse tempo o leitor não pode deixar de se sentir ligeiramente perdido, sem saber muito bem o que está a acontecer, e ao mesmo tempo, maravilhado. Mas claro, sendo Lobo Antunes, não podia ser uma só visão a contar-nos a história e no terço final sucedem-se os relatos diferentes das diferentes pessoas, e tudo, subitamente, começa a ficar tão claro e tão repentinamente claro que ficamos embasbacados com o génio do senhor que parecia escrever frases quase desconexas em tudo.

Como já noutros livros do autor acontecia,  o título, para mim, só faz sentido no fim. Mesmo nunca usando as palavras “arquipélago” ou “insónia” durante o texto, não é difícil chegar à conclusão de que todos são ilhas que vagueiam solitárias, presas na localização e no sangue, mas solitárias e acordadas pela noite, e pela morte, dentro. Lobo Antunes faz-nos um espelho feito de retratos, os retratos que estavam na sala da casa onde o autista via os parentes que rapidamente se transformavam em pessoas ao seu lado, um espelho onde vemos o nosso contínuo desejo de permanecer acordados. Eternamente acordados, perhaps?

Chego ao final desta recensão com um sentimento de incapacidade indescritível. Queria dizer tanto mais sobre este livro e nada mais me sai. Sinto-me pequeno, muito pequeno, perante um dos maiores nomes da literatura mundial e um dos maiores mestres da palavra portuguesa. Tal como me senti quando lhe apertei a mão há uma semana e pouco. Tal como me vou sentir sempre que tentar falar sobre ele ou a sua obra, ou sobre ambos, sendo ambos um, porque se confundem Lobo Antunes e os livros que escreveu, talvez mais do que o próprio autor desejaria.

É, sem dúvida, um livro inquieto de uma mente genial. Poderia escrever pela noite dentro e mesmo assim não seria capaz de reproduzir aquilo que o livro me disse sem, de facto, dizer nada. A verdade é que para um homem encher um livro de silêncio é muito fácil. O difícil é enchê-lo de silêncio cheio de palavras. Isso, António Lobo Antunes consegue-o magistralmente.

por Tim James Booth
05.11.2008

Crónica «Nós» com reflexão sobre a sua leitura por Olga Fonseca

Nós Não precisávamos de falar. Como ele dizia – Tu sabes sempre o que eu estou a pensar e eu sei sempre o que tu estás a pensar ...